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Expo-98 e o Pavilhão do Futuro (à esq.): uma disneylândia aquática para mostrar a importância dos mares e ajudar a preservar espécies animais e vegetais ameaçadas de extinção antes mesmo de ser catalogadas |
| Foto: Gustavo Moura/Reflexo |
Estimativas da Unesco indicam que 80%
da biodiversidade mundial está no mar, uma superfície contínua que cobre
dois terços do planeta e responde pela produção de 80% do oxigênio em
circulação na atmosfera. Nesse caldo de vida, o relevo submarino brasileiro,
oscilando entre profundidades de não mais que 200 metros, nas proximidades
das praias, e abismos oceânicos precipícios de 6000 metros ,
favoreceu o surgimento de espécies novas e diferenciadas. A colisão, por
força das correntes marítimas, das águas profundas com a encosta da plataforma
costeira do país gera um suco rico em nutrientes para os animais aquáticos,
ao mesmo tempo que as diferenças de pressão e temperatura oceânicas servem
como barreira geográfica entre espécies distintas. Impede-se assim que,
na luta pela sobrevivência, uma espécie vivendo numa cota oceânica ataque
e leve à extinção outra espécie, que viva sob outras pressões e temperaturas.
Esses ecossistemas comportam ainda mais variantes porque o fundo do mar
brasileiro é enriquecido por cadeias de montanhas de mais de 600 quilômetros
de extensão, como a VitóriaTrindade, que está localizada na região
entre o Espírito Santo e o Rio de Janeiro (veja quadro). É o mesmo fenômeno que ocorre numa montanha
a céu aberto, que permite a instalação de espécies diferentes segundo
a altitude.
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Limpador
Facilmente identificado, o limpador leva a vida comendo parasitas e limpando as feridas dos demais peixes. Isso o obriga, muitas vezes, a entrar na boca de espécies carnívoras. Mede cerca de 4,5 centímetros e pode ser encontrado em boa parte do litoral |
| Fotos: Maristela Colucci/Reflexo |
| Coió
Costeiro, o coió vive em fundos de areia e cascalho. Suas nadadeiras ventrais permitem que ele se movimente para a frente e para trás, o que facilita a captura de crustáceos. Possui a cabeça espinhenta e, quando assustado, abre suas nadadeiras peitorais para intimidar seus predadores |
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Moréia
Este peixe vive em fundos
rochosos e costuma passar seus dias apenas com a cabeça para fora da toca. À noite, quando sai para se alimentar, prefere peixes e crustáceos. Agressivo, quando é perturbado ou se sente acuado, pode até morder. Não é venenoso |
| Corcoroca e fogueira Freqüentemente encontrado em beira de praias, baías e estuários, o corcoroca gosta de formar cardumes. Junto desses grupos costuma estar o fogueira, que leva esse nome devido à sua cor avermelhada. Cobiçado pelos aquaristas, alimenta-se de crustáceos | ![]() |
Autocrítica O interesse recente sobre as riquezas marinhas, entre as quais as brasileiras, deriva de uma autocrítica. Até bem pouco tempo atrás, o pensamento dominante era de que o mar, por ser tão extenso, era capaz de absorver todos os impactos da ação humana. Não é assim. A pesca e a navegação ganharam dimensões industriais (todo ano são 90 milhões de toneladas de peixes extraídas do mar), ameaçando viveiros naturais de espécies. A extração e o transporte de petróleo cresceram brutalmente, já respondendo por 30% de toda a produção mundial. Na mesma proporção cresceu a poluição decorrente dessa exploração. Defensivos e fertilizantes químicos empregados na agricultura também destroem a fauna e flora marinhas, porque acabam depositados nos oceanos pela ação das chuvas que lavam os solos. Além disso, a ocupação costeira aumentou desordenadamente. Cidades e povoados ocupam as vizinhanças da água numa extensão crescente. O resultado é que desapareceram muitos lugares antes usados como berçários de muitas espécies. Exemplos de espécies em perigo por essa razão são as tartarugas marinhas e muitas variantes de peixes. "Estamos percebendo que os oceanos são muito vulneráveis à ação do homem e precisamos controlar sua exploração e bloquear sua degradação", explica o biólogo português Mário Ruivo, principal cabeça científica da Comissão Mundial Independente dos Mares.
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Golfinho de dentes rugosos
Robusto e forte, o golfinho de dentes rugosos tem
a dentição marcada por pequenas estrias
longitudinais. Apesar de ser considerado típico
de águas oceânicas, no Brasil vem sendo
observado com freqüência em áreas costeiras |
| Fotos: Bia Hetzel/André Alves/Carlos Goldgrub/Reflexo |
| Tartaruga-verde Das sete espécies de tartarugas existentes em todo o mundo, cinco vivem e se reproduzem no Brasil. Exploradas durante décadas, hoje elas lutam contra a extinção. A cada 1.000 nascimentos, apenas uma ou duas sobrevivem | ![]() |
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Peixe-boi
Especialistas estimam que no Brasil existam apenas 400 espécimes desses mamíferos de hábitos solitários. Quando adultos esses animais chegam a pesar 700 quilos |
No caso do mar brasileiro, esses riscos são potencializados. Como acontece com a Floresta Amazônica, corre-se o risco de assistir à extinção de espécies que nem sequer são conhecidas ainda. Mesmo o Japão, país considerado o mais desenvolvido nas pesquisas sobre a biologia marinha, só conseguiu identificar até agora 3.000 substâncias farmacêuticas ativas de animais e plantas marinhos. Ninguém duvida de que poderia ser muito mais. A flora e a fauna submarinas estima-se que existam mais de 25.000 espécies distintas de algas podem fornecer grandes contribuições à medicina. Já são usadas na fabricação de cosméticos e em medicamentos anticoagulantes e anticolesterol. Pesquisas sobre o câncer estão sendo feitas a partir do ouriço-do-mar, já que as células de seus ovos se reproduzem de forma semelhante à observada na evolução de tumores.
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Piraúna
Este peixe vive entre corais e rochas, debaixo de lajes ou em tocas, que costumam ser amplas. Pode mudar de cor rapidamente e medir até 40 centímetros |
| Fotos: Maristela Colucci/Reflexo |
| Jaguareçá
Produz sons para afugentar invasores e os espinhos de algumas espécies contêm toxinas. Vive em corais e recifes e costuma sair à noite para caçar |
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Mulata
Vive próximo a recifes de coral e costões e costuma permitir a aproximação de mergulhadores. Ao pressentir uma ameaça, busca refúgio entre as pedras |
Os cientistas apontam formas novas para entender a importância dos mares e sugerem como preservá-los, mas sabem que nunca conseguirão aprofundar suas pesquisas se não ganharem o apoio da opinião pública mundial. É para isso que serve a Expo-98, onde o Brasil comparece com um estande que está entre os maiores. Logo na entrada, o visitante atravessa uma cascata de pedras caminhando sobre um piso de vidro que cobre o leito pedregoso de um rio. O chão do pavilhão reproduz o levantamento topográfico do país feito a partir de fotos de satélite. No seu conjunto, a exposição tem atrações inesquecíveis. Não há como não se maravilhar com o projeto futurista do arquiteto americano Peter Chermayeff, um veterano no design de parques oceânicos.
A grande vedete é o Pavilhão dos Oceanos, um conjunto de cinco aquários gigantes o maior com volume de água equivalente ao de quatro piscinas olímpicas em que foram alojados 15.000 animais marinhos pertencentes a 200 espécies encontradas nos quatro oceanos. Através de janelas abertas nessas piscinas os visitantes podem observar as belezas submarinas. Outros três pavilhões completam o resumo temático da exposição. O Pavilhão do Conhecimento dos Mares conta a história das conquistas marítimas. Nele estão representadas das viagens dos grandes descobridores do século XVI às expedições científicas de sábios como Charles Darwin, que navegou pelo mundo em busca das evidências que o levaram à construção da teoria da evolução das espécies. O Pavilhão de Portugal se concentra na saga lusitana e o Pavilhão do Futuro é dedicado às potencialidades e à preservação dos oceanos. Desse jeito, com certeza, os mares nunca dantes foram navegados. Sorte de quem puder comparecer. Vai até o final de setembro.
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