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Ketalar
na pista de dança: "flutuando dentro de um aquário" |
| Foto: Elena Vetorazzo |
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| Foto: J. Miranda |
Incensada pela musa do movimento clubber, a cantora Madonna, como uma droga cujos efeitos levam o usuário a se imaginar "num grande buraco, nadando fora de seu corpo", o Special K, Super K ou apenas K acaba de desembarcar nas danceterias underground do eixo RioSão Paulo, depois de abafar em Londres e Nova York. Derivado de um anestésico usado em pequenas cirurgias de seres humanos e animais, o Super K tem efeito alucinógeno arrebatador. "Eu me sinto como se estivesse flutuando dentro de um aquário", descreve o paulista O.B., de 34 anos. É um perigo. "O prazer inicial pode terminar em convulsões e paradas cardiorrespiratórias. Esses jovens estão namorando a morte", explica o psicofarmacologista Elisaldo Carlini, da Universidade Federal de São Paulo.
O princípio ativo do K é a cetamina, principal substância do anestésico Ketalar. Líquido na forma comercial, o medicamento é aquecido para se transformar em pó. "Cheirar uma carreira de 5 centímetros de Special K equivale a uma carreira de cocaína do tamanho de um braço, por um quarto do preço", diz o barman paulista Willian, de 25 anos. O Special K, no entanto, não gera euforia. Relaxa. Quem usa tende a falar arrastado, sentir moleza no corpo e ter falhas de memória. Anestesiado, o usuário não sente dor alguma. Pode machucar-se e nem notar o ferimento.
"Não imagino como os viciados conseguem a substância", declara José Machado de Assis, diretor do laboratório Parke-Davis, fabricante do medicamento. Fácil. Os usuários desviam as ampolas de Ketalar de clínicas veterinárias e hospitais, ou, simplesmente, encomendam a droga a algumas farmácias. Os primeiros relatos do uso ilícito da cetamina datam do início da década de 90, no Reino Unido, quando fazendeiros descobriram que o anestésico era um potente alucinógeno. O psiquiatra Arthur Guerra de Andrade, da Universidade de São Paulo, um especialista em dependência por drogas, nunca ouvira falar no Super K até ser avisado por um aluno. Ficou surpreso. Mais ainda ao constatar que todos os seus alunos já conheciam o novo alucinógeno. É mais uma arma na roleta-russa que certos jovens se dispõem a usar loucamente contra si próprios.
Copyright © 1998, Abril
S.A. |