Galopes em alta

Passeios a cavalo em fazendas e provas
de enduro ganham novos adeptos

Márcio e Andressa:
trocando a praia
pela cavalgada de
fim de semana
Foto: Claudio Rossi  

Depois de um café da manhã para verdadeiros peões de boiadeiro, com direito a ovos e lingüiça, os cavaleiros seguem por uma trilha de 70 quilômetros até um lugar propício para acampar. O cardápio do jantar é ovelha no fogo de chão. Mais tarde, uma roda de viola completa o clima de comitiva. Isso tudo é parte de um dos pacotes oferecidos pela Fazenda Cainã, em São Luiz do Purunã, a 40 quilômetros de Curitiba, no Paraná. Todas as semanas, 65 hóspedes costumam lotar a Cainã para curtir temporariamente a vida de cavaleiro. Roteiros bucólicos como esse estão ganhando cada dia mais adeptos. "Já temos cerca de 2500 clientes no cadastro", diz Paulo Hafner, dono da Horseback, agência gaúcha que promove viagens a cavalo desde 1992. Também têm atraído mais gente os enduros eqüestres, uma prova em que vencer é menos importante do que o passeio por trilhas espalhadas pelo interior. Na mais recente etapa do Campeonato Brasileiro de Enduro, organizado pela empresa Verdes Eventos em parceria com a Confederação Brasileira de Hipismo, participaram no feriado de 1º de maio 250 pessoas, que percorreram a cavalo circuitos de até 120 quilômetros nas proximidades da cidade de Caxambu, em Minas Gerais.

Enduro em Caxambu:
250 participantes
se aventuram por
trilhas ecológicas
  Foto: Murilo Goes

Em parte, a moda do cavalo se deve à maior oferta de lugares turísticos e serviços voltados para esse tipo de lazer. Os passeios são para todos os gostos, os animais são mansos e o ritmo das cavalgadas é lento. Mesmo os enduros não requerem grande habilidade dos cavaleiros e incluem provas especiais para atrair iniciantes. Os santistas Márcio Baptistão, 22 anos, e Andressa Cristine Reis, 21 anos, trocaram a praia pelo campo no domingo dia 24 e se embrenharam a cavalo por uma hora numa trilha próxima ao Haras Pilar, em Ribeirão Pires. "É emocionante", dizia Andressa, enquanto tentava entender-se com um animal não muito obediente. Todas as semanas, o Pilar recebe de vinte a 150 visitantes, a maioria deles hospedada num hotel vizinho, somente para cavalgadas. O Haras Katmandu, próximo ao Parque Nacional de Itatiaia, no Rio de Janeiro, também organiza passeios de uma hora. No feriado de Corpus Christi, quando haverá lua cheia, será promovida uma cavalgada noturna.

Cavaleiros bem dispostos podem procurar programas mais longos. A Horseback oferece um pacote de uma semana e 230 quilômetros em lombo de cavalo, saindo da cidade de Torres, no litoral gaúcho, até o Parque Nacional de Aparados da Serra, com pousada em fazendas da região. No Refúgio Ecológico Caiman, em Mato Grosso do Sul, o turista que quiser conhecer mais de perto os jacarés do Pantanal pode participar de uma comitiva e aprender, na prática, como se toca uma boiada. Em cinco dias, os aprendizes de peão acompanham vaqueiros de verdade e se hospedam em quatro pousadas do Refúgio. Com o sucesso dos enduros, ficou mais fácil também manter um cavalo próprio em centros especializados que guardam, preparam e levam os animais para as provas. Entre os participantes habituais estão empresários como Otávio Marques Paiva Neto, dono do Café Bom Dia, jovens como Pedro Mercadante, filho do ex-deputado petista Aloizio Mercadante, e socialites como Maria Christina Mendes Caldeira. Manter um cavalo para enduro custa em média 300 reais por mês. Ainda é caro, mas bem mais barato do que os 1.000 reais cobrados numa hípica.

Adriana Setti




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