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Verde vulnerável
Estudo
prova que Brasil não protege seus ecossistemas
Um levantamento inédito feito pela ONG
Fundo Mundial para a Natureza, WWF, revela que as
unidades de conservação ambiental oficialmente
protegidas pelos governos estaduais e federal
equivalem-se a apenas 2,7% do território nacional. Esse
dado coloca o Brasil na lanterninha entre os países
latino-americanos. A cobertura vegetal protegida na
Colômbia, por exemplo, é de 9%. No Chile é de 12% e na
Costa Rica chega a 21%. A situação brasileira fica
ainda mais dramática quando os 23,2 milhões de hectares
de estações ecológicas, parques e reservas biológicas
existentes no país são dissecados qualitativamente. Com
exceção da Floresta Amazônica, os demais ecossistemas
que formam a paisagem nacional nem sequer têm 2% de suas
áreas originais oficialmente protegidas. É consenso
entre os ambientalistas considerar que, para preservar a
biodiversidade de um ecossistema, pelo menos 10% de sua
área original deve ficar intata.
O Brasil está
longe disso. O cerrado, que está sendo devastado
rapidamente pela expansão da fronteira agrícola no
Centro-Oeste, tem cerca de 1% de sua área original
efetivamente protegida. A caatinga, paisagem típica do
Nordeste, é o bioma mais desprezado, com área um pouco
menor que a do cerrado coberta por parques e reservas
oficiais. "O Brasil corre o risco de entrar no
século XXI sem garantir minimamente a preservação de
sua biodiversidade", afirma o biólogo Felipe Ponce
de León, pesquisador da Universidade de Brasília,
responsável pelo levantamento que serviu de base para o
WWF. Segundo León, além de as áreas protegidas serem
poucas, "tem muito parque fantasma, que ainda está
apenas no papel, e muita reserva não preservada de
maneira adequada".
Depois do
desastre Da Mata Atlântica, considerado
um dos ecossistemas com maior biodiversidade do planeta,
restam apenas 7% do original, dos quais menos de 2%
estão protegidos em unidades de conservação oficiais.
Isso significa que, mesmo que fosse adotada a política
de "desmatamento zero" reivindicada por vários
ecologistas, já não será mais possível preservar toda
a sua biodiversidade. A Floresta Amazônica é a única
que tem condições efetivas de alcançar os padrões
mínimos internacionais até o ano 2000. Atualmente,
cerca de 5% de sua área original está oficialmente
protegida. Nos próximos três anos este índice pode
ultrapassar os 10%, se o governo brasileiro cumprir a
promessa feita em abril último de acrescentar 25
milhões de hectares às unidades de conservação do
bioma amazônico. O acréscimo, equivalente à área do
Estado de São Paulo, fará com que a quantidade de
parques e reservas da região seja triplicada.
Além do
levantamento de preservação por ecossistemas, o estudo
também permite conhecer quais os Estados mais avançados
na proteção ambiental e os que praticamente ignoram a
questão que, aliás, não são poucos. Doze deles
têm menos de 1% do território protegido. O pior é o
Mato Grosso do Sul, com apenas 0,002% da área. Na outra
ponta está Rondônia, que, depois de ter tido 23% de seu
território devastado nos últimos vinte anos, ganhou um
plano preservacionista que já lhe garante a proteção
de 11% de sua área.
J.E.

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