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As
festas para Stambowsky e Lygia, no Rio: sucesso certo |
| Foto: Paulo Jabur |
O jantar estava delicioso, o champanhe
geladinho, a decoração belíssima e todos os convidados
sacolejaram na pista de dança até altas horas da
madrugada. A festa acabou? Sim e não. Para que uma festa
badalada seja completa mesmo, falta uma coisa
fundamental: a repercussão do evento nas colunas
sociais. Uma foto num jornal ou revista dois ou três
dias depois é o máximo. Uma notinha elogiosa, melhor
ainda. Como não é qualquer um que aparece no universo
reduzido do colunismo social, uma nova tática vem-se
consolidando entre os anfitriões com muita sobra de
caixa e alguma carência de status: receber em casa um
artista ou algum nome conhecido na sociedade. Quem faz
muita questão de aparecer vai um passo adiante
organiza a festa inteira em torno do nome colunável.
Para os menos afoitos, basta arrebanhar os estrelados.
"Convido para as minhas festas as pessoas mais
animadas e famosas, que rendem uma notinha em jornal sem
dar o menor trabalho", assume a socialite carioca
Narcisa Tamborindeguy. A tranqüilidade de Narcisa é
compreensível. Suas recepções do barulho sempre
aparecem nas colunas. Tanto que ela já profissionalizou
a habilidade festiva, montando uma empresa especializada
em "promoções de eventos e badalações
culturais".
A prática de receber "em homenagem" a alguém é antiga. Com os novos adeptos que vem ganhando, fica difícil discernir se o anfitrião quer aparecer ou é mesmo um amigo devotado. Recentemente, a apresentadora de televisão Hebe Camargo ganhou uma suntuosa festa de aniversário de Labibi Alves da Silva, que conhece há 25 anos. Pelos salões da mansão no Morumbi, circulou um mix infalível de artistas, como Roberto Carlos e Wanderléa, políticos como Paulo Maluf e seu sucessor, Celso Pitta, e gente famosa por ser famosa, como a morena viúva Thereza Collor. Labibi e o marido, Edevaldo, empresário e secretário de Governo em São Paulo, estão acostumados a receber em grande estilo no seu impressionante casarão, repleto de obras de arte e tapetes que algum dia viveram livres na savana. Nunca, porém, uma festa do casal tinha repercutido tanto. "A pessoa famosa dá status à dona da casa", resume Helena Gondim, autora do catálogo Sociedade Brasileira, livro que, de dois em dois anos, pretende definir quem é quem na elite carioca. "Mas a anfitriã e a homenageada precisam ser muito íntimas", alerta.
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Narcisa: receita
para sair nos jornais "sem nenhum trabalho" |
Flashes e elogios A regra nem sempre é levada ao pé da letra. Nas últimas semanas, o casal Wilson e Tânia Pereira, do chamado ramo emergente da sociedade carioca, prestou duas "homenagens" a amigos muito pouco chegados, em seu apartamento na Avenida Vieira Souto, em Ipanema, ambas no feitio exato das colunas sociais. Na primeira, celebrou o aniversário da socialite Lygia Lowndes, que tem no seu rol de amizades Carmen Mayrink Veiga e Cecília Dornelles, mulher do deputado Francisco Dornelles. Graças a Lygia, que Tânia diz conhecer de "obras de caridade", sobrenomes normalmente inatingíveis bateram à porta dos Pereira, casal proveniente de Nilópolis, na Baixada Fluminense, com toda a carga de preconceito social que isso implica. Nos dias que se seguiram, pipocaram fotos e notinhas do evento nos jornais.
Fotógrafo, aliás, é tão importante nessas festas quanto champanhe e caviar. Um grupo de cerca de dez deles, no Rio, cobra cachê de até 500 reais por noite para clicar a badalação e depois emplacar a notícia no jornal. "Todos nós somos vaidosos. Claro que gostamos dos flashes e dos elogios", diz Ricardo Stambowsky, promotor de eventos do Rio e alvo de uma festa de 20.000 reais oferecida pela socialite aspirante Henriqueta Costa Gomes. Motivo da comemoração: as bodas de prata de Ricardo e sua mulher, Sueli. "A Henriqueta também queria inaugurar seu apartamento dúplex na Vieira Souto, que ela acabou de reformar", diz o homenageado. Atraídos por Stambowsky, compareceram nomes badalados da sociedade carioca, como Aparecida Marinho, Harry Stone, Regina Marcondes Ferraz e a onipresente Carmen Mayrink Veiga.
Música no banheiro "Eu e Henriqueta somos amigos, mas tem gente que oferece festa para os outros em busca de ascensão social mesmo", diz Stambowsky. Ninguém acha isso assim tão grave. "Na vida social, tudo é ligado a uma troca de interesses", analisa a promoter Ana Maria Tornaghi, que já homenageou amigos em sua casa e convidou famosos que nem sequer conhecia. "É assim que se conhecem as pessoas chiques e elegantes", apóia Narcisa Tamborindeguy. O casal Pereira está ficando craque. Sua segunda investida do ano teve por alvo a apresentadora Leda Nagle, que celebrou na casa deles os dois anos à frente do programa de tevê Sem Censura. Lá foram cumprimentá-la Victor Fasano, Beto Simas, Fernando Gabeira, Dias Gomes e a cantora Joanna. A festa rendeu uma nota venenosa no Jornal do Brasil, na coluna de Danuza Leão. Não pelo elenco de convidados, mas por causa de um dispositivo que, descobriu-se, existe no porta-papel higiênico do banheiro dos Pereira. Quando se puxa o papel, toca a musiquinha As Time Goes by, do filme Casablanca.
A arte de acontecer sem pagar a conta
Aparecer muito e ainda por cima não pagar nada por isso. Existe combinação melhor? Para aparecer, o empresário e playboy agora aposentado Chiquinho Scarpa, 46 anos, não economizou: convidou cerca de 3.000 pessoas para seu enlace com a ex-modelo Carola de Oliveira, 27 anos. Menos de 500 compareceram, mas o, digamos, evento impressionou. A badalação toda não custou nada aos noivos. Da despedida de solteiro à lua-de-mel, tudo foi bancado por um pool de amigos e conhecidos, num total calculado em quase 100.000 reais. "Foi tudo gentilmente cedido", repetia o noivo. A decoração da igreja, com tapete vermelho e 5.000 flores, valia no mínimo 10.000 reais. Na orquestra, com gongo chinês, os noivos economizaram mais 12.000. Igualmente, saíram na faixa os docinhos distribuídos ao fim da cerimônia e o Rolls-Royce em que a noiva chegou, produzidíssima, cachos em profusão e uma tiara (emprestada pela joalheria) avaliada em 1,4 milhão de reais. Os dois telões instalados do lado de fora foram despesa inútil, já que a igreja comportou os presentes, entre eles dezenas de jornalistas e fotógrafos que se empurravam atrás de poucos e cobiçados famosos: José Bonifácio de Oliveira Sobrinho (tio e padrinho da noiva), Roberta Miranda, Emílio Santiago, Luiza Brunet e os semi-sogros e desafetos de Xuxa, Gabriel e Beth Szafir. Depois, todos esticaram em um dos restaurantes mais caros de São Paulo. No dia seguinte, com o marketing em dia, foram cada um para sua casa. Chiquinho e Carola ainda não resolveram onde vão morar. |
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