Vacas em série

Cientistas clonam bezerros usando células de um feto

Pesquisadores americanos anunciaram os resultados de um experimento que aprimora em muito as técnicas de clonagem de animais. A partir de células já maduras encontradas num feto bovino com cinqüenta dias de gestação, eles conseguiram produzir seis bezerros geneticamente idênticos. As vantagens desse método em relação à clonagem da ovelha "Dolly", criada a partir das células de um animal adulto, em 1997, são várias. Em primeiro lugar, com o material genético usado, o fibroblasto (que dá origem às células da pele), é possível produzir vários clones, em vez de um só. "Optamos por células fetais porque elas são mais robustas e podemos fazer muito mais a partir delas", diz um dos cientistas responsáveis pela pesquisa e chefe do Instituto de Tecnologia Avançada de Células em Worcester, Massachusetts, Steve L. Stice. Outra vantagem é que as células do feto podem ser geneticamente modificadas. Dessa forma, é possível retirar determinada célula de um animal doador, manipulá-la para os fins desejados (como produzir carne de melhor qualidade ou leite similar ao humano) e depois copiá-la quantas vezes se quiser, sempre com as mesmas características.

Os resultados do estudo foram descritos num artigo para a revista Science. Apesar do otimismo no meio científico, não se pode dizer ainda que a experiência é um sucesso completo. É preciso primeiro aguardar para ver como os bezerros criados a partir da célula fetal crescerão. "Células de um feto podem gerar mais clones, o que é economicamente mais viável, mas os cientistas não podem prever como serão os bezerros clonados, ao contrário do que ocorreu com Dolly", diz a professora de genética Mayana Zatz, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. Só quando os bezerros de Massachusetts ficarem adultos, se terá certeza de que os cientistas estão mesmo mais perto de tornar a carne mais farta.




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