Japão

Veneno no ar

Seita apocalíptica tentou fazer muito pior

O feito mais tenebroso da seita Ensino da Verdade Suprema já pareceu suficientemente assustador. Em 1995, fanáticos seguidores do guru Shoko Asahara, que contava provocar uma guerra de proporções apocalípticas para apressar o fim do mundo, espalharam gás sarin no metrô de Tóquio, matando doze passageiros. Pior ainda foi o que tentaram, mas não conseguiram, fazer: exterminar milhões de pessoas pulverizando vírus na capital japonesa e numa base militar americana. Os atentados biológicos não foram detectados na época em que ocorreram e suas dimensões só ficaram conhecidas na semana passada, durante o julgamento do médico Ikuo Hayashi, condenado à prisão perpétua pelo envenenamento no metrô. O depoimento do réu dá contornos reais a uma ameaça que parece ter saído de uma obra de ficção científica: o uso de armas biológicas por terroristas ou malucos. Membros da seita foram a ilhas remotas do arquipélago japonês para caçar micróbios letais e chegaram a buscar na África exemplares do vírus ebola, que provoca uma doença contagiosa e sem cura conhecida.

A seita pulverizou micróbios e toxinas do alto de telhados e de caminhões em trânsito. Entre os alvos escolhidos estavam o Palácio Imperial japonês, o Parlamento e o complexo militar de Yokosuka, base da 7ª Frota da Marinha dos Estados Unidos. Não funcionou. Foi por causa do fracasso dos atentados que se optou por usar o gás sarin, cujo uso como arma química é bem conhecido. Ikuo Hayashi, que colaborou com a Justiça para se livrar da pena de morte, contou ter furado, com a ponta de um guarda-chuva, uma sacola plástica contendo gás venenoso num vagão do metrô. Ao mesmo tempo, mais quatro integrantes da seita repetiram o atentado em outros carros da mesma linha.




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