Ecológico

A chance de evitar o pior

No ritmo atual, o que sobrou de
Mata Atlântica fora das reservas será
eliminado em cinqüenta anos

João Paulo Capobianco

Na região metropolitana de São Paulo, vários bairros são submetidos a rodízio de água durante todo o ano, apesar de a cidade estar em uma região com grande oferta hídrica. Somente na bacia de Guarapiranga, da qual dependem mais de 3 milhões de paulistanos, foram eliminados 15% da mata protetora de nascentes, córregos e rios. Esse é apenas um exemplo de como a destruição da Mata Atlântica, uma das maiores tragédias ecológicas do país, afeta a vida dos 70% da população brasileira que habitam a área original desse ecossistema. Além de regular o fluxo dos mananciais hídricos, a Mata Atlântica é essencial para a fertilidade do solo, o controle do clima e a estabilidade de escarpas e encostas. Serve também para proteger a maior biodiversidade de árvores do planeta. O assassinato da floresta induz ao suicídio da vida que dela depende.

A Fundação SOS Mata Atlântica, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Inpe, e o Instituto Socioambiental, acaba de apresentar os números de seu último estudo sobre a situação da Mata Atlântica. Os dados são impressionantes: meio milhão de hectares de florestas destruído em nove Estados, entre os anos de 1990 e 1995, a uma velocidade de um campo de futebol devastado a cada quatro minutos.

O líder absoluto desse campeonato macabro foi o Estado do Rio de Janeiro, com 140.000 hectares desmatados, uma perda de 13% da cobertura florestal que tinha em 1990. Nos Estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Espírito Santo, o quadro também se agravou. Apenas Paraná e Santa Catarina reduziram o ritmo. Somando os novos números aos do estudo referente ao período 1985-1990, chegamos à cifra de 11% da Mata Atlântica destruída nos últimos dez anos. Mantida essa situação, eliminaremos completamente o que sobrou dela fora das áreas de preservação nos próximos cinqüenta anos.

É bom lembrar que esses desmatamentos não estão ocorrendo em regiões distantes e de difícil acesso. Derrubam-se enormes áreas de Mata Atlântica impunemente a poucos quilômetros das cidades, onde há telefone e se chega por estradas asfaltadas. Os fiscais, se quisessem, poderiam atuar em boa parte dos casos sem sequer sujar os sapatos.

Em geral, o desmatamento decorre da especulação imobiliária, da expansão da agricultura, pastagens e assentamentos para reforma agrária. Num sobrevôo na região serrana do Rio de Janeiro, onde foi registrada a pior devastação, constatamos que grandes áreas de floresta foram substituídas por pastagens de baixíssima produtividade, pois o relevo acidentado não é adequado para esse tipo de atividade. Mata perdida para nada.

A urgente reversão desse quadro depende de um conjunto de ações. Maior fiscalização, embora fundamental, não será suficiente. É necessário estabelecer uma política ampla que contemple não apenas a punição para quem degrada, mas, principalmente, o estímulo para quem preserva. Parte da solução do problema está nas mãos dos deputados, que analisam um projeto de lei específico para a Mata Atlântica desde 1992. Nestes longos seis anos de tramitação pelos corredores da Câmara Federal perdemos 600.000 hectares de florestas. Esperamos que esses números estimulem nossos legisladores a apressar seu trabalho.

João Paulo Capobianco é biólogo e
secretário executivo do Instituto Socioambiental

Quatro das maiores indústrias têxteis do país estão financiando uma pesquisa para reduzir os poluentes lançados por elas mesmas nas águas dos rios. Em Santa Catarina, o projeto reduziu em 99% esses poluentes porque reaproveita parte da goma usada para fixar corantes nos tecidos.

Parte dos peixes de Rio Branco, capital do Acre, está contaminada de mercúrio, segundo pesquisa do Instituto Evandro Chagas. Num levantamento inicial feito com 400 amostras de peixes pescados nos rios da cidade foram encontrados 20% com níveis de mercúrio acima do normal.

A Operação Macauã de combate ao desmatamento na Amazônia começou em maio sem uma arma poderosa. A nova Lei de Crimes Ambientais ainda não foi regulamentada, e por isso as multas não chegam a 5000 reais. Na nova lei, a punição pode chegar a 50 milhões de reais.

O Ibama baixou uma portaria na semana passada autorizando até setembro a caça de oito espécies animais no Rio Grande do Sul. Duas delas são de pássaros prejudiciais ao cultivo de grãos no Estado. A medida atendeu a pedido das associações de caçadores gaúchos e só poderão participar pessoas cadastradas.




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