"Não basta mostrar ao jovem que a droga mata. Deve-se pressupor que ele não aprendeu a importância e o valor da vida."
Chaja Freida Finkelsztain
Rio de Janeiro, RJ

Drogas

VEJA mais uma vez causou impacto, ao mostrar jovens que tiveram sua vida arrancada devido a esse verdadeiro flagelo que são as drogas. A reportagem mostra, de forma clara, o quanto é triste a vida daquele que entra nesse mundo, nessa rua sem saída, em que os únicos beneficiados são os grandes traficantes. VEJA nos mostrou, também, que não só o viciado é vítima. Toda a família sofre com esse mal, que parece crescer a cada dia ("Passageiros da agonia", 27 de maio).
Sandra Andrade Costa Nogueira
Barretos, SP

Uma das armas mais poderosas no combate às drogas é a informação. Na última reportagem de capa de VEJA, feita de maneira inteligente e elucidativa, o leitor teve a possibilidade não só de tomar conhecimento de vários casos em que jovens perderam a vida, vítimas das drogas, mas também de se informar a respeito dos sinais e possíveis caminhos de cura. Parabéns pela reportagem e pela contribuição à sociedade como um todo.
Luiz Cláudio Mariano de Carvalho
Foz do Iguaçu, PR
luizclaudio@fnn.net

Ao ver a fotografia de Mariana na revista VEJA desta semana, senti um aperto no peito. Eu vi Mariana pela primeira vez num desfile de modas, quando figuramos na qualidade de modelos especiais. Outra vez, emprestei-lhe tinta rosa, com a qual fez uma mecha em seu belíssimo cabelo longo. Na véspera de sua morte, por duas vezes ela me perguntou se sua maquiagem estava bem. Se seus olhos não estavam caídos. Ela estava, sim, literalmente deslumbrante, não só de rosto, também de cabelo e de corpo. Imaginá-la morta na manhã seguinte é difícil até hoje. É pungente a reportagem de VEJA sobre as drogas. Ninguém se atreve a prever saídas fáceis para situações tão dramáticas. Há, provavelmente, complexidades do ser humano que nós ainda não estamos sabendo tratar. Uma delas, central, é de que "somos geneticamente sociais", cada um de nós habitado por "outro", um sócio, no dizer de Wallon, com o qual precisamos saber conviver e brigar.
Esther Pillar Grossi
Porto Alegre, RS

O problema das drogas não é algo que deva ser encarado apenas dentro de casa. É um problema que precisa ser tratado desde o 1º grau até o ambiente de trabalho. Hoje em dia, o jovem se envergonha de dizer o que pensa a um colega que é usuário.
Rodrigo Travassos Stipp
São Paulo, SP

Como ex-usuário de drogas, vivi experiências fantásticas e deprimentes. Vinte anos passados, continuo participando ativamente do trabalho de esclarecimento dos jovens com o intuito de passar-lhes uma visão imparcial de tão complexa questão. Editei por conta própria, em novembro de 1997, o livro intitulado À Beira do Abismo, em que abri sem restrições minha vida e meu coração para que pudessem servir de exemplo àqueles que ainda não conhecem bem esse universo tão atraente e devastador. Busco divulgar o livro em outros Estados brasileiros, visto que minha atuação se tem restringido à cidade de Salvador, onde já ministrei centenas de palestras em associações, órgãos públicos e escolas.
Carlos Herculano de Souza Oliveira
Salvador, BA
herculan@icap.com.br

Muitas vezes o dependente vem de uma família de classe média ou pobre. A reportagem deixou de mencionar entidades como a Narcóticos Anônimos, o Amor Exigente, com sede em Campinas, Jovens Livres e Nata, em Goiânia, além de muitas outras espalhadas pelo Brasil e ligadas ao Conselho Nacional de Entorpecentes, que têm representação em muitos Estados.
Lúcia Crispim
Goiânia, GO

Foi um grupo de apoio a familiares de dependentes, o Amor Exigente, que nos levou a agir e a conseguir resgatar meu afilhado, que tendo abandonado a casa de seus pais estava na rua, completamente entregue às drogas. O rapaz ficou internado por nove meses, com custo de apenas 250 reais por mês. Teria sido de grande ajuda a todos os interessados enfatizar a eficácia dos grupos de apoio a familiares de dependentes e incluir as Comunidades Terapêuticas no quadro dos "Caminhos da Cura". Há um ano e meio, meu afilhado completou seu tratamento e hoje está levando uma vida saudável e produtiva.
Lucia Machado Ferla
São Paulo, SP

Benedito Onofre Bezerra Leonel

Muito boa a entrevista. Bom ouvir o general. A união do povo brasileiro, da família do soldado que é "bugre" puro, que é negro ou branco, em torno do projeto pátria exige que façamos concessões. De ambos os lados há coisas lamentáveis, infelizmente. Mas num ponto, de minha parte, empenho a minha vida: a questão Brasil. E é bom saber que há consenso nesta questão. Gostei de ouvi-lo e de ver sua foto, general (Amarelas, 27 de maio).
Ailton Benedito de Sousa
Rio de Janeiro, RJ

O general Benedito Leonel, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, diz que o reconhecimento da responsabilidade do Estado na morte de Lamarca, pela comissão especial que presido, "machucou". O general tem todo o direito de se contrapor frontalmente aos critérios da comissão. Poderia até mesmo ter considerado que alguns membros da comissão fossem neo-subversivos. Não pode, contudo, extrapolar e ofender, como o fez afirmando que a comissão é um "balcão de negócios". Essa assertiva machucou, o que não me autoriza a chamá-lo de desonesto. Não, o general não é desonesto.
Miguel Reale Júnior
São Paulo, SP

Manifestações

Concordo com o PT quando seus dirigentes dizem que o presidente FHC se omite quando se trata de desemprego no Brasil. Acho que FHC fez pelo Brasil o que muitos que passaram por lá não fizeram. O seu provável segundo mandato seria para dar continuidade ao Plano Real e às reformas. Mas, depois de ouvir o pronunciamento de Leonel Brizola na TV, fiquei pensando: não seria melhor para o país se o candidato do PT ganhasse as eleições? Os leitores de VEJA não têm a curiosidade de saber o que o PT poderia fazer pelo país? Qual seria o plano de governo do PT? Se é que já tem um. Como o PT colocaria em ordem as contas da Previdência Social? Ou será que vão pensar nisso depois das eleições? Como o PT encaminharia a reforma agrária? Será que teria algum atrito com o MST? Será que o PT defenderia também essa "soberania nacional" que defende tanto o senhor João Pedro Stedile, líder do MST? Será que só com soberania nacional se alimentam milhares de famílias famintas no Brasil? Se o PT tivesse soluções, não seria mais fácil apresentá-las ao povo brasileiro? ("O PT perdeu o controle", 27 de maio).
Sergio Rubens Armelin
Maringá, PR

Justiça

A nomeação de parente de ministro para a assessoria deste, ou para o gabinete de outro ministro, não é permitida por lei. Todavia, entendo que em se tratando de servidor concursado, profissional do serviço público, poderá ele ocupar cargo de confiança. É o caso da minha filha citada na reportagem "Laços de sangue" (27 de maio). Assim, no meu entender, ela não estaria sujeita à vedação legal. Quanto ao meu voto no Supremo sobre a Adin 1521, considerei que a exoneração de todos os parentes de ocupantes de cargos de direção no Executivo, Legislativo e Judiciário no Estado do Rio Grande do Sul foi um excesso do legislador. Imagine um servidor efetivo, ocupando um cargo em comissão no serviço de saúde e tendo de ser exonerado porque um tio seu, por exemplo, passou a ser secretário da Justiça. Minha posição não foi majoritária no Supremo, mas considero essa emenda um despropósito. É inteiramente gratuita a insinuação de que votei assim em detrimento de princípios que impedem a prática do nepotismo. Sempre o combati.
Carlos Velloso
Ministro
Brasília, DF

A reportagem dá a entender que eu teria cometido ato irregular ao manter minha mulher como assessora, depois de sua aposentadoria. O ato apontado como irregular é constitucional, legal e moral. Constitucional porque a sua investidura no serviço público, no qual alcançou o final de carreira, ocorreu mediante concurso, em caráter efetivo. Legal porquanto o seu exercício no meu gabinete se apoiou no artigo 245 da Lei nº 1711, de 1952, vigente até data recente, nestes termos: "É vedado ao funcionário servir sob direção imediata do cônjuge ou parente até o segundo grau, salvo em função de confiança ou livre escolha, não podendo exceder de dois o seu número". Moral, pois minha mulher já era, havia muitos anos, funcionária efetiva quando com ela me casei. Esclareça-se que sua manutenção no cargo de confiança deu-se muito antes da Lei nº 9421, de 1996. VEJA equivocou-se quando disse que a reforma da Previdência tornará sua situação mais irregular, porquanto "proíbe o acúmulo de aposentadoria pública com outro salário público". No caso, trata-se de acumulação de proventos de aposentadoria pública com vencimentos de cargo em comissão. Isso era permitido pelas Constituições anteriores e continua a sê-lo pela vigente, inclusive após a reforma previdenciária.
Antônio de Pádua Ribeiro
Ministro e presidente do STJ
Brasília, DF

Contexto

Vi com surpresa na página 34 da última edição sob o título "O preço da doença" (Contexto, 27 de maio), o custo de uma vacina para hepatite B: 1,50 real. O espanto veio porque, após ter tomado três doses dessa vacina em clínicas particulares, e graças ao desconto que dá a Unimed, o preço de cada dose era de aproximadamente 20 reais. A pergunta é óbvia: qual é a justificativa para tamanha discrepância?
Gustavo O. Bonilla Rodriguez
São José do Rio Preto, SP

Notas internacionais

Na seção Notas internacionais (27 de maio), "Mãos cortadas na terra dos diamantes", achei de profundo mau gosto a exposição dos braços cortados. É verdade que eu não vivo em um mundo perfeito, mas não é mostrando violência que vamos consertá-lo.
João Augusto Guimarães Drumond
Montes Claros, MG

Como uma das principais revistas do primeiro país lusófono do mundo pode escrever sem pestanejar que o português seria falado por 165 milhões de pessoas, quando somente no Brasil conta com aproximadamente 160 milhões de habitantes, Portugal com 10 milhões em seu território e aproximadamente 4 milhões no exterior, Moçambique, 18,5 milhões, Angola, 11,5 milhões, Guiné-Bissau e Ilhas de Cabo Verde, 2 milhões ("As dez línguas mais faladas", 20 de maio)?
Patrick Chardenet
Adido lingüístico
Consulado Geral da França
São Paulo, SP

Rejuvenescimento

Na reportagem "Retoque sem faca" (20 de maio), sou citada como uma das beneficiárias do tratamento ali descrito. Embora nunca tenha feito nenhum tipo de intervenção para rejuvenescimento facial, fico feliz em saber do progresso da medicina nesse campo.
Roseana Sarney
Governadora do Maranhão
São Luís, MA

Radar

Com relação à nota da coluna Radar ("Palmares contra o emprego", 20 de maio), o governo federal, dentro da competência de cada um dos órgãos envolvidos, vem envidando todos os esforços para a condução da questão através dos dirigentes da Fundação Cultural Palmares e Cemig para adequar as ações de competência da União, de forma que não haja nenhum prejuízo à comunidade envolvida, sendo, portanto, infundadas tais divulgações.
Elizabeth Bastos Gomes da Silva
Fundação Cultural Palmares
Brasília, DF

Prêmio Sharp

O Prêmio Sharp foi criado pela iniciativa privada para render um tributo, não para se socorrer das benesses da Lei Rouanet, como insinua o texto ("Glória vã", 20 de maio), lei essa assinada em 1991, quando o Prêmio Sharp já vivia havia cinco anos por suas próprias pernas, lançara raízes, sedimentara sua história. Ainda assim, se a lei existe, que estranha acusação é a de usá-la?
Sérgio A. Machiline
Grupo Sharp S.A.
Zuza Homem de Mello
Prêmio Sharp de Música
São Paulo, SP

Carta ao leitor

Pertinente e oportuno o editorial "Publicidade e imprensa livre" (Carta ao Leitor, 27 de maio). Revistas que alegam ter menos anúncios "para não incomodar o leitor", assim como rádios que exaltam horários "sem intervalos comerciais", estão no fundo demonstrando incompetência para atrair anunciantes.
Carlos Eduardo Favaron Malluta
São Paulo, SP


CORREÇÕES: A Itauprev comunica que, ao contrário do que informou a VEJA, o patrimônio de seu fundo é de 192 milhões de reais, e não 24,8 milhões ("De olho no futuro", 27 de maio). A Prever informa que o patrimônio de seu fundo de previdência privada é de 626 milhões de reais, e não 24,7 milhões, como publicado na tabela. O repasse do lucro excedente varia de 50% a 80%. A rentabilidade do fundo administrado pela Porto Seguro foi de 27% em 1996 e 24% em 1997, e não 16% e 14%. Por um erro da redação, na reportagem de capa "Passageiros da agonia" (27 de maio), em lugar da foto de Marcos Dallal foi publicada a foto do seu irmão, Mauro. VEJA pede desculpas pelo erro e pelos problemas que possa ter causado à família Dallal.


As cartas da semana passada

Leitores que escreveram 942
Via Internet 603
Via correio e fax 339

Reportagens mais comentadas

Drogas (capa) 163
Entrevista com Benedito Leonel 20
Manifestação em Brasília 19
Carta ao leitor 14
Notas Internacionais 11


Sou médico e trabalho no ambulatório de tuberculose e Aids de Angra dos Reis, Estado do Rio, e há tempos minha angústia aumenta com o descaso dos governos federal e estadual no controle da tuberculose. Há quatro meses não recebemos uma medicação fundamental no tratamento da tuberculose, o etambutol, em falta no país. Agora, em maio, também não recebemos o repasse estadual de outras drogas importantes no tratamento da doença. Segundo dados da OMS, há cerca de 3 milhões de óbitos por ano causados pela tuberculose. No Brasil, são notificados cerca de 150000 casos da doença por ano. Também segundo fontes da OMS, nosso país é um dos poucos a negligenciar as metas de controle da doença. É lamentável o ponto a que chegamos em relação ao controle de endemias. Com a saúde gastamos ínfimos 140 dólares por habitante ao ano, valor não visto mesmo em países mais atrasados que o nosso. É por isso que meus pacientes morrerão de tuberculose, por faltar-lhes uma medicação que custa 3 centavos de dólar por dia.
Flávio Imbuzeiro Barroso
Angra dos Reis, RJ


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