Mais um susto nas bolsas

Bolsa de Valores
de São Paulo: oscilação
Foto: Antonio Milena  

Já machucados pela crise financeira dos países asiáticos, os investidores tomaram um novo susto na semana passada. Desta vez, o motivo foi a Rússia. Com a economia desorganizada, o país não tem como pagar os seus compromissos externos sem ajuda da comunidade financeira internacional. Suas reservas estão chegando ao fim. Para impedir uma fuga maciça de capitais, em duas semanas o governo russo foi obrigado a elevar sua taxa de juros de 30% para 150% ao ano. Os investidores reagiram retirando seu dinheiro dos chamados países emergentes para protegê-lo em aplicações mais seguras. O resultado foi a queda generalizada no preço das ações no mundo inteiro. Cada vez mais integradas e sensíveis aos movimentos do mercado internacional, as bolsas brasileiras também caíram, e bastante.

É preciso não confundir o sobe-desce dos pregões com os movimentos de longo curso na economia. Em parte, esse movimento de gangorra tem um fundo real, como se viu na Rússia. Em parte, é provocado apenas por nervosismo. É o caso do Brasil, cuja economia está em situação muito melhor do que faz crer o nervosismo das bolsas. Suas reservas internacionais estão acima de 70 bilhões de dólares, o investimento externo direto foi de 3,5 bilhões de dólares no primeiro trimestre e a privatização do sistema Telebrás está próxima, com perspectiva de ganho da ordem de 21 bilhões de reais.

Muitos ajustes ainda precisam ser feitos, mas eles vão acontecendo aos poucos. Com as dificuldades previsíveis num processo dessa natureza, as reformas estão sendo aprovadas no Congresso. No que toca às empresas privadas, muita coisa está mudando. Um bom exemplo é a decisão da família Ermírio de Moraes de abrir o capital do Grupo Votorantim, um ícone no universo das empresas familiares no país. Maior grupo privado do Brasil, a Votorantim captará dinheiro nas bolsas para investimentos em energia e petróleo. Tudo isso mostra como a economia está se reorganizando para enfrentar os desafios impostos pela globalização. É um sinal de que, apesar das bolsas, o país tem bons motivos para merecer confiança.




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