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Edição 2115

3 de junho de 2009
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Economia
O CRÉDITO VOLTA À CENA

Sinais de melhora na economia e a convicção de que a
inadimplência deverá recuar levam os maiores bancos
do país a baixar juros e ampliar limites de empréstimos


Benedito Sverberi

Fernando Bizerra Jr/BG Press
O BB CEDEU
Na semana passada, o banco reduziu as taxas de nove linhas de crédito


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Quadro: Crédito facilitado

As maiores instituições financeiras do país anunciaram na semana passada mudanças que, pela combinação de juros menores e prazos mais longos para pagamento, facilitam o acesso dos brasileiros aos empréstimos. O Banco do Brasil foi o mais agressivo no relaxamento das condições de crédito, estendendo seu "pacote de bondades" a nove tipos de financiamento. Além disso, aumentou o limite de crédito de 10 milhões de correntistas (um terço de sua base de clientes pessoas físicas), que agora têm 13 bilhões de reais a mais disponíveis para financiar suas compras. "Selecionamos clientes que têm bom relacionamento com o banco e com maior propensão a consumir", explica o vice-presidente de crédito, controladoria e risco global do BB, Ricardo Flores.

Ao que tudo indica, o Banco do Brasil cedeu às pressões por redução de juros vindas de seu acionista majoritário, o governo federal. O desejo do governo de ver os juros cair mais rapidamente para ajudar no crescimento da economia é legítimo. Contudo, quando se cogita o eventual uso dos bancos públicos para atingir esse objetivo, o temor é que haja repetição de algo que se viu no passado. Descuidos no controle de risco dos empréstimos, devido a ingerências políticas, já impuseram pesados prejuízos ao BB e à Caixa Econômica Federal, que tiveram de ser socorridos pelo Tesouro. A última vez que isso ocorreu foi em 2001, quando foi instalado o Programa de Fortalecimento das Instituições Financeiras (Proef), com custo de 12 bilhões de reais aos cofres públicos. Felizmente, a gestão desses bancos melhorou nos últimos anos, com a criação de mecanismos internos que procuram protegê-los das interferências políticas. Para o secretário extraordinário de reformas econômico-fiscais do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, a atual política do BB é feita sob boas práticas bancárias. "O que se vê é somente uma postura mais agressiva para ganhar participação no mercado", declarou. O ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola reconhece os avanços de gestão, mas adota uma certa cautela. "Recentemente, o governo trocou a direção do Banco do Brasil para forçar a queda dos juros. Isso é um sinal ruim", diz.

As preocupações com a ingerência política só se reduzem neste momento porque as condições econômicas são favoráveis. De maneira geral, os bancos já não vislumbram um futuro tão tenebroso – e essa é a explicação para o atual barateamento do custo dos empréstimos. Existe hoje um conhecimento mais preciso da extensão da crise global. Além disso, a economia brasileira tem emitido sinais positivos. O BC revelou, na última quarta-feira, que as concessões de empréstimo para pessoa física se aceleraram em abril, com alta de 1,1% sobre março. Além disso, confirmou-se o declínio da inadimplência, com recuo de 8,4% para 8,2% nos atrasos acima de noventa dias. "Quando os bancos alongam os prazos de financiamento, é porque já existe a certeza de que a inadimplência ‘bateu no teto’ e que, daqui para a frente, tende a cair", diz o vice-presidente do Bradesco, Norberto Barbedo. Ainda não foi desta vez que as empresas se viram contempladas com facilidades na contratação de empréstimos. E a cautela dos bancos está em linha com os números do BC. As pessoas jurídicas ainda contam os prejuízos da parada por que passaram no fim de 2008, e seu índice de inadimplência subiu de 2,6% para 2,9% entre março e abril.

Por trás de toda essa discussão está a necessidade de o Brasil reduzir o spread bancário – a diferença entre o custo de captação dos bancos e os valores cobrados do cidadão na boca do caixa. Trata-se de um problema estrutural que tem de ser atacado em diversas frentes. A boa notícia é que os spreads já estão em declínio. Os últimos dados do BC revelaram que o spread médio dos empréstimos para pessoa física recobrou o nível de antes da crise, em setembro de 2008. Com os juros em queda, os bancos têm de compensar sua perda de receita com o aumento do volume de empréstimos. A saída é partir para a competição. Nesse contexto, a atuação do BB pode ser aplaudida. Somente se espera que não haja exagero na dose.



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