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3 de junho de 2009
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Brasil
A força de Alencar

Ao submeter-se a um tratamento experimental
contra o câncer, o vice-presidente dá outra
demonstração admirável do seu espírito de luta


Adriana Dias Lopes

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Na sexta-feira da semana passada, o vice-presidente da República, José Alencar, deu início na cidade americana de Houston a mais um capítulo na história de sua heroica luta contra o câncer – um sarcoma localizado no abdômen e descoberto pela primeira vez em 2006. É a sexta tentativa de destruir o tumor. Como já foram esgotados todos os recursos disponíveis para combater a doença, foi sugerido a ele que se submetesse a um tratamento experimental. Alencar concordou, tornando-se, dessa forma, um dos cerca de trinta voluntários dos estudos clínicos com um remédio de ação inédita, cujo nome provisório é R7112. Os testes são conduzidos por uma equipe do hospital MD Anderson, centro de excelência em pesquisas oncológicas. Pertencente à classe dos medicamentos de terapia-alvo e administrado por via oral, o R7112 tem um mecanismo de ação inédito: ele regula o funcionamento de uma proteína envolvida no processo de multiplicação celular e cujo defeito está presente em metade de todos os casos de câncer (veja o quadro abaixo). "Nós estamos nos oferecendo para participar do programa de testes. Essa nossa participação, ainda que possa redundar em benefícios para todos, é de meu interesse, porque, afinal de contas, isso pode ser realmente a minha cura", disse Alencar.

A sugestão do tratamento partiu do oncologista Paulo Hoff, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, que durante onze anos trabalhou no MD Anderson. Para participar dos testes com o novo remédio, o vice-presidente passou por uma batelada de exames durante dois dias. Ele só seria aceito se apresentasse um quadro clínico estável – ou seja, se suas funções vitais estivessem sob controle, apesar do câncer agressivo em estágio avançado. É impossível determinar como Alencar reagirá, mas a princípio ele deve retornar aos Estados Unidos a cada 28 dias, a fim de tomar a medicação.

A recidiva do sarcoma foi identificada em 12 de maio, durante exames de controle. Uma ressonância magnética identificou a presença de dezoito nódulos na porção inferior do abdômen, com medidas entre 0,5 centímetro e 2 centímetros. Menos de quatro meses antes, Alencar fora submetido a uma cirurgia para a remoção de quinze nódulos – um procedimento de altíssimo risco, que demorou quase dezoito horas. Apesar da má notícia, o vice-presidente não se abateu. Pouco antes de embarcar para Houston, ele disse: "Sou da roça e estou acostumado a montar em cavalo bravo".

Foto: Vivi Zanatta/AE



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