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Doutor No dá adeus
Ex-presidente da Coreia
do Sul se suicidou porque
era caso raro: não aguentou as acusações
de corrupção

Vilma Gryzinski
Lee Jin-man/AP
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Na manhã de sábado 23, Roh Moo-hyun escreveu
uma mensagem de despedida no computador, fingiu que ia dar
seu passeio habitual pelo campo, pediu um cigarro ao segurança
e pulou numa ribanceira de mais de 30 metros. A morte fez
muito bem à reputação de Roh (pronuncia-se
No). Advogado autodidata que reconheceu transações
ilegítimas enquanto foi presidente da Coreia do Sul,
de 2003 até o ano passado, ele recebeu incontáveis
e comovidas homenagens. Em outros países, cidadãos
com mais distanciamento emocional tiveram visões dos
seus próprios corruptos e, corações endurecidos,
simbolicamente incitaram: pula, pula. Sem chance. Roh parece
ter sido um caso raro de político que, além
de problemas de saúde, tinha vergonha. "Muita
gente sofreu por minha causa", escreveu na mensagem de
despedida. "O resto da minha vida será um peso.
Não posso mais ler nem escrever." Político
de esquerda nascido em família de agricultores, Roh
foi peão de obra e levou para o além o ressentimento
em relação aos que cursaram universidade (calma
lá: estudou por conta própria e passou no equivalente
ao exame da Ordem dos Advogados sem ter feito faculdade de
direito). Fora da Presidência, voltou para a aldeia
natal, mas não teve paz. Ônibus lotados traziam,
aos milhares, turistas que iam ver o aposentado ilustre no
lugarejo de apenas 120 habitantes. Também enfrentou
o rito de passagem dos ex-presidentes sul-coreanos: investigações
inclementes. Acabou admitindo que sua família recebeu
6 milhões de dólares de um fabricante de tênis.
Mas disse que não sabia. Toda desculpa do gênero
será relevada se o envolvido, depois, pular da ribanceira.