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Edição 2115

3 de junho de 2009
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Carta ao Leitor
Leões vegetarianos

ESQUERDA EFICIENTE
Cabral com o presidente Funes e Vanda, sua mulher, brasileira e petista

Oficialmente não consta da pauta brasileira de exportações de serviços o que, de certa ótica, talvez seja seu mais valioso item, a consultoria de moderação política e eficiência econômica dada a governos de esquerda da América Latina. Por canais que passam ao largo da diplomacia tradicional, o Brasil vem conseguindo influenciar pontual mas positivamente os governos do Paraguai, Bolívia, Equador e, com taxa menor de sucesso, os da Argentina e Venezuela. Mas está em El Salvador, na América Central, o exemplo mais completo dessa transferência de tecnologia de criação de "leões vegetarianos", apelido carinhoso dado a governantes de esquerda com adesão aos princípios democráticos e às políticas econômicas responsáveis. Os salvadorenhos ainda exibem as cicatrizes de um passado recente devastado pela intolerância política que mergulhou o país em uma sangrenta e duradoura guerra civil. Seu presente e seu futuro, porém, são animadores. Muito disso se deve à ajuda, digamos técnica, do PT e à decisão do presidente salvadorenho, Mauricio Funes, de adotar Lula como modelo.

VEJA mandou a El Salvador o jornalista Otávio Cabral, da sucursal de Brasília, com a missão de apurar as reais dimensões dessa inédita colaboração entre os dois países. Cabral voltou impressionado com a similaridade entre os processos de viabilização política de Lula no Brasil e de Funes em El Salvador: "Candidato pela Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional, até duas décadas atrás um violento movimento guerrilheiro, Funes foi pragmático. Ele só venceu a eleição porque conseguiu atrair parte do eleitorado conservador que temia um regime de esquerda radical. Lula e o PT foram sua inspiração".

Na reportagem que começa na página 66, o enviado de VEJA conta que os petistas do Brasil aconselharam Funes a escrever uma Carta ao Povo Salvadorenho nos mesmos moldes da Carta ao Povo Brasileiro, garantindo que não haveria rupturas econômicas. Eleito em uma disputa apertada, Funes indicou para comandar o Banco Central um economista respeitado nos grandes centros financeiros e contratou técnicos ligados à oposição. Ajudou muito no processo, é claro, o fato de Funes ser casado com a advogada brasileira Vanda Pignato, uma petista militante. Mas, com Fidel Castro e Hugo Chávez tão perto, é uma sorte para os salvadorenhos e para o continente que seu presidente esquerdista tenha se espelhado em Lula.



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