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Tecnologia
Um robô em cada casa
Esse é o plano da Coréia do Sul
até 2020. Cada máquina vai
custar no máximo 2 000 dólares

Rafael Corrêa
Divulgação
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| O robô Nettoro, com aspirador: instruções
pela internet |
A literatura e o cinema de ficção científica
sempre imaginam o mundo repleto de robôs. Na Coréia
do Sul, essa fantasia pode se materializar em pouco tempo. O governo
do país asiático está empenhado em criar as
condições econômicas e tecnológicas para
que, até 2020, os 15,5 milhões de famílias
sul-coreanas adquiram um robô doméstico. As máquinas
serão capazes de ajudar os humanos em tarefas tão
variadas como vigiar a casa e contar histórias para as crianças
(veja o quadro).
Para promover a invasão dos robôs, mais de 1.000 cientistas
e trinta empresas de tecnologia sul-coreanas trabalham atualmente
no projeto Ubiquitous Robotic Companion (Robô Companheiro
Onipresente). A previsão é colocar as primeiras unidades
nas lojas até o fim do ano que vem. Os robôs custarão
entre 1.000 e 2.000 dólares, preços bastante acessíveis
para a classe média sul-coreana. O plano de colocar um robô
em cada casa faz parte da estratégia de consolidar a Coréia
do Sul como país produtor de tecnologia de ponta. Como o
setor de robôs industriais e militares é dominado por
Estados Unidos, Japão e Alemanha, o governo sul-coreano decidiu
concentrar a maior parte de suas pesquisas de robótica na
área de serviços. A aposta é que, num futuro
próximo, os robôs se transformem em eletrodomésticos
tão corriqueiros quanto os televisores ou o computador.
O projeto dos robôs sul-coreanos
começou em 2001, quando foram organizados consórcios
entre empresas de tecnologia e universidades, alimentados com verbas
e incentivos governamentais. Em 2004, o governo criou o projeto
Ubiquitous Robotic Companion e estabeleceu as diretrizes para o
desenvolvimento dos primeiros protótipos. Os consórcios
apresentaram cinco modelos de robôs de serviço, Jupiter,
Nettoro, Roboid, uPostMate e PGR. Em outubro do ano passado, 64
famílias receberam os protótipos de robôs em
suas casas para um programa piloto, que durou até dezembro.
Ao mesmo tempo, os robôs de serviço foram colocados
em teste numa agência dos correios em Seul, encarregados de
fornecer orientações e informações ao
público. No fim deste ano, haverá um novo teste. Desta
vez, serão instalados robôs em 600 lares.
Divulgação
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| Jupiter: serve para divertir as crianças
e para proteger a casa |
O segredo do baixo preço dos robôs sul-coreanos é
o modo como eles funcionam. Os protótipos convencionais de
robôs têm dentro de si computadores sofisticados
e muito caros que os orientam em todas as suas funções.
Em vez de desenvolverem robôs completamente autônomos,
os pesquisadores sul-coreanos optaram por utilizar a internet como
uma espécie de processador complementar das máquinas.
Quando precisa executar uma tarefa, o robô requisita informações
para uma central de servidores, via web. Essa central analisa as
informações e manda as instruções de
volta para o robô. Dessa maneira, a máquina pode cantar
músicas infantis ou ler livros sem a necessidade de ter esse
conteúdo gravado na memória. O robô pode também
buscar informações, como notícias, previsão
do tempo e e-mails, diretamente da rede mundial ou atualizar seus
programas automaticamente. "Na essência, nossos robôs
só possuem as partes mecânicas necessárias para
agir, enquanto a maior parte do software vem da internet. É
por isso que eles são baratos", disse a VEJA Sang-rok Oh,
analista do Ministério da Comunicação e Informação
e coordenador do projeto Ubiquitous Robotic Companion.
O modelo de funcionamento dos
robôs sul-coreanos só é possível porque
72% dos lares da Coréia do Sul já têm internet
com banda larga, porcentual superior ao do Japão e ao dos
Estados Unidos. O governo quer levar a banda larga a todas as casas
do país até 2010, quando se espera que mais de 3 milhões
de robôs já tenham sido vendidos. No que depender da
população, acostumada a adotar rapidamente novas tecnologias,
os fabricantes de robôs não terão problemas.
Uma pesquisa realizada em 2005 apontou que 78% dos coreanos gostariam
de ter um companheiro robótico em casa. Até 2013,
a Coréia do Sul pretende que a indústria de robôs
tenha crescido o suficiente para movimentar 30 bilhões de
dólares no mercado interno, gerando mais de 100.000 empregos.
Os planos do governo vão além do mercado local. A
Coréia do Sul trabalha com a meta de exportar 20 bilhões
de dólares em robôs por ano, tornando-se o terceiro
maior produtor dessas máquinas, atrás de Estados Unidos
e Japão.
Apesar dos altos investimentos
e do mercado interno ávido por novidades, o projeto coreano
está sujeito a alguns desafios, também enfrentados
por fabricantes de robôs domésticos em outros países.
"Muita gente espera que eles sejam iguais aos dos filmes e se decepciona
ao constatar que os robôs de verdade estão aquém
da ficção científica", disse a VEJA Dan Kara,
presidente da consultoria americana Robotics Trends. Kara acredita
que o caminho para evitar esse problema é oferecer robôs
com funções de entretenimento, mas que também
executem tarefas domésticas, como aspirar o pó e lavar
o chão, e que sejam baratos. Atualmente, o robô mais
vendido do mundo é o aspirador de pó Roomba, que se
move sozinho pela casa. Fabricado pela americana iRobot, o aparelho
já vendeu mais de 1,5 milhão de unidades desde o seu
lançamento, em 2002. O sucesso é tão grande
que surgiram clones do robô aspirador pelo mundo todo, inclusive
na Coréia do Sul. Se os coreanos conseguirem cumprir suas
metas, em breve o Roomba ganhará irmãos muito mais
inteligentes.
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O
QUE FAZEM OS ROBÔS
Contam histórias e cantam para as crianças
Recebem e-mails e os lêem em voz alta
Atuam como vigias, enviando imagens para o celular do
dono
Imobilizam invasores com uma rede
Informam a previsão do tempo
Controlam os eletrodomésticos
Dão aulas de inglês
Orientam visitantes em museus e feiras de negócios,
acompanhando-os aos locais procurados
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