|
|
Automóveis
Carros superseguros
Equipamentos de segurança
dos
carros de luxo, que evitam acidentes
mesmo quando o motorista é distraído,
chegam aos modelos de preço médio

Rafael Corrêa
Os recursos tecnológicos que
tornam os carros cada vez mais seguros costumam ser implantados
primeiro nos modelos de luxo e nos superesportivos – cujos motoristas
podem pagar pela novidade. Depois, à medida que a tecnologia
é aprimorada e se torna mais barata, as fábricas passam
a incorporá-la nos veículos vendidos em larga escala.
Foi assim com o sistema de freios ABS, que impede o travamento das
rodas em freadas bruscas. Lançado em 1978, esse tipo de freio
só apareceu em carros comuns dez anos mais tarde. Uma série
de modelos de porte médio lançados recentemente nos
Estados Unidos, na Europa e no Japão mostra que esse ciclo
de transferência tecnológica está ficando cada
vez mais curto. Os modelos incorporam equipamentos de segurança
antes reservados aos carrões caros. Em comum, eles tornam
o veículo mais "inteligente", auxiliando o motorista nas
manobras ou corrigindo falhas humanas que possam resultar em acidentes.
Entre os novos equipamentos de segurança,
o que vem se popularizando mais rapidamente é o controle
eletrônico de estabilidade. Consiste num sistema que aciona
cada um dos freios de forma independente e distribui a força
da frenagem entre as quatro rodas, evitando que o veículo
derrape. Nos Estados Unidos, o acessório já é
padrão em 40% dos carros novos. Segundo o Insurance Institute
for Highway Safety, órgão americano que monitora a
segurança nas estradas, graças ao uso do equipamento
no ano passado houve uma redução de 56% na ocorrência
de acidentes fatais envolvendo apenas um veículo. "A queda
nos preços dos sistemas de segurança de alta tecnologia
tem sido tão acentuada que eles se tornaram um meio fácil
e rápido de as fábricas de automóveis seduzirem
os consumidores", diz David Wong, analista da consultoria Booz Allen
Hamilton. "Sai bem mais barato utilizá-los do que projetar
um carro novo ou desenvolver um novo tipo de motor."
Equipamentos como o controle eletrônico
de estabilidade são chamados de itens de segurança
ativa. Ao contrário das barras de proteção
lateral e dos airbags, que protegem os ocupantes do carro quando
o desastre já é fato consumado, eles previnem os acidentes
interferindo em situações de colisão iminente
e de perda de controle da direção. Essa "inteligência"
é possível graças a sistemas computadorizados
que cruzam informações como a velocidade do veículo,
as condições da pista e a aderência dos pneus.
Em caso de situações que ofereçam risco à
segurança, eles "tomam decisões" em frações
de segundos, sem a necessidade da ação do motorista.
No caso de modelos como o novo
Mercedes-Benz Classe S, um sistema de cruzeiro permite que o motorista
determine a velocidade em que deseja andar e apenas controle o volante
enquanto os computadores freiam e aceleram o carro, identificando
as condições do tráfego e a posição
dos outros veículos. Mesmo no caso de engarrafamento, não
é preciso pisar no freio nem no acelerador para se movimentar
na pista. "Os sistemas computadorizados, evidentemente, permitem
que o motorista retorne ao controle do carro a qualquer momento.
Mas é uma tendência irreversível que cada vez
mais os veículos pensem e reajam mais rápido do que
o ser humano", diz o engenheiro Geraldo José Gardinalli,
especialista em segurança automotiva da Sociedade de Engenheiros
da Mobilidade, a SAE-Brasil. Segundo os especialistas, também
é certo que, em poucos anos, os novos equipamentos de segurança
se tornarão comuns nos carros brasileiros.
|