Edição 1954 . 3 de maio de 2006

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Automóveis
Carros superseguros

Equipamentos de segurança dos
carros de luxo, que evitam acidentes
mesmo quando o motorista é distraído,
chegam aos modelos de preço médio


Rafael Corrêa

NESTA REPORTAGEM
Quadro: O que é novidade

Os recursos tecnológicos que tornam os carros cada vez mais seguros costumam ser implantados primeiro nos modelos de luxo e nos superesportivos – cujos motoristas podem pagar pela novidade. Depois, à medida que a tecnologia é aprimorada e se torna mais barata, as fábricas passam a incorporá-la nos veículos vendidos em larga escala. Foi assim com o sistema de freios ABS, que impede o travamento das rodas em freadas bruscas. Lançado em 1978, esse tipo de freio só apareceu em carros comuns dez anos mais tarde. Uma série de modelos de porte médio lançados recentemente nos Estados Unidos, na Europa e no Japão mostra que esse ciclo de transferência tecnológica está ficando cada vez mais curto. Os modelos incorporam equipamentos de segurança antes reservados aos carrões caros. Em comum, eles tornam o veículo mais "inteligente", auxiliando o motorista nas manobras ou corrigindo falhas humanas que possam resultar em acidentes.

Entre os novos equipamentos de segurança, o que vem se popularizando mais rapidamente é o controle eletrônico de estabilidade. Consiste num sistema que aciona cada um dos freios de forma independente e distribui a força da frenagem entre as quatro rodas, evitando que o veículo derrape. Nos Estados Unidos, o acessório já é padrão em 40% dos carros novos. Segundo o Insurance Institute for Highway Safety, órgão americano que monitora a segurança nas estradas, graças ao uso do equipamento no ano passado houve uma redução de 56% na ocorrência de acidentes fatais envolvendo apenas um veículo. "A queda nos preços dos sistemas de segurança de alta tecnologia tem sido tão acentuada que eles se tornaram um meio fácil e rápido de as fábricas de automóveis seduzirem os consumidores", diz David Wong, analista da consultoria Booz Allen Hamilton. "Sai bem mais barato utilizá-los do que projetar um carro novo ou desenvolver um novo tipo de motor."

Equipamentos como o controle eletrônico de estabilidade são chamados de itens de segurança ativa. Ao contrário das barras de proteção lateral e dos airbags, que protegem os ocupantes do carro quando o desastre já é fato consumado, eles previnem os acidentes interferindo em situações de colisão iminente e de perda de controle da direção. Essa "inteligência" é possível graças a sistemas computadorizados que cruzam informações como a velocidade do veículo, as condições da pista e a aderência dos pneus. Em caso de situações que ofereçam risco à segurança, eles "tomam decisões" em frações de segundos, sem a necessidade da ação do motorista.

No caso de modelos como o novo Mercedes-Benz Classe S, um sistema de cruzeiro permite que o motorista determine a velocidade em que deseja andar e apenas controle o volante enquanto os computadores freiam e aceleram o carro, identificando as condições do tráfego e a posição dos outros veículos. Mesmo no caso de engarrafamento, não é preciso pisar no freio nem no acelerador para se movimentar na pista. "Os sistemas computadorizados, evidentemente, permitem que o motorista retorne ao controle do carro a qualquer momento. Mas é uma tendência irreversível que cada vez mais os veículos pensem e reajam mais rápido do que o ser humano", diz o engenheiro Geraldo José Gardinalli, especialista em segurança automotiva da Sociedade de Engenheiros da Mobilidade, a SAE-Brasil. Segundo os especialistas, também é certo que, em poucos anos, os novos equipamentos de segurança se tornarão comuns nos carros brasileiros.

 
 
 
 
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