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Saúde
Eles param, o povo sofre
Greve de fiscais supera dois
meses, afeta bancos de sangue
e deixa doentes sem remédio
Uanderson Fernandes/Ag. O Dia/AE
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| Piquete dos grevistas: milhares sem medicamentos
e prejuízo superior a 140 milhões de dólares |
O ambulatório do Hospital
das Clínicas de São Paulo, o maior da América
Latina, suspendeu por quatro dias os exames de diagnóstico
dos vírus HIV e da hepatite porque faltavam reagentes importados
necessários aos testes. Pelo mesmo motivo, alguns bancos
de sangue deixaram de fazer coletas. Nos laboratórios farmacêuticos,
linhas de produção foram suspensas por falta de insumos.
Esse é um breve retrato dos efeitos da greve dos funcionários
da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa),
que já dura mais de dois meses. Na semana passada, uma trégua
de dez dias foi acertada entre os funcionários e o governo,
mas parte dos grevistas informou que manterá a paralisação.
Os fiscais da Anvisa são os responsáveis pela liberação,
em portos, aeroportos e fronteiras, de remédios e alimentos
importados. Sem o aval deles, os produtos não podem sair
da alfândega. O reflexo mais dramático da irresponsabilidade
dos grevistas é a falta de medicamentos fundamentais para
o tratamento de pacientes em estado crônico que sofrem de
doenças como Parkinson, Alzheimer, hipertensão e diabetes.
Os funcionários da Anvisa
decidiram cruzar os braços no fim de fevereiro. Reivindicam
a equiparação do salário dos novos com o dos
antigos servidores. O direito de greve é algo inalienável.
Em todos os casos? A própria Lei de Greve estabelece que
serviços fundamentais precisam ser preservados. Os sindicalistas,
porém, sustentam que a adesão não passou de
65% e que os serviços essenciais não foram afetados.
Não é o que se tem visto. A adesão foi maciça
nas alfândegas mais movimentadas do país, como o Porto
de Santos e o Aeroporto de Guarulhos. Segundo a Associação
da Indústria Farmacêutica, cálculos iniciais
estimam um prejuízo de no mínimo 140 milhões
de dólares. A paralisação não prejudicou
apenas a chegada de medicamentos e instrumentos importados, mas
também a distribuição de matérias-primas
e princípios ativos necessários à produção
local. A situação causou baixa nos estoques dos hospitais,
que, em alguns casos, tiveram de adiar cirurgias. A Anvisa prometeu
fazer um mutirão durante o feriado prolongado na tentativa
de normalizar a situação. Surta ou não efeito,
fica claro que os doentes brasileiros não podem ter sua saúde
nas mãos de decisões feitas por assembléias
de sindicato.

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