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Economia e Negócios
A moeda eleitoral de Lula
Com o Bolsa Família,
Lula ganhou sua
arma nas urnas. Eleitoreiro ou não,
é inegável que o programa melhora
a vida de milhões de brasileiros

Leandra Peres
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Com quase três anos de funcionamento
e números superlativos, o Bolsa Família transformou-se
na grande conquista do governo Lula. Neste ano, o programa consumirá
8,3 bilhões de reais, uma bolada de impostos pagos pelos
contribuintes que o governo transfere aos mais pobres. A quantia
equivale à metade de tudo que o governo pretende investir
em 2006 para construir estradas, hospitais ou açudes. Se
atingir a meta de atender 11,1 milhões de famílias
até dezembro, o Bolsa Família terá chegado
a um exército de 44 milhões de pessoas, o que corresponde
à população da Espanha. Individualmente, para
quem recebe a ajuda, o Bolsa Família faz a diferença.
Em média, o orçamento familiar aumenta 21% com a entrada
do dinheirinho repassado pelo governo. Quando se compara o programa
brasileiro de transferência de renda com o de outros países,
fica claro que aqui o esforço é mais profundo. México
e Bangladesh são os que mais se aproximam do Brasil nesse
campo. O programa de cada um desses países atinge 5 milhões
de famílias. Por sua cobertura e eficiência, o Bolsa
Família transformou-se em arma eleitoral. Mas a questão
central é: o Bolsa Família conseguirá melhorar
de forma efetiva a situação dos mais pobres, como
fez o Plano Real de Fernando Henrique Cardoso? Ou sucumbirá
à maldição para a qual alertava o imortal sanfoneiro
Luiz Gonzaga: "Quem dá uma esmola a um homem que é
são / ou lhe mata de vergonha / ou vicia o cidadão"?
O dilema pertence à antiguidade
do homem. É famoso o ditado: "Dê um peixe a um homem
e você o alimenta por um dia. Ensine-o a pescar e você
o alimentará para o resto da vida". Ele aparece em citações
chinesas de mais de 5.000 anos atrás. Não há
dúvida de que o Bolsa Família está dando o
peixe. Mas está abrindo caminho para que se aprenda a pescar?
Economistas e sociólogos têm, em geral, uma opinião
favorável ao Bolsa Família (veja
o depoimento de cinco especialistas). Mas quase todos
eles alertam para o fato de que o programa falha ao não abrir
uma porta de saída da miséria, frustrando-se assim
o objetivo de romper o ciclo da pobreza que tende a passar de uma
geração a outra. Os especialistas concedem, porém,
que mesmo assim é preciso esperar algum tempo para verificar
se o Bolsa Família dará certo ou fracassará
como instrumento de redenção coletiva da miséria.
Há evidências indiretas de que bons resultados podem
ser alcançados. No México, pesquisas mostraram que,
na educação, o programa local ajuda e, como
se sabe, melhor educação significa melhor nível
de vida. No Recife, uma pesquisa descobriu que as famílias
contempladas pelo programa melhoram sua renda de forma mais intensa
do que as que nada recebem do governo.
"O recebimento do benefício
não foi um desincentivo ao trabalho", diz a professora Lena
Lavinas, que comandou a pesquisa. Para um país que estreou
no mundo da assistência social com a criação
na década de 40 do século passado da famigerada Legião
Brasileira de Assistência, a LBA dos escândalos de corrupção
e desvios, a distribuição de dinheiro vivo aos mais
pobres é, por si só, um avanço na política
social brasileira avanço que começou, registre-se,
com a implantação do Bolsa Escola no governo de FHC.
Mas, como só distribuir dinheiro não basta, o programa
exige contrapartidas. As crianças são obrigadas a
comparecer a pelo menos 85% das aulas, a carteira de vacinação
tem de estar em dia e as mães precisam submeter-se a exames
de pré-natal. A primeira crítica que se faz quanto
às exigências é que o Bolsa Família chove
no molhado ao exigir o que, de qualquer modo, já é
cumprido. Entre as crianças de 7 a 14 anos, 97% estão
matriculadas. E as campanhas de vacinação contra poliomielite,
difteria, tétano e coqueluche atingem 95% da meninada.
Seria mais proveitoso se, por exemplo,
o programa definisse como meta que as crianças que terminam
a 4ª série devessem estar definitivamente alfabetizadas
coisa que nem sempre acontece, segundo dados do Ministério
da Educação. Ocorre que o problema não se limita
a isso. O governo tem desprezado os controles sobre o cumprimento
das exigências mesmo daquelas quase inteiramente inócuas.
O governo pede que as crianças freqüentem 85% das aulas,
no mínimo, mas não tem idéia do atendimento
dessa meta. Até outubro de 2004, nem existia um mecanismo
de checagem e controle da freqüência escolar, e só
em novembro do ano passado o governo definiu regras para eventuais
exclusões. O resultado: até hoje, ninguém foi
excluído do programa.
"Se as pessoas acham que vão
continuar recebendo a transferência mesmo quando as crianças
faltam às aulas, o programa não vale nada", explica
o pesquisador do Banco Mundial Francisco Ferreira. O descontrole
do governo é um defeito grave porque serve de desestímulo
ao cumprimento de metas. Em pouco tempo, o Bolsa Família
mostrou que entrega 73% dos seus recursos aos efetivamente pobres,
índice considerado muito bom para os padrões internacionais,
e contribuiu para reduzir a obscena taxa de desigualdade no Brasil.
Só por isso, mereceria aplausos. Mas, no momento em que o
governo se despreocupa tanto com a fiscalização, permite
concluir que o foco não é a melhoria da vida dos pobres,
mas sim a vida eleitoral do presidente da República. E, como
sempre, faz-se isso com bilhões de reais pagos em impostos
pelos contribuintes.
Varanda/Folha Imagem
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Lena Lavinas,
professora do Instituto de Economia
da UFRJ
Falta de metas e objetivos
"Na avaliação
que fizemos em 2000 do Bolsa Escola, implementado pela
prefeitura do Recife, observamos que o dinheiro do governo
legitimou o retorno e a permanência na escola
das crianças pobres com baixo desempenho. O efeito
foi extremamente importante, pois obrigou a escola a
atender à demanda específica dessas crianças
que precisam de um atendimento personalizado. Mas a
pesquisa mostrou que a bolsa não teve impacto
sobre notas e desempenho escolar. É outra constatação
das mais relevantes: o que melhora o aprendizado das
crianças é a qualidade da escola e dos
professores. Dinheiro não substitui metodologia,
competência para ensinar ou meios para aprender.
Esse é o problema do Bolsa Família: coloca
como contrapartida o que já é praxe. Já
existe oferta universal de ensino fundamental e de vacinação.
O programa precisa ter objetivos claros e mensuráveis.
Metas a ser alcançadas. O Bolsa Família
deveria estabelecer como meta, por exemplo, assegurar
que 80% das crianças beneficiadas hoje na 1ª
série estejam concluindo o ensino fundamental
dentro de nove anos, na idade esperada. Dar dinheiro
às famílias é necessário
e deve ser feito de forma permanente. Pode até
sair barato. Caro e difícil é capacitar
professores, investir pesadamente na qualidade do ensino.
Isso o Estado brasileiro não faz."
Fabio Motta/AE
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Simon Schwartzman,
presidente do Instituto de Estudos
do Trabalho e Sociedade (Iets) e ex-presidente do IBGE
O desenho está
errado
"O Bolsa Família
se justifica como uma transferência de renda,
como um subsídio a famílias em situação
de pobreza. Ele está relativamente bem focalizado;
os mais pobres ficam com a maior parcela dos recursos,
embora ainda haja espaço para melhorar. Mas do
ponto de vista educacional o programa não é
bem desenhado. O Bolsa Família ajuda crianças
que iriam à escola de qualquer maneira, com ou
sem dinheiro do governo. Os dados da Pesquisa Nacional
por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2003 mostram
que o Bolsa Família pode aumentar em até
14% a matrícula de crianças entre 5 e
6 anos de idade e até 11% no caso de adolescentes
com 16 anos. Mas, no grupo etário que é
o foco do programa crianças entre 7 e
13 anos , o aumento da matrícula explicado
pelo recebimento da bolsa não passa de 2%. Nessa
faixa etária, o porcentual de crianças
que recebem o Bolsa Família e vão à
escola é de quase 100%. Já entre as que
não são atendidas pelo governo esse porcentual
continua nos 98%. O que faz diferença nessas
situações é a existência
ou não de escola perto de casa. A exigência
da freqüência escolar uma das condicionalidades
do programa também não funciona.
É impossível controlar 11 milhões
de famílias de um gabinete em Brasília.
Seria muito melhor se o dinheiro fosse aplicado na melhoria
das escolas e do sistema educacional brasileiro."
Alex Silva/AE
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José Márcio
Camargo, economista da PUC do
Rio e inventor do Bolsa Escola, antecessor do Bolsa
Família
Investimento no futuro
"O Bolsa Escola,
e agora o Bolsa Família, é de longe o
melhor programa social já implementado no Brasil.
É o único que de fato atende os mais pobres
e, ao contrário da grande maioria dos programas
brasileiros, não investe nos idosos, mas nas
crianças. O Bolsa Família é como
um investimento no futuro, e não uma transferência
de renda. Para isso, é essencial que o governo
cobre o cumprimento das condicionalidades. Se o governo
só repassa o dinheiro e não exige a presença
na escola, apenas 2,3% das crianças beneficiadas
assistem a mais de 85% das aulas. Mas quando a freqüência
é cobrada esse porcentual sobe para 7%. Outra
virtude do Bolsa Família é que seu gasto
tem qualidade muito superior à de qualquer outro
programa social. Isso é especialmente importante
no caso brasileiro, em que grande parte das verbas sociais
acaba sendo apropriada pelos mais ricos. No caso das
aposentadorias e pensões, por exemplo, 65% do
dinheiro fica com os 20% mais ricos da população,
enquanto só 2,5% são apropriados pelos
20% mais pobres. No seguro-desemprego, os mais ricos
ficam com 40% do dinheiro e os mais pobres, com 25%.
O Bolsa Família consegue levar aos mais pobres
cerca de 70% dos benefícios. É melhor
gastar com o Bolsa Família do que com os outros
programas sociais que o governo tem."
Marcelo Sant'Anna/Estado
de Minas/AE
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Ricardo Paes
de Barros, coordenador de avaliação
de políticas públicas do Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)
Um passo sensacional
"O Bolsa Família
foi um passo sensacional na política social brasileira.
Pela primeira vez na história, implementamos
um programa que chega de fato aos pobres. Dos beneficiários
do Bolsa Família, 24% não deveriam estar
recebendo o dinheiro. Esse porcentual parece alto, e
é evidente que precisamos melhorar, mas é
um resultado muito bom pelos padrões internacionais.
No México, esse porcentual sobe para 37%. O Bolsa
Família também ajudou a reduzir a desigualdade
no Brasil e explica a queda de mais de 20% na desigualdade
no país entre 2001 e 2004. Com o Bolsa Família,
o governo pôde saber quem são os verdadeiramente
pobres e aliviar um pouco a pobreza. O que precisa ser
feito agora é dar a esses pobres oportunidades
reais. Para isso, é preciso conhecer as necessidades
de cada família e garantir acesso aos outros
programas sociais do governo. Essa integração
foi realizada no Chile com muito sucesso. Lá,
as famílias são acompanhadas por assistentes
sociais que fazem o encaminhamento a outros programas.
Assim, uma família de pequenos agricultores pobres
recebe o bolsa família chileno e também
tem acesso ao crédito subsidiado para a agricultura
familiar. Se conseguirmos transformar o Bolsa Família
numa espécie de porta de entrada da política
social, o programa terá um impacto gigantesco
sobre a redução da pobreza no Brasil."
Beto Barata/AE
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Kathy Lindert,
coordenadora do setor
de desenvolvimento humano do Banco Mundial no Brasil
O melhor da América
Latina
"O Bolsa Família
é o programa de transferência de renda
mais bem focalizado da América Latina: 73% dos
recursos vão para os 20% mais pobres. É
um investimento altamente eficiente nos pobres. Os dados
da Pnad de 2004 já mostram que o Bolsa Família
está levando os pobres a sair da pobreza, e as
comparações internacionais mostram de
forma clara a qualidade do programa. É uma realização
impressionante, em especial se pensarmos na complexidade
e no tamanho do Brasil e em sua enorme desigualdade,
em que muitas vezes grande parte das despesas públicas,
como a Previdência, vai para os mais ricos. Ainda
é necessário esperar a confirmação
de impactos de mais longo prazo, mas programas semelhantes
em outros países tiveram resultados muito positivos.
No México, a repetência entre meninas caiu
8,4% e entre meninos, quase 4%. A evasão escolar
diminuiu 18% entre meninas e 14% entre meninos. Tudo
indica que o programa brasileiro pode ser um passo fundamental
para resolver o problema da pobreza entre gerações.
O Bolsa Família tem um grande potencial, mas
é preciso lembrar que não há solução
mágica para a pobreza: são necessários
investimentos complementares na qualidade da educação
e da saúde, além de assegurar que essas
pessoas possam encontrar colocação no
mercado de trabalho."
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A força eleitoral, o uso eleitoreiro
O Bolsa Família
não foi concebido para virar
uma máquina de votos, mas já que virou...
Ricardo Stuckert/PR
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| Lula, cumprindo sua agenda favorita:
em campanha e de olho no eleitorado pobre |
O Bolsa Família
está longe de ser uma iniciativa meramente eleitoreira,
destinada unicamente a alavancar a popularidade do governante,
mas é inequívoco que tem enorme potencial
eleitoral. Na última pesquisa disponível,
realizada pelo instituto Datafolha, o presidente Lula
aparecia com 39% de intenção de voto no
eleitorado em geral. Mas, entre os que recebem benefícios
do programa ou conhecem algum beneficiado, o apoio ao
presidente dava considerável salto de 9 pontos
porcentuais, chegando assim a 48%. Isso explica, em
parte, a elevada popularidade de Lula no Nordeste, uma
região intensamente contemplada pelos benefícios
do Bolsa Família. Em cinco meses, período
em que a variação foi calculada, o apoio
ao presidente cresceu 15 pontos porcentuais entre os
nordestinos que recebem dinheiro do programa. "As pesquisas
qualitativas indicam que as pessoas não só
recebem o dinheiro como também identificam o
programa com o governo e retribuem com votos", analisa
o sociólogo Mauro Paulino, diretor do Datafolha.
"Isso foi decisivo para aumentar o impacto eleitoral
do Bolsa Família."
A crescente associação
que o eleitorado pobre faz entre o programa assistencial
e o governo federal é resultado da expansão
dos benefícios. No governo anterior, havia três
programas de transferência de renda, mas que distribuíam
valores mais baixos que o Bolsa Família e atingiam
um número bem menor de famílias. Agora,
com o Bolsa Família transformado num guarda-chuva
debaixo do qual se abrigam quatro programas e que atinge
quase 9 milhões de famílias, ficou mais
fácil associar o benefício ao governo
federal. A história pessoal do presidente e a
facilidade com que se comunica com as camadas mais humildes
da população também são
fatores que ajudam a fazer a associação.
Os pesquisadores informam que as camadas mais necessitadas
tendem a encarar as iniciativas de Lula que lhes beneficiam
como se fossem mais autênticas e mais bem-intencionadas,
e isso tudo em razão do passado de pobreza do
próprio presidente. "Em resumo, pode-se dizer
que o governo tem um produto bom para vender e o vendedor
também é bom", define um publicitário
que trabalhou para o governo tucano e pede para ficar
no anonimato.
Com tamanha arma eleitoral
nas mãos, o Palácio do Planalto já
mandou sinais claros de que não a usará
com parcimônia neste ano de corrida presidencial.
No início de abril, o governo aumentou o teto
de renda para que uma família seja beneficiada.
Antes, era de 100 reais per capita. Agora, passou para
120 o que também amplia o universo de
potenciais beneficiários. Além disso,
está previsto para logo o aumento no valor dos
benefícios. Atualmente, o máximo que uma
família pode receber é 95 reais, e, com
o aumento, o benefício subirá para até
107 reais. Os dois aumentos da renda e do benefício
são justificáveis do ponto de vista
técnico, pois era preciso neutralizar a inflação
do período. "Não é uma decisão
eleitoreira", diz Rosani Cunha, secretária de
Renda de Cidadania do Ministério do Desenvolvimento
Social, que cuida do Bolsa Família. "O que estamos
fazendo é recompor o valor de compra do benefício
com base em critérios técnicos." Ainda
assim, como não há lei alguma que obrigue
o governo a aplicar o reajuste, é improvável
que o potencial eleitoral do programa não tenha
sido sutil e desavisadamente levado em conta.
Se houvesse interesse real
do governo federal em afastar qualquer possibilidade
de exploração eleitoral do Bolsa Família,
a experiência do México poderia servir
de inspiração. Dono de um programa de
transferência de renda que atende 5 milhões
de famílias, e só fica atrás do
programa brasileiro em extensão, o México
criou um conselho com onze especialistas independentes
cuja missão é supervisionar o funcionamento
dos seus programas sociais em anos eleitorais. Para
evitar vícios de origem, o conselho foi criado
pelo governo do México mas sob o comando das
Nações Unidas. Como haverá eleição
presidencial em julho próximo, o conselho está
em pleno funcionamento. Caso constate qualquer irregularidade,
mesmo que não seja explicitamente ligada à
obtenção de dividendos eleitorais, os
membros do conselho comunicam imediatamente as autoridades
eleitorais e criminais para que providências sejam
adotadas. "O Brasil deveria fazer essa mesma blindagem",
diz o professor Marcelo Neri, do Centro de Políticas
Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Ele acrescenta: "É uma ótima maneira de
evitar interferência política, sejam abusos
em anos eleitorais, seja o fim do programa quando um
novo governo assume".
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