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Internacional
Na mão do bandido
No governo de Chávez, Caracas se tornou
a cidade mais violenta da América do Sul

José Eduardo Barella
Juan Barreto/AFP
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| Protesto contra o crime em Caracas: amigos
do regime dominam a polícia |
Estatísticas costumam ser
um bom termômetro das realizações de um governante.
O indicador social que mais cresce nos sete anos em que o presidente
venezuelano Hugo Chávez está no poder é o da
criminalidade, o que dá uma idéia da qualidade de
seu governo. Sob Chávez, o número de homicídios
na Venezuela triplicou. Foram mais de 72.000 assassinatos, e as
estatísticas se referem apenas aos primeiros cinco anos
depois de 2004, o governo simplesmente baniu a divulgação
de dados oficiais sobre a violência. Outros índices
de criminalidade também dispararam no período. A quantidade
de seqüestros cresceu em média 30% por ano. Para completar
o quadro desolador, multiplicou-se por quatro o número de
mortos em confronto com a polícia.
O que explica tamanho fiasco
de Chávez no combate ao crime? O controle da violência
era uma de suas prioridades na campanha que o elegeu, em 1998
assim como a redução do desemprego e da miséria,
outras mazelas sociais que se agravaram sob seu governo. Uma explicação
está no populismo do presidente venezuelano. Em vez de profissionalizar
a polícia, ele preferiu nomear aliados políticos e
militares para os principais postos de comando. Chávez também
investiu sobre o Judiciário, assegurando maioria na Corte
Suprema com a nomeação de juízes escolhidos
a dedo. "O controle político do Judiciário e da polícia
abriu caminho para a impunidade, pois nenhum juiz ou delegado vai
desagradar integrantes do governo", disse a VEJA o cientista político
Alfredo Ramos Jimemez, da Universidade Los Andes, em Merida.
Não surpreende que Caracas
tenha se transformado, sob Chávez, na cidade mais violenta
da América do Sul, ocupando o posto que já foi do
Rio de Janeiro. As duas cidades têm muito a lamentar em comum,
como o aumento da corrupção, principalmente na polícia.
O Rio também viu o crime organizado florescer sob os braços
de governos populistas, de Chagas Freitas, nos anos 70, ao casal
Garotinho. Nos anos 80, banqueiros do jogo do bicho chegaram a ser
recebidos no Palácio Guanabara pelo governador Moreira Franco.
Na Venezuela, é cada vez maior a ligação de
policiais com o crime organizado. Em fevereiro, três irmãos
adolescentes, de 12, 13 e 17 anos, de uma família de classe
média alta foram seqüestrados a caminho da escola. Seus
corpos e o do motorista da família foram encontrados no mês
passado, com marcas de tortura. Todos foram executados com um tiro
na nuca depois que a família não conseguiu juntar
o dinheiro do resgate, 4,5 milhões de dólares. Entre
os suspeitos presos estão doze policiais e ex-policiais.
Indignadas com o crime, mais de 80.000 pessoas protestaram nas ruas
de Caracas no último dia 22, sábado.
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