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Copa Velhos
ou experientes? Veteranos podem fazer a diferença
no Mundial de futebol. Para o bem ou para o mal 
André Fontenelle, de Madri
Na última quarta-feira, Zinedine
Zidane, um dos maiores jogadores de sua geração, anunciou que vai
se aposentar em julho. "Tenho lesões que não tinha dos 20 aos 30
anos, e não quero estar em campo apenas por estar", disse o francês
de 33 anos ao comunicar a decisão (veja
quadro). Zidane não pára, porém, sem antes
tentar conquistar um último objetivo a Copa da Alemanha, no mês
que vem. Será sua derradeira oportunidade de reviver a glória de
oito anos atrás, quando fez dois gols na final do Mundial vencida em casa,
derrotando a seleção brasileira. É natural que ele tenha
escolhido como palco da despedida a maior competição esportiva do
planeta. A Copa é uma meta que leva muitos jogadores veteranos, mesmo os
já consagrados, a espichar a carreira profissional, ainda que correndo
o risco de fazer má figura e de comprometer sua equipe por estarem longe
da melhor forma. Para os padrões
do futebol de hoje, Zidane é até relativamente jovem. Suas lesões
não são tão graves. O problema verdadeiro é mesmo
a falta de motivação. A evolução da preparação
física e do tratamento de lesões tem prolongado a carreira dos jogadores
dispostos a continuar. Romário, que aos 40 anos trocou o Vasco da Gama
por Miami para tentar chegar aos 1.000 gols como profissional, está longe
de ser uma exceção. Um dos principais times da Itália, o
Milan, está repleto de veteranos, como os defensores Alessandro Costacurta
(40 anos), Paolo Maldini (37), Cafu (35), Serginho (34) e Jaap Stam (33). Mesmo
com tantos "velhinhos", chegou à semifinal da Liga dos Campeões
da Europa. Outros dois grandes clubes italianos, Juventus e Internazionale, também
alinham uma legião de trintões. "Antes da década de 90 dificilmente
um jogador chegava aos 35 anos em atividade", diz o preparador físico da
seleção brasileira, Moraci Sant'Anna. "Hoje se tomam cuidados específicos
na preparação dos jogadores mais velhos."
O outro lado da moeda é que, ao mesmo tempo, cresceu o esforço físico
exigido em uma partida de futebol de alto nível. "O aumento foi de 30%
a 40% em relação a décadas atrás", avalia o fisiologista
Turibio Leite de Barros, coordenador do Centro de Medicina da Atividade Física
e do Esporte da Universidade Federal de São Paulo. Em um único jogo
de noventa minutos podem-se correr 10 ou mais quilômetros, e um atleta profissional
disputa uma partida dessas a cada três ou quatro dias. Os veteranos resistem
porque também evoluíram as técnicas de "recuperação
do esforço", como as chamam os especialistas. As horas imediatamente subseqüentes
a uma partida são decisivas. "Hoje em dia o clube não libera o jogador,
depois de uma partida, sem que ele coma os alimentos e suplementos necessários",
exemplifica Turibio. Mas é
indiscutível que os veteranos sofrem mais do que os jovens. Muitos dos
que tentam disputar pela última vez a Copa do Mundo vêm tendo dificuldade
até para se manter como titulares. Na Alemanha, o goleiro Oliver Kahn,
de 36 anos, eleito o melhor jogador do Mundial de 2002 antes de soltar
nos pés de Ronaldo a bola que decidiu a final , acaba de tornar-se
reserva da seleção. Tomou frangos no campeonato alemão deste
ano, enquanto seu substituto, Jens Lehmann, que joga no Arsenal de Londres, na
semana passada defendeu um pênalti na semifinal da Liga dos Campeões.
Curiosamente, Lehmann tem os mesmos 36 anos de Kahn. Outras estrelas enfrentam
concorrência mais jovem. Cafu, o capitão da seleção
brasileira, recém-saído de uma cirurgia no joelho esquerdo, corre
contra o tempo para provar que está de volta à melhor forma. Seu
lugar entre os 23 convocados de Carlos Alberto Parreira está garantido,
mas a vaga entre os onze titulares é ameaçada por Cicinho, do Real
Madrid, dez anos mais jovem. "Depois da Copa podem aparecer substitutos", diz
Cafu em tom de brincadeira, mas ciente de que o Mundial deve marcar o fim
de seus quinze anos de reinado na lateral direita da seleção. No
Milan, ele tem geralmente jogado apenas o segundo tempo das partidas.
Assim como no Brasil, há uma polêmica
em diversos países sobre a escalação de veteranos. Se, de
um lado, sua experiência pode ajudar a controlar os nervos diante de adversários
fortes, de outro, teme-se que, por desgaste, eles possam contundir-se num momento
importante da jornada ou, pior ainda, falhar numa jogada decisiva. Na França,
o goleiro Fabien Barthez, de 34 anos, é cada vez mais criticado. Durante
a Copa, jogadores como o francês Lilian Thuram, de 34 anos, o checo Pavel
Nedved, 33, e o brasileiro Roberto Carlos, 33, terão de medir forças
com jovens revelações como Robinho, 22, o argentino Lionel Messi,
18, e o espanhol Francesc Fabregas, 19. Essa não parece uma luta em igualdade
de condições. Com
reportagem de Letícia Sorg
| Zidane: "São só
sete jogos" Nos dois primeiros de seus
cinco anos de Real Madrid, o francês Zinedine Zidane conquistou todos os
títulos possíveis: foi campeão espanhol, europeu e intercontinental.
Mas nas últimas três temporadas os "galácticos" do Real não
ganharam nada. Sentindo que não vinha contribuindo como gostaria, Zidane
decidiu "ser honesto" consigo mesmo e anunciar o fim da carreira depois de jogar
sua terceira Copa com a França, em junho. VOCÊ
DISSE QUE HÁ DOIS ANOS NÃO JOGA TÃO BEM QUANTO GOSTARIA.
POR QUE NA COPA DO MUNDO SERIA DIFERENTE? Não conseguiria mais
jogar uma temporada inteira, mas disputar apenas sete partidas é um objetivo
que dá para almejar. Terminar a carreira jogando o Mundial para mim é
muito significativo. Vou ter uma motivação especial. Meu único
receio é ter um problema físico. Mas vou fazer o máximo que
puder. ALGUNS JOGADORES TÊM
JOGADO ATÉ OS 40 ANOS, CASO DE ROMÁRIO, NO BRASIL, MESMO COM UM
NÍVEL DE DESEMPENHO MAIS BAIXO. POR QUE NÃO FAZER O MESMO?
No Real Madrid não é possível jogar em um nível mais
baixo. E VOCÊ NÃO
PENSOU EM SAIR DO REAL? Vou terminar a carreira aqui porque é assim
que tem de ser. De qualquer maneira, eu não conseguiria jogar até
os 40 anos. | | |