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Brasil
Para entender Alckmin
Perguntas e respostas sobre
a candidatura que tira o sono
do PSDB e do PFL

Marcelo Carneiro
Lailson Santos
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Fotos Luludi/Luz
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ESTILO
FRANCISCANO
Em pré-campanha, Alckmin tem viajado em aviões
de carreira, usado táxi e se hospedado na casa de um
primo em Brasília. Na quinta-feira, ele desembarcou em
São Paulo, vindo da capital federal em um avião
de carreira, tomou café no aeroporto e partiu no táxi
do motorista Arlindo Gomes |
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A pré-campanha de Geraldo Alckmin à
Presidência completa um mês nesta semana sob críticas
de correligionários e aliados. Estacionado nas pesquisas,
o ex-governador de São Paulo não conseguiu montar
palanques regionais, continua sem um vice e insiste em imprimir
à campanha um ritmo mais lento do que gostariam os engajados
na sua candidatura. Na última terça-feira, Alckmin
convocado para uma reunião no gabinete do senador
Tasso Jereissati, presidente do PSDB, com a presença do senador
Jorge Bornhausen, presidente do PFL foi instado a tomar as
rédeas de sua campanha. Tarefa emergencial: resolver a questão
das alianças dos tucanos com os pefelistas nos estados
em especial a Bahia, considerada o nó górdio das negociações.
Alckmin prometeu arregaçar as mangas. Tucanos e aliados aguardam
ansiosos. Abaixo, dez questões sobre a candidatura do ex-governador.
ÂNIMOS E HUMORES
O PSDB está desanimado
com a candidatura Alckmin?
Em público, os tucanos dizem que o ex-governador de
São Paulo conseguiu unir o partido e tem conseguido dar ritmo
à candidatura. Privadamente, reclamam que a desarticulação
na campanha tem tornado inócuas as viagens do candidato aos
estados. "Há duas semanas, ele não tinha nem assessor
de imprensa para marcar entrevistas nas rádios das cidades
que visitava", afirma um parlamentar tucano. Lideranças do
partido confirmam: esperavam que o candidato se apresentasse para
a campanha já "com uma estrutura grande por trás".
Não foi o que ocorreu. "Em vez de chegar de Boeing, ele veio
de teco-teco", diz um tucano envolvido na campanha. "Estamos tendo
de providenciar tudo agora."
Há
alguma chance de Alckmin ser substituído por José
Serra?
Nenhuma. Primeiro, porque, nesse momento, trocar de candidato
seria mais do que desastroso para o PSDB: significaria uma admissão
de fracasso por parte dos tucanos. Depois, porque Serra, candidato
ao governo do estado de São Paulo, nem sequer admite tocar
no assunto.
CHANCES
Alckmin tem chance de subir
nas pesquisas até agosto, início da propaganda eleitoral
na televisão?
Entre os coordenadores da campanha, a expectativa é
que ele cresça mais 5 pontos até agosto e Lula baixe
um pouco seu porcentual (hoje, o placar está em 20% contra
40%). Alckmin insiste em dizer que sua campanha irá "dar
um salto" com o início do programa eleitoral. Publicitários,
porém, afirmam que o telespectador não presta atenção
nas propostas de candidatos que não conhece. "Alckmin tem
uma taxa muito alta de desconhecimento. Se quiser mesmo dar um salto,
precisa resolver esse problema logo", diz o publicitário
Lucas Pacheco, que já fez doze campanhas majoritárias.
Alckmin conseguirá
sair do patamar de 10% de intenções de voto no Nordeste?
Sim. Isso porque a taxa de desconhecimento do tucano na região,
o segundo maior colégio eleitoral do país, ainda é
muito alta: chega a 60%. Com as viagens, a propaganda eleitoral
e a indicação do vice, fatalmente nordestino, essa
porcentagem irá subir. Especialistas em campanhas afirmam,
no entanto, que esse crescimento previsível precisa ser substancioso.
Eles calculam que, para ter chance de bater Lula, Alckmin terá
de dobrar sua porcentagem de intenções de voto no
Nordeste até agosto.
ESTILO ALCKMIN
O estilo franciscano da pré-campanha
funciona?
Para quem precisa desesperadamente se tornar conhecido em um
país com as dimensões do Brasil, certamente não.
Para quem está interessado em fazer um contraponto ao estilo
petista de administrar, a resposta é talvez. Já para
quem está preocupado em evitar contestações
judiciais, o que é o caso do PSDB, não há outro
jeito, afirma o presidente do partido, Tasso Jereissati. Oficialmente,
as campanhas eleitorais só começam no dia 6 de julho.
Até lá, é proibido arrecadar recursos para
a campanha. Os gastos dos pré-candidatos, portanto, têm
de ser bancados pelos partidos. Como dificilmente uma sigla seria
capaz de bancar, sozinha, cerca de 1 milhão de reais mensais
necessários para pagar o deslocamento aéreo de um
candidato à Presidência (considerando cinco horas diárias
de vôo em jato alugado), é preciso que o partido recolha
doações em dinheiro ou horas-vôo. "Como ainda
estamos montando nossa estrutura, muitas vezes não conseguimos
providenciar essas doações a tempo, e a solução,
então, é o vôo de carreira", diz Tasso. O tucano
afirma que, no momento em que a campanha começar oficialmente,
o problema estará sanado. "Teremos uma equipe só para
organizar um plano de doações de horas-vôo com
a iniciativa privada." João Carlos Meirelles, coordenador
de programa da campanha, tem dito, no entanto, que o ex-governador
pretende se manter fiel a esse estilo monástico até
o fim, o que significa fazer "pelo menos 70% das viagens em vôos
comerciais". "Como, no auge de uma campanha presidencial, um candidato
precisa visitar até quatro diferentes estados num só
dia, é certo dizer que essa opção fará
de Alckmin um candidato-poste", critica um tucano.
Oscar Cabral
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| Cesar Maia, do PFL, sobre a coordenação da
campanha de Alckmin: "Faltam experiência e lastro" |
A coordenação da pré-campanha tucana tem sido
alvo de críticas. Elas são procedentes?
Sim. Alckmin ainda não conseguiu montar um núcleo
capaz de imprimir comando e personalidade à campanha. "O
coordenador da campanha, senador Sérgio Guerra (PSDB-PE),
não tem lastro político, experiência nem currículo
para essa tarefa", diz Cesar Maia, prefeito do Rio de Janeiro, que
vinha sendo o porta-voz das insatisfações do PFL.
Desde a semana passada, Maia vem diminuindo o tom das críticas.
Nas viagens aos estados, o candidato do PSDB muitas vezes desembarca
praticamente sozinho e é recebido por poucas lideranças
locais. Em outro campo, o das articulações políticas,
a campanha também caminha em marcha lenta. Um pequeno sinal
de aceleração surgiu na terça-feira passada,
quando os senadores Tasso Jereissati e Jorge Bornhausen reuniram-se
em Brasília com o ex-governador. No encontro, o recado foi
claro: Alckmin precisava assumir pessoalmente o comando da campanha,
empenhando-se em resolver problemas que já deveriam ter sido
solucionados entre eles, a aliança PSDB-PFL. No dia
seguinte à reunião, Alckmin participou de um jantar
com a bancada liberal no Senado e conversou reservadamente com cada
um dos caciques dos partidos. "Em 48 horas, a campanha avançou
mais do que havia caminhado até o momento", afirma Bornhausen.
Uma campanha para o governo
do estado é igual a uma disputa presidencial, como acredita
Alckmin?
Esse tem sido, segundo especialistas, um dos principais erros
do candidato tucano. Em todas as campanhas de que participou até
o momento, Alckmin sempre começou em compasso mais lento
para alcançar velocidade na reta final. Seus assessores mais
próximos dizem que a estratégia agora será
a mesma. "Em uma campanha estadual é possível começar
mais devagar. No plano federal, não. Alckmin precisa imprimir
um ritmo forte desde o início para enfrentar o desconhecimento
e articular a campanha nacionalmente", diz o consultor político
Gaudêncio Torquato.
ALIANÇAS
Jose Paulo Lacerda/AE
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| Tasso: reunião com Alckmin e o PFL para aparar
arestas |
Por que o PFL resiste a indicar
um candidato a vice para a chapa tucana?
Há dois motivos principais. O primeiro é a dificuldade
em fechar acordos regionais que garantam um palanque para Alckmin
em cada estado. Em vários deles, PSDB e PFL disputam o mesmo
espaço nas candidaturas para o governo e para o Senado. "Se
entregarmos logo o vice, os diretórios do PSDB nos estados
vão cruzar os braços e não farão nada
para costurar melhor as alianças locais com o PFL", diz o
deputado fluminense Rodrigo Maia, líder pefelista na Câmara.
O segundo motivo é a espera de uma decisão do PMDB,
que ainda não definiu se terá candidato próprio.
Se o PMDB abrir mão de uma candidatura à Presidência,
os pefelistas poderão integrar a chapa tucana com a indicação
do vice e ainda ficar livres para acordos regionais com os peemedebistas.
CHUMBO GROSSO
As recentes denúncias
contra o candidato tucano podem comprometer a candidatura?
Ainda é cedo para avaliar. Mas os coordenadores da campanha
de Alckmin já se preparam para enfrentar uma ofensiva dos
petistas. No PSDB é dado como certo que o caso dos vestidos
doados por um estilista à ex-primeira-dama Lu Alckmin e as
denúncias envolvendo a Nossa Caixa, banco estatal paulista,
serão, sim, explorados nos programas do PT.
O comando da campanha tucana
diz que não atacará diretamente Lula. Essa estratégia
funcionará?
É uma questão polêmica. O manual dos marqueteiros
diz que nenhum candidato vence eleição batendo no
adversário. A estratégia pode criar um alto índice
de rejeição em quem bate. Porém, no governo
Lula, os casos de corrupção são tão
estarrecedores que dificilmente não serão explorados
na campanha. O plano do PSDB é deixar essa tarefa para os
outros partidos da oposição.
Com reportagem de
Camila Pereira e Juliana Linhares
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