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André
Petry
No reino da bandalha
"O desastroso é
que, do ponto de vista
da legalidade eleitoral, Garotinho seguirá
sendo um político igualzinho àqueles
que
nunca foram pegos com a boca na botija"
Uma das razões pelas quais existem
tantos picaretas e bandidos na política nacional acaba de
desnundar-se diante dos olhos do país com o escândalo
de Anthony Garotinho, o sujeito que tem feito tudo rigorosamente
tudo para ser candidato à Presidência da República
pelo PMDB. Em sua campanha para virar candidato, Garotinho acaba
de ser pilhado numa bandalheira espantosamente disseminada. Andava
alugando jatinho de bicheiro preso em Cuiabá, recebendo dinheiro
de empresa que pertenceu a um assaltante enjaulado na penitenciária
de Bangu, armando rede de financiadores gentilmente abastecidos
pelos cofres do governo comandado por sua mulher. Uma lama só.
Garotinho garante que gastou 650.000 reais na sua pré-campanha.
José Dirceu, altamente versado no assunto, diz que foi uns
"30 milhões de dólares". Seja como for, pode-se dizer
que Garotinho foi flagrado no pântano e agora está
liquidado? Não. Não se pode. E é justamente
aí que começa o triunfo da bandidagem na política
e, particularmente, nas eleições.
No plano criminal, que existe na órbita
da Justiça, e não da política, Garotinho terá
de prestar explicações pelas ilegalidades que possa
ter cometido e estará sujeito às punições
da lei. No plano eleitoral, no entanto, nada rigorosamente
nada lhe acontece. Garotinho, mesmo que venham a ser confirmadas
todas as suspeitas de irregularidades, não está sujeito
a nenhuma sanção de caráter eleitoral porque
não há lei falando do que pode e não pode ser
feito em matéria financeira durante o período de pré-campanha,
a fase em que Garotinho se encontra. A lei refere-se apenas ao período
de campanha oficial, formalmente aberta e que só começará
em 6 de julho. Trocando em miúdos, temos o seguinte devaneio:
na campanha oficial é preciso ao menos manter a aparência
de legalidade com os caixas eleitorais, mas na fase de pré-campanha
nem isso é preciso. Nada mais adequado para o país
do mensalão.
Claro que a direção do
PMDB, se restar ao partido um grama de decência e outro tantinho
de compostura, poderá pedir a Garotinho que tome o rumo de
volta para casa, mas isso é duvidoso. Alguns aliados podem
debandar, mas isso também é duvidoso. O eleitor, que
hoje lhe dá 15% de preferência, pode virar-lhe as costas.
Até agora, Garotinho chegou aonde está levantando
a bandeira do populismo evangélico, fundindo aí patacoadas
de palanque com louvações de templo. Agora, ao somar
populismo evangélico com bandalheira política, é
possível que o eleitorado recue, mas isso também não
é certo. Afinal, Lula tem 40% de intenção de
voto, ainda que seja o grande beneficiário das trambicagens
homéricas da "organização criminosa" e que
seus aliados do peito sejam penalmente tratados como "quadrilha".
O desastroso é que, do ponto
de vista da legalidade eleitoral, Garotinho seguirá sendo
um político igualzinho àqueles que nunca foram pegos
com a boca na botija.
Existe convite mais explícito
para atrair os delinqüentes em geral?
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