Edição 1 647 -3/5/2000

VEJA esta semana

Brasil
Internacional
Geral
Economia e negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Colunas
Stephen Kanitz
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote 
Veja essa
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Para usar
Veja recomenda
Os mais vendidos

Banco de Dados 

Para pesquisar digite uma ou mais palavras no campo abaixo. 


 
Chico Caruso/O Globo
Dentro da capitânia,
aquela nau dos insensatos...


– E agora daremos início à parte
submarina das comemorações...


"Dos 22 tripulantes, só quatro não enjoaram."
Luís Machado, comandante da Nau Capitânia, que deveria ir de Salvador a Porto Seguro para a festa dos 500 anos do Descobrimento, mas ficou à deriva, depois que os dois motores pifaram

"Só sei que, como eu, ele papava todas as mulheres pelo caminho."
Acelino Popó, boxeador, sobre Diogo Álvares, o Caramuru, personagem que interpretou no desfile comemorativo dos 500 anos em Salvador

"Foi como se alguém convidado para uma festa de casamento cuspisse no chão da sala."
Francisco Weffort, ministro da Cultura, criticando os manifestantes que protestaram em Porto Seguro nas comemorações dos 500 anos

"É o mico do ano."
Antônio Carlos Abdalla, curador, convidado para a Mostra do Redescobrimento, no Pavilhão da Bienal, em São Paulo, e impedido de entrar, junto com outros convidados, na área reservada às autoridades

"Carlos Marés quer usar os índios para lavar sua biografia."
Neudo Campos, governador de Roraima, que acusa o ex presidente da Funai de ser o responsável pela prisão de quatro índios em seu Estado

"Fiz isso quando percebi que iria apanhar."
Marina Silva, senadora (PT-AC), justificando a carteirada que deu na polícia na confusão da festa dos 500 anos do Descobrimento, em Porto Seguro

"Diante daquele mulherão, tive de fazer algo a mais por mim mesmo."
Reynaldo Gianecchini, modelo e ator, 27 anos, contando como conquistou a namorada, Marília Gabriela, apresentadora de TV e jornalista, 51 anos

"É a Polícia Civil trabalhando, é a Polícia Civil trabalhando."
Márcia Julião, delegada de polícia do Rio de Janeiro, que, mesmo afastada e sob investigação por extorsão, posou para os fotógrafos como comandante da operação que capturou o traficante vip Marcinho VP

 
Chico Caruso/O Globo
Quem somos? Aonde vamos?

– Sei lá...

"Com a vida que levo, se não fumasse maconha de vez em quando eu seria muito louco."
Victor Pitta do Nascimento, filho do prefeito paulistano Celso Pitta, na delegacia, acusado de dar dois sopapos na ex–namorada

"Estou tomando remédio para engravidar.
Por aí vocês imaginam a pressa que eu tenho de voltar para casa."

Melanie Griffith, atriz americana, mulher do ator espanhol Antonio Banderas, discursando numa cerimônia comemorativa do Dia da Terra

"A mulher tem de ser submissa ao homem.
Ela deve se colocar no lugar dela, ser sexy..."

Marcelinho Carioca, craque do Corinthians e atleta de Cristo

"Com o devido respeito, acho que o sistema erra ao ser tão leniente com um infrator de 18 anos viciado em drogas."
LeAnn Demsey, jovem americana condenada, pedindo ao juiz para aumentar sua sentença

 


Arc* e o Descobrimento

Depois de ler jornais e revistas e de ver shows e noticiários na televisão sobre o descobrimento do Brasil, Arc, o marciano, ficou muito atrapalhado. Queria saber por que tinha gente
comemorando e gente protestando.

– É complicado, Arc, mas vamos tentar. Vou simplificar, tá?
Fora manifestações políticas que não tinham nada a ver com a data, havia um grupo de índios descontentes com a situação a que foram relegados nestes 500 anos e um grupo de – digamos – brancos comemorando a descoberta pelos portugueses do que hoje virou este nosso Brasil.
O que eu não entendo é quem descobriu quem...
– Fácil: os índios, que viram homem branco pela primeira vez, de certa maneira "descobriram" os portugueses, que, por sua vez, "descobriram" os índios e esta terra onde eles moravam, porque nunca haviam estado aqui antes.
– Então os dois lados deveriam estar comemorando...
– Negativo, marciano. Os índios, que eram 4 ou 5 milhões na época do Descobrimento, hoje são 350 000.
Querem terras para morar, só deles, e querem garantias de que o homem branco não vai continuar matando sua gente.
– Então, o que o homem branco tem para comemorar?
O desaparecimento de milhões de índios?

– Arc, que absurdo! Claro que não. Até porque os índios nãoforam as únicas vítimas do processo de civilização.
Teve também os escravos trazidos da África...
– Continuo sem entender o que tem para comemorar.
– Arc, apesar disso tudo, o Brasil virou uma grande nação, ainda com muitos problemas graves, mas com conquistas importantes em diversos setores.
– Tá bem, entendi. Descobriram-se uns aos outros, mas quem comemora mesmo é quem levou a melhor.


* Arc é marciano e invisível e vem regularmente à Terra — inclusive ao Brasil — para ver se vale a pena Marte investir aqui. Por enquanto, ele está achando que não dá...
(arc@bol.com.br)

Teagá


Editado por
Julio Cesar de Barros