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FILME
Pandora Filmes
Kitano (à
esq.), em Verão Feliz:
pungente amizade de criança e
adulto carentes |
Verão Feliz (Kikujiro, Japão,
1999. Estréia nesta sexta-feira em São Paulo)
Ator, diretor, escritor e até mesmo jogador
bissexto de beisebol, o japonês Takeshi Kitano ficou
conhecido por aqui com o sucesso "cabeça" Hana-bi
Fogos de Artifício. Neste novo filme,
ele mostra sua versatilidade. Verão Feliz
conta a história do menino Masao, que sofre por não
ter um pai e viver longe da mãe. Planejando uma fuga
para visitá-la, ganha a companhia de um vagabundo
(vivido pelo próprio Kitano). Apesar do jeito grosseirão
e amalucado, ele se revelará tão carente quanto
o próprio garoto. É um tema clássico
do cinema, visto, por exemplo, em Central do Brasil.
Aqui, no entanto, ele ganha um tratamento ao mesmo tempo
pungente e alegre.
LIVRO
Os Sete Loucos
& Os Lança-Chamas, de Roberto Arlt (tradução
de Maria Paula Gurgel Ribeiro; Iluminuras; 411 páginas;
39 reais) Roberto Arlt ocupa, na ficção
argentina, espaço semelhante ao de Lima Barreto no
Brasil. Ambos rejeitaram a escrita enfeitada. Ambos falaram
dos "excluídos". Foram hostilizados em seu próprio
tempo, mas gerações posteriores lhes restituíram
a devida importância. A principal arma do autor de
Policarpo Quaresma era a sátira. Já
Arlt foi mais violento. Ele descreveu tipos embrutecidos,
imersos na "vida porca" da Buenos Aires dos anos 20. Os
dois romances reunidos neste volume foram escritos em seqüência
e compartilham personagens e cenários. Estão
entre os dez melhores da literatura argentina, segundo a
crítica.
DISCOS
Ecstasy,
Lou Reed (WEA Music) O cantor e compositor americano
sabe como poucos retratar o submundo de Nova York em suas
letras. O cotidiano de traficantes, viciados e transformistas
fazia parte das canções de Lou Reed nos tempos
do grupo Velvet Underground e foi explorado ao máximo
em seus discos-solo nos anos 70. Em Ecstasy, seu
vigésimo trabalho, o cantor mantém a escrita.
O CD é uma compilação de contos musicados
sobre traição, desonestidade e turbulentos
finais de romance. A interpretação de Reed
costuma deixar as músicas ainda mais angustiantes:
ele simplesmente declama suas letras, sobre uma guitarra
tocada da maneira mais desleixada possível. O disco
pode não superar obras-primas como Transformer
(1972) ou Berlin (1973), mas é uma prova de
que Lou Reed continua em grande forma.
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Live at the Apollo,
James Brown (Universal Music) James Brown era o Herbert
von Karajan do soul. Perfeccionista, obrigava seus músicos
a ensaiar exaustivamente. Para cada nota errada, os integrantes
de sua banda eram obrigados a pagar 5 dólares de
multa. Essa é uma das razões da excelência
de seus discos, mesmo os gravados ao vivo. Live at the
Apollo faz parte da série que o cantor gravou
no lendário teatro de Nova York. Há sucessos
de sua fase dourada, como a sacolejante I Feel Good,
além da longuíssima balada It's a Man's,
Man's Man's World. Repare no som do baixo e da bateria
dos sucessos de Brown. Ele foi plagiado por nove entre dez
bandas de rap. Os dois CDs mostram que o original
era muito melhor.
DVD
Terra de Ninguém
(Badlands, Estados Unidos, 1973. Warner)
O texano Terrence Malick é um caso único
no cinema americano: virou um mito tendo feito apenas três
filmes em 25 anos, sendo o mais recente deles Além
da Linha Vermelha. Uma nova chance de entender por que
sua obra é tão admirada está neste
lançamento em DVD, que ressalta seu apurado trabalho
fotográfico. Terra de Ninguém se inspira
num caso real, sobre um casal de jovens (vividos por Martin
Sheen e Sissy Spacek) que,
nos anos 50, saiu pelo interior americano promovendo uma
matança desordenada. O estilo meditativo do diretor
faz um belo contraponto com a atuação incisiva
de Sheen, que depois protagonizaria Apocalypse Now.
TELEVISÃO
Volta ao Mundo
em 80 Dias (segundas às 20h30, no Eurochannel)
No livro homônimo de Júlio Verne, o
personagem Phileas Fogg é desafiado a realizar uma
viagem ao redor da Terra em exatos oitenta dias. No século
XIX, essa era uma façanha e tanto, já que
os meios de transporte disponíveis eram lentos. Hoje,
circundar o globo leva pouco mais de um dia, se você
estiver a bordo de um jato. Nesta minissérie em sete
capítulos produzida pela BBC, o ator Michael Palin
refaz o percurso de Phileas Fogg, seguindo apenas uma regra:
não usar avião. O resultado é um programa
interessantíssimo. Ex-integrante da trupe Monty Python,
Palin é uma atração à parte.
Com humor refinado, desvenda as curiosidades de cada país,
da Suíça à Índia, enquanto vive
uma aventura cheia de surpresas.
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OS
MAIS VENDIDOS Crítica
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Se você
sempre quis lançar um livro, mas acha que não
vai conseguir, eis aqui uma sugestão: morra.
Ou melhor, desencarne. Segundo os espíritas,
no "outro plano" você vai contar com todo o
apoio necessário para realizar sua ambição.
Poderá inclusive freqüentar os cursos
de uma certa Casa do Escritor. Depois disso, é
só procurar um médium pronto para psicografar
seu texto. Se a médium for Vera Lúcia
Carvalho, alvíssaras! Serão grandes
suas chances de alcançar a lista de mais vendidos.
É isso, em tese, o que acaba de acontecer com
o espírito Rosângela, "autor" de Aborrecente,
Não. Sou Adolescente! (Petit; 124 páginas;
13 reais).
Não é
a primeira vez que Vera Lúcia e seus espíritos
emplacam um grande sucesso. Tempos atrás, essa
equipe do outro mundo chegou à lista de VEJA
com Violetas na Janela. Assim como Aborrecente...,
o livro era voltado para o público jovem. Curioso.
Mas Vera Lúcia afirma que tudo não passa
de coincidência. "Depois que termino a psicografia,
faço uma leitura minuciosa do material junto
com o autor espiritual", diz ela. "Em seguida, o trabalho
é enviado à editora, que o encaminha
para uma revisão de texto. Ele não passa
por adaptações." No caso de Violetas
na Janela, o espírito-romancista atendia
pelo nome de Patrícia. Foi ela, ainda, quem
"ditou" a obra chamada A Casa do Escritor,
que explica como é que se aprende o ofício
literário no além.
Quanto ao livro
de Rosângela, ele aborda questões comuns
a todos os adolescentes: namoro, brigas com os pais,
escola, e assim por diante. Entremeadas ao enredo,
porém, há diversas referências
à religiosidade espírita. Portanto,
alerta. Por mais bem-intencionado que seja o livro,
ele esconde uma intenção doutrinária.
Intenção, aliás, que fica mais
do que clara na nota que encerra o volume: "Todas
as respostas de que você precisa estão
nas Obras Básicas de Allan Kardec".
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