Edição 1 647 -3/5/2000

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Mais um abacaxi para Garotinho

Ex-assessores do governo do Rio presos por extorsão

 
Silésio Corrêa/ Folha da Manhã
Garotinho com o deputado Eber Silva, citado pelo pastor Cezar como mandante da extorsão

O governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, está novamente diante de denúncias que envolvem a turma que o cerca. Desta vez, a bomba não estourou tão perto de seu gabinete, mas o tremor da explosão produziu ecos nas imediações. Um funcionário do governo e outro afastado recentemente foram presos em flagrante de extorsão. Eram o pastor da Igreja Batista José Cezar de Almeida, 33 anos, assessor do Gabinete Civil, e Mário Lisboa Carvalho de Albuquerque, 29 anos, ex-diretor da Companhia Estadual de Habitação, sobre a qual também desabaram denúncias de corrupção no mês passado. Os dois exigiam do prefeito e de um vereador de Guapimirim, no interior fluminense, 120.000 reais em troca de um dossiê que comprovaria seu envolvimento com o tráfico de drogas. Estariam agindo em nome do deputado federal Eber Silva, do PDT, eleito em Campos com apoio de Garotinho e membro da CPI do Narcotráfico. Combinado o encontro, num restaurante da Zona Sul do Rio, a polícia foi avisada.

Almeida e Albuquerque tinham em mãos uma cópia de um documento que está em poder da CPI do Narcotráfico. Ele conteria denúncias do envolvimento do prefeito de Guapimirim, Ailton Vivas, e do presidente da Câmara de Vereadores, Oswaldo Vivas, com o comércio de drogas. O deputado Eber Silva nega sua ligação com o caso, mas a polícia suspeita. Foram inúmeros os contatos telefônicos com os extorquidos e com os ex-assessores do governo. A assessoria de Garotinho se apressou em dizer que os dois já estavam afastados de seus cargos. Albuquerque deixara a função no início de abril. Almeida teve sua exoneração publicada somente na quinta-feira, mas a assessoria de Garotinho garante que desde segunda-feira ele não pertencia mais aos quadros do governo.

Os casos de extorsão surgem num momento delicado para o governo do Rio. Depois da torrente de denúncias que caiu sobre ele nas últimas semanas, Garotinho vinha tentando recuperar a imagem de sua equipe. Na semana passada, conseguiu emplacar a indicação de seu ex-chefe do Gabinete Civil Jonas Lopes de Carvalho para o Tribunal de Contas do Estado. Carvalho teve seu nome citado nas denúncias contra a "Turma do Chuvisco" e foi considerado inocente pelo Ministério Público. A estratégia de recuperação inclui um ato de apoio a seu governo, marcado para o dia 2. Por mais que se tenha empenhado em desvincular de sua administração os dois ex-funcionários presos em flagrante, o caso acabou sendo um novo incêndio para o governador apagar.

 
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