Mais um abacaxi para Garotinho
Ex-assessores do governo do Rio presos
por extorsão
Silésio Corrêa/ Folha
da Manhã
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| Garotinho com o deputado Eber Silva,
citado pelo pastor Cezar como mandante da extorsão |
O governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, está
novamente diante de denúncias que envolvem a turma
que o cerca. Desta vez, a bomba não estourou tão
perto de seu gabinete, mas o tremor da explosão produziu
ecos nas imediações. Um funcionário
do governo e outro afastado recentemente foram presos em
flagrante de extorsão. Eram o pastor da Igreja Batista
José Cezar de Almeida, 33 anos, assessor do Gabinete
Civil, e Mário Lisboa Carvalho de Albuquerque, 29
anos, ex-diretor da Companhia Estadual de Habitação,
sobre a qual também desabaram denúncias de
corrupção no mês passado. Os dois exigiam
do prefeito e de um vereador de Guapimirim, no interior
fluminense, 120.000 reais em
troca de um dossiê que comprovaria seu envolvimento
com o tráfico de drogas. Estariam agindo em nome
do deputado federal Eber Silva, do PDT, eleito em Campos
com apoio de Garotinho e membro da CPI do Narcotráfico.
Combinado o encontro, num restaurante da Zona Sul do Rio,
a polícia foi avisada.
Almeida e Albuquerque tinham em mãos uma cópia
de um documento que está em poder da CPI do Narcotráfico.
Ele conteria denúncias do envolvimento do prefeito
de Guapimirim, Ailton Vivas, e do presidente da Câmara
de Vereadores, Oswaldo Vivas, com o comércio de drogas.
O deputado Eber Silva nega sua ligação com
o caso, mas a polícia suspeita. Foram inúmeros
os contatos telefônicos com os extorquidos e com os
ex-assessores do governo. A assessoria de Garotinho se apressou
em dizer que os dois já estavam afastados de seus
cargos. Albuquerque deixara a função no início
de abril. Almeida teve sua exoneração publicada
somente na quinta-feira, mas a assessoria de Garotinho garante
que desde segunda-feira ele não pertencia mais aos
quadros do governo.
Os casos de extorsão surgem num momento delicado
para o governo do Rio. Depois da torrente de denúncias
que caiu sobre ele nas últimas semanas, Garotinho
vinha tentando recuperar a imagem de sua equipe. Na semana
passada, conseguiu emplacar a indicação de
seu ex-chefe do Gabinete Civil Jonas Lopes de Carvalho para
o Tribunal de Contas do Estado. Carvalho teve seu nome citado
nas denúncias contra a "Turma do Chuvisco" e foi
considerado inocente pelo Ministério Público.
A estratégia de recuperação inclui
um ato de apoio a seu governo, marcado para o dia 2. Por
mais que se tenha empenhado em desvincular de sua administração
os dois ex-funcionários presos em flagrante, o caso
acabou sendo um novo incêndio para o governador apagar.
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