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Televisão Operação
clonagem Novo folhetim da Record emula
temas, cenas e personagens das tramas da concorrente Globo  Ricardo
Valladares
Ag.
Pedra Viva/AE
 | Rafael
Campos
 | | Socorro,
a megera da Record , e Nazareth (à direita): copiando é
que se ganha ibope |
Tempos
atrás, um executivo da TV Record sugeriu que a emissora seguisse o ensinamento
do comandante Rolim Amaro (1942-2001), fundador da companhia aérea TAM:
para fazer frente ao líder num negócio, nada melhor que copiá-lo.
A Record adotou o lema à risca em sua nova novela, Prova de Amor, que
estreou na semana passada. A rede já vinha, é verdade, se mirando
nas produções da Rede Globo em tudo, dos detalhes técnicos
à escalação de atores. Mas, agora, a clonagem atingiu um
nível em que os mais desavisados podem até confundir original e
cópia. Ao filmar pela primeira vez no Rio de Janeiro, a Record invadiu
de vez o terreno da Globo: os primeiros capítulos de Prova de Amor abusaram
das tomadas do cotidiano carioca. A trilha sonora, regada a bossa nova, remete
à das tramas do noveleiro Manoel Carlos. Até cenas e personagens
são decalcados dos folhetins da Globo. No melodrama, evidentemente, a reciclagem
é regra mesmo a Globo se repete o tempo todo. No caso de Prova
de Amor, contudo, trata-se de imitar em detalhes situações que
ainda estão frescas na memória do espectador. O ator Márcio
Garcia interpreta um bandido que é a cara do personagem que ele fazia em
Celebridade. Há também três irmãos atléticos
que não saem da praia, como na novela A Cor do Pecado, de 2004.
A megera Socorro (Vanessa Gerbelli) emula a personagem de Renata Sorrah em Senhora
do Destino: para dar o "golpe da barriga" num ricaço, ela rouba um
bebê da maternidade. O mesmo golpe dado por Nazareth no folhetim exibido
em 2004 pela concorrente. A emissora
do bispo Edir Macedo montou sua versão do Projac, o complexo de gravações
da Globo. Instalado não muito longe do original, no local onde funcionavam
os estúdios do trapalhão Renato Aragão, o "Projaquinho" tem
45.000 metros quadrados e já consumiu 20 milhões de reais. A Record
contratou técnicos, diretores e tirou 100% do elenco até
as crianças da Globo. Atores como Lavínia Vlasak (a heroína),
Marcelo Serrado (o mocinho) e Leonardo Vieira (o vilão) foram atraídos
por salários de até 40.000 reais mensais quatro vezes mais
do que recebiam na Globo. A cópia,
ao que parece, colou: Prova de Amor obtém 12 pontos no ibope (beneficiada,
diga-se, pelo mau desempenho do atual folhetim das 7 da Globo, Bang Bang, que
ainda não disse a que veio). O próximo passo na operação
clonagem é investir naquelas campanhas de utilidade pública recorrentes
nas tramas da concorrente. A certa altura, será abordado o drama das crianças
desaparecidas como fez a noveleira Glória Perez em Explode Coração.
Mas a Record tem muito a trilhar até a cópia perfeita: há
falhas de iluminação e de som, além de deslizes dos atores.
"Ainda faltam pelo menos uns 30% para eles chegarem lá", calcula um diretor
da Globo. |