Edição 1929 . 2 de novembro de 2005

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Televisão
Operação clonagem

Novo folhetim da Record emula
temas, cenas e personagens das
tramas da concorrente Globo


Ricardo Valladares

 
Ag. Pedra Viva/AE
Rafael Campos
Socorro, a megera da Record , e Nazareth (à direita): copiando é que se ganha ibope

Tempos atrás, um executivo da TV Record sugeriu que a emissora seguisse o ensinamento do comandante Rolim Amaro (1942-2001), fundador da companhia aérea TAM: para fazer frente ao líder num negócio, nada melhor que copiá-lo. A Record adotou o lema à risca em sua nova novela, Prova de Amor, que estreou na semana passada. A rede já vinha, é verdade, se mirando nas produções da Rede Globo em tudo, dos detalhes técnicos à escalação de atores. Mas, agora, a clonagem atingiu um nível em que os mais desavisados podem até confundir original e cópia. Ao filmar pela primeira vez no Rio de Janeiro, a Record invadiu de vez o terreno da Globo: os primeiros capítulos de Prova de Amor abusaram das tomadas do cotidiano carioca. A trilha sonora, regada a bossa nova, remete à das tramas do noveleiro Manoel Carlos. Até cenas e personagens são decalcados dos folhetins da Globo. No melodrama, evidentemente, a reciclagem é regra – mesmo a Globo se repete o tempo todo. No caso de Prova de Amor, contudo, trata-se de imitar em detalhes situações que ainda estão frescas na memória do espectador. O ator Márcio Garcia interpreta um bandido que é a cara do personagem que ele fazia em Celebridade. Há também três irmãos atléticos que não saem da praia, como na novela A Cor do Pecado, de 2004. A megera Socorro (Vanessa Gerbelli) emula a personagem de Renata Sorrah em Senhora do Destino: para dar o "golpe da barriga" num ricaço, ela rouba um bebê da maternidade. O mesmo golpe dado por Nazareth no folhetim exibido em 2004 pela concorrente.

A emissora do bispo Edir Macedo montou sua versão do Projac, o complexo de gravações da Globo. Instalado não muito longe do original, no local onde funcionavam os estúdios do trapalhão Renato Aragão, o "Projaquinho" tem 45.000 metros quadrados e já consumiu 20 milhões de reais. A Record contratou técnicos, diretores e tirou 100% do elenco – até as crianças – da Globo. Atores como Lavínia Vlasak (a heroína), Marcelo Serrado (o mocinho) e Leonardo Vieira (o vilão) foram atraídos por salários de até 40.000 reais mensais – quatro vezes mais do que recebiam na Globo.

A cópia, ao que parece, colou: Prova de Amor obtém 12 pontos no ibope (beneficiada, diga-se, pelo mau desempenho do atual folhetim das 7 da Globo, Bang Bang, que ainda não disse a que veio). O próximo passo na operação clonagem é investir naquelas campanhas de utilidade pública recorrentes nas tramas da concorrente. A certa altura, será abordado o drama das crianças desaparecidas – como fez a noveleira Glória Perez em Explode Coração. Mas a Record tem muito a trilhar até a cópia perfeita: há falhas de iluminação e de som, além de deslizes dos atores. "Ainda faltam pelo menos uns 30% para eles chegarem lá", calcula um diretor da Globo.

 
 
 
 
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