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Beleza Permitido
para menores Cada vez mais as filhas
recorrem ao saco de mágicas das mães: próteses, preenchimentos,
lipo e até Botox  Roberta
Salomone Leoanrdo
Aversa/Ag. Globo
 | Flavia
Vitoria/AE
 | | Yasmin,
17, agora e em junho: 8 centímetros de repente, não mais que de repente |
O
aprimoramento das técnicas de cirurgia plástica é tão
patente e a assimilação cultural dos tratamentos estéticos
tão rápida que tudo o que parecia complicado, ou tabu, num passado
muito recente, se desmancha no ar. No princípio, plástica era coisa
para depois dos 50 anos; antes disso, só mesmo correção de
nariz e orelha em casos de extrema necessidade ou uma discreta redução
de seios. Hoje, intervenções para alisar, preencher, enxugar e inflar
são mostradas em detalhes em programas de TV, os consultórios estéticos
vivem lotados, amigas se reúnem para bater papo e aplicar Botox e lipoaspiração
é presente de aniversário para quem ainda não passou dos
50, dos 40, dos 30 e, cada vez mais, até dos 20. Segundo a Sociedade Brasileira
de Medicina Estética (SBME), nos últimos três anos a procura
das mulheres de até 25 anos por tratamentos de beleza cresceu 30%. E a
Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica informa que 15% dos pacientes
de plástica no país são jovens de até 18 anos. "As
próprias mães trazem as filhas ao consultório. O que antes
era pecado agora é coqueluche", diz a dermatologista Maria Victória
Campos de Souza, da SBME. Mostrar
os seios novos ou as coxas lipoaspiradas está ficando tão comum
nas faixas etárias reduzidas que causa surpresa quando alguém nega
o óbvio. A modelo Yasmin Brunet, de 17 anos, entrou neste ano com 81 centímetros
de busto e agora, pela fita métrica de sua agência, a Ford Models,
ostenta em decotes avantajados consideráveis 8 centímetros a mais.
"Só vou fazer plástica bem mais velha, quando tiver uns 40 anos",
conta Yasmin, que atribui a súbita expansão à genética.
Como sua mãe, Luiza Brunet, também retocou os seios, é como
se o DNA, de repente, tivesse implantado entre 300 e 330 mililitros de silicone
na jovem modelo. Apesar da aprovação
social crescente às cirurgias precoces, o exagero ainda é facilmente
identificável. A estudante de direito Monique Soares, 22 anos, fez a primeira
intervenção aos 16 passou por uma lipoescultura e aumentou
o bumbum. Recentemente, fez cirurgia para afinar e arrebitar o nariz ("Era de
bruxa", exagera). Aí achou que ficaria ainda melhor se aumentasse a espessura
dos lábios e aproveitou as aplicações de ácido hialurônico
e poliacrilamida (um derivado do acrílico) para preencher os sulcos
aos 22 anos! ao lado da boca. "Se existem recursos para ficar mais bonita,
por que não tentar?", pergunta Monique, que planeja colocar prótese
nos seios em breve. A mãe dela, a psicanalista Seralice de Souza, 54 anos
e uma única plástica de abdômen, se assusta com a disposição
da filha. "Virou uma obsessão. Não acho nem um pouco normal alguém
na idade dela querer mudar tanto a aparência", diz.
Roberto
Setton
 | | Lori,
20: Botox, "simples", e silicone, "dolorido" |
A
injeção de substâncias para aumentar os lábios lidera
o placar das preferências das muito jovens (veja quadro)
no Brasil, seguida pela correção de queixo e nariz. A lista das
dez mais também inclui Botox, preenchimento de sulcos, lipo e colocação
de prótese nos seios. Por que garotas sem nenhuma sombra de rugas colocam
Botox? A estudante de moda Lori Cristina Faria, 20 anos, de São Paulo,
implantou próteses de 250 mililitros de silicone em maio; em julho, para
"deixar o olhar mais aberto e bonito", aplicou Botox embaixo e nas laterais das
sobrancelhas. "O Botox foi simples e rápido. Já o pós-operatório
da plástica foi um pouco dolorido", compara.
A cirurgia para inserir as próteses de silicone "descola" os músculos
peitorais. A intensidade e a duração da dor variam, mas todas as
pacientes certamente sofrerão no pós-operatório. Garotas
imaturas, despreparadas para o adiamento do prazer exigido pelas intervenções
estéticas, chegam a dar escândalo. No fim, obviamente, a maioria
fica satisfeitíssima com o resultado. Nos raros casos em que a prótese
continua a causar incômodo, removê-la requer uma plástica reparadora
para apagar cicatrizes e reformatar os seios. A lipoaspiração, além
de embutir os riscos de qualquer procedimento cirúrgico, também
rende um pós-operatório de muito inchaço e níveis
variados de dor. "O acesso mais fácil aos tratamentos abre caminho para
essa corrida desenfreada pela perfeição estética. O jovem
precisa entender que as mudanças do seu corpo serão harmonizadas
com o tempo, sem a necessidade de procedimentos invasivos", diz Jane Kezem, presidente
da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro. Muito sensato,
sem dúvida. Só falta convencer as jovens adeptas do aprimoramento
estético imediato.
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