Edição 1929 . 2 de novembro de 2005

Índice
Lya Luft
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Auto-retrato
Datas
Veja essa
Gente
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Saúde
Dói no bolso

Há vacina e novos medicamentos
contra a hepatite B. Mas é preciso
torná-los acessíveis


Giuliana Bergamo

Não existe cura para a hepatite B, que afeta milhões de pessoas ao redor do mundo. Estima-se que mais de um terço dos brasileiros (60 milhões de pessoas) já tenha entrado em contato com o vírus HBV, causador da moléstia, e que 3 milhões deles hoje sofram com a forma crônica da doença. Na maioria dos casos, a única alternativa é o uso de medicamentos para o resto da vida – do contrário, a moléstia pode causar um quadro grave de cirrose hepática. A medicina até que conseguiu desenvolver armas poderosas contra a hepatite. Com o tempo, porém, o HBV se tornou resistente ao remédio mais usado no controle da doença – a lamivudina, cuja marca mais famosa é o Epivir. Em três anos, metade dos pacientes tratados com o medicamento deixa de responder à terapia. Recentemente surgiram remédios capazes de driblar a resistência do HBV – o adefovir e o entecavir, vendidos sob o nome comercial de Epicera e Baraclude, respectivamente. "Essas drogas representam um tremendo alívio para grande parte dos portadores da doença", diz o hepatologista João Galizzi Filho, presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia. Apenas 6% dos pacientes não respondem aos novos tratamentos. O inconveniente dessas terapias é o preço – 600 reais por mês. Ao contrário dos medicamentos mais antigos, os novos agentes contra a hepatite B ainda não são distribuídos gratuitamente pelo serviço de saúde pública.

O HBV é transmitido por fluidos contaminados, sobretudo sangue e esperma (veja quadro abaixo). A moléstia se manifesta a partir do momento em que o vírus é incorporado pelas células hepáticas e o sistema imunológico do doente ataca as células do fígado, na tentativa de debelar a infecção. Esse ataque pode comprometer seriamente as funções hepáticas e levar ao transplante de fígado. O dado bom é que a hepatite B é facilmente prevenível. Com eficácia em torno de 95%, a vacina contra o HBV existe há quase vinte anos. Preconiza-se que a primeira dose seja dada no nascimento, a segunda dali a um mês e a terceira depois de seis meses. Mas é possível imunizar-se contra a doença em qualquer idade, desde que respeitados os intervalos entre cada uma das três doses. A vacina anti-HBV faz parte do calendário oficial de vacinação do Ministério da Saúde para pessoas com até 19 anos. Depois, ela é administrada em clínicas particulares, ao preço médio de 25 reais a dose. Pode parecer barato, mas é um custo e tanto para a maioria dos brasileiros. O governo, que dá tanta atenção à questão da aids, deveria ter mais cuidado com os portadores da hepatite B e universalizar a imunização gratuita contra a doença. Só para se ter uma idéia, o número de brasileiros portadores do HIV, o vírus da aids, não chega a 700.000 – menos de um quarto dos contaminados pelo HBV. Mas a aids é uma doença que rende manchetes e a hepatite B, não.

 

 

 
 
 
topovoltar