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Saúde Dói
no bolso Há vacina e novos medicamentos
contra a hepatite B. Mas é preciso torná-los acessíveis
 Giuliana
Bergamo
Não existe cura para a hepatite
B, que afeta milhões de pessoas ao redor do mundo. Estima-se que mais de
um terço dos brasileiros (60 milhões de pessoas) já tenha
entrado em contato com o vírus HBV, causador da moléstia, e que
3 milhões deles hoje sofram com a forma crônica da doença.
Na maioria dos casos, a única alternativa é o uso de medicamentos
para o resto da vida do contrário, a moléstia pode causar
um quadro grave de cirrose hepática. A medicina até que conseguiu
desenvolver armas poderosas contra a hepatite. Com o tempo, porém, o HBV
se tornou resistente ao remédio mais usado no controle da doença
a lamivudina, cuja marca mais famosa é o Epivir. Em três anos,
metade dos pacientes tratados com o medicamento deixa de responder à terapia.
Recentemente surgiram remédios capazes de driblar a resistência do
HBV o adefovir e o entecavir, vendidos sob o nome comercial de Epicera
e Baraclude, respectivamente. "Essas drogas representam um tremendo alívio
para grande parte dos portadores da doença", diz o hepatologista João
Galizzi Filho, presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia. Apenas 6% dos
pacientes não respondem aos novos tratamentos. O inconveniente dessas terapias
é o preço 600 reais por mês. Ao contrário dos
medicamentos mais antigos, os novos agentes contra a hepatite B ainda não
são distribuídos gratuitamente pelo serviço de saúde
pública. O HBV é transmitido
por fluidos contaminados, sobretudo sangue e esperma (veja quadro abaixo).
A moléstia se manifesta a partir do momento em que o vírus é
incorporado pelas células hepáticas e o sistema imunológico
do doente ataca as células do fígado, na tentativa de debelar a
infecção. Esse ataque pode comprometer seriamente as funções
hepáticas e levar ao transplante de fígado. O dado bom é
que a hepatite B é facilmente prevenível. Com eficácia em
torno de 95%, a vacina contra o HBV existe há quase vinte anos. Preconiza-se
que a primeira dose seja dada no nascimento, a segunda dali a um mês e a
terceira depois de seis meses. Mas é possível imunizar-se contra
a doença em qualquer idade, desde que respeitados os intervalos entre cada
uma das três doses. A vacina anti-HBV faz parte do calendário oficial
de vacinação do Ministério da Saúde para pessoas com
até 19 anos. Depois, ela é administrada em clínicas particulares,
ao preço médio de 25 reais a dose. Pode parecer barato, mas é
um custo e tanto para a maioria dos brasileiros. O governo, que dá tanta
atenção à questão da aids, deveria ter mais cuidado
com os portadores da hepatite B e universalizar a imunização gratuita
contra a doença. Só para se ter uma idéia, o número
de brasileiros portadores do HIV, o vírus da aids, não chega a 700.000
menos de um quarto dos contaminados pelo HBV. Mas a aids é uma doença
que rende manchetes e a hepatite B, não. |