Edição 1929 . 2 de novembro de 2005

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Memória
A coragem de dizer "não"

Como Rosa Parks levou às multidões
a luta pela igualdade racial


Susan Tusa/The New York Times
Rosa: a prisão e uma multa de 14 dólares fizeram dela o símbolo dos direitos civis para os negros


Em 1º de dezembro de 1955, a costureira negra Rosa Parks chegou ao seu limite. Mais num desabafo espontâneo do que por cálculo, ela se recusou a ceder seu assento num ônibus da cidade de Montgomery, no Alabama, a um homem branco. Rosa – que morreu no último dia 24, aos 92 anos de idade – foi presa, fichada, pagou multa de 14 dólares e mudou a história americana. Seu protesto solitário pôs fogo no sul dos Estados Unidos, onde a segregação racial era regra. Com ele, Rosa tirou a luta pelos direitos civis da esfera das vanguardas políticas e intelectuais, levando-a às multidões. Por causa dela, um pastor de 26 anos, Martin Luther King Jr., organizou os negros sulistas num boicote ao transporte público que durou 381 dias e fez de King o grande líder do movimento pela igualdade dos negros – este, por sua vez, a mais profunda convulsão social dos Estados Unidos no período, culminando, em 1964, com a lei que baniu a discriminação racial em todos os estabelecimentos públicos. Em 1957, Rosa e sua família trocaram Montgomery por Detroit, em razão das ameaças de morte que recebiam, da dificuldade em conseguir emprego e também por causa de seus desentendimentos com King e outros líderes, secretamente ciumentos da forma como a costureira arrancara uma bandeira de suas mãos ao protagonizar um dos gestos mais corajosos e politicamente eficientes da história contemporânea. Rosa recebeu, em 1996, a Medalha Presidencial pela Liberdade e, em 1999, a Medalha de Ouro do Congresso – a mais alta honraria civil americana. Mas seus últimos anos foram melancólicos. Sem dinheiro para o aluguel, ela contava apenas com a ajuda de uma igreja local para sobreviver.

 
 
 
 
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