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Economia e Negócios E
agora, Mr. Bernanke? Bush indica o acadêmico
Ben Bernanke para a sucessão do mitológico Alan Greenspan
Alan Greenspan, tido como o melhor presidente de banco central que o mundo já
viu, deixa o cargo no próximo dia 31 de janeiro. Depois de dezoito anos
e cinco meses à frente do Federal Reserve, passa o bastão no todo-poderoso
banco central dos EUA. Na semana passada, o presidente George W. Bush indicou
para lhe suceder Ben Bernanke, um renomado acadêmico que preside o Conselho
de Assessores Econômicos da Casa Branca. Greenspan, 79 anos, é dono
de credibilidade e carisma de proporções mitológicas. Ganhou
o apelido de Il Maestro pela sensibilidade, capacidade de prever e influenciar
a ação de investidores e precisão com que conduz as finanças
planetárias. Não será tarefa simples substituí-lo.
Durante seu turno no Fed, enfrentou um crash na Bolsa de Nova York, lidou com
duas recessões e viu ações virar pó com o estouro
da bolha das empresas de nova tecnologia. Mas nos seus anos de reinado os EUA
viveram o milagre da produtividade e experimentaram dez anos de crescimento ininterrupto,
o mais longevo período de expansão da história do país.
Se aprovado pelo Senado, Bernanke, 51 anos, assume
em fevereiro. Terá de lidar com um legado de profundos desequilíbrios
financeiros na economia mundial e com a ameaça do estouro de uma bolha
no setor imobiliário americano. Enfrentará ainda a sua própria
falta de experiência no mercado financeiro. O economista passou praticamente
toda a vida profissional dentro de universidades. Nunca trabalhou em Wall Street,
ao contrário de Greenspan. "Isso não será problema. Bernanke
provou que sabe se comunicar com os investidores", afirma Stephen Cecchetti, professor
de finanças da Universidade Brandeis, nos EUA. O brasileiro José
Alexandre Scheinkman, que trocou a Universidade de Chicago por Princeton a convite
de Bernanke, também não vê dificuldades. "Ele é uma
pessoa extremamente inteligente e adaptável. Greenspan, quando assumiu
o Fed, poderia ter sido criticado pela falta de conhecimento acadêmico."
Um dos maiores monetaristas em atividade, Bernanke
é especialista no sistema de metas de inflação e poderá
levar o Fed a adotar oficialmente o regime que está em vigor no
Brasil desde 1999. "É um professor extraordinário, de aguda capacidade
analítica", diz Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central. Fraga
teve Bernanke na banca examinadora quando se doutorou em Princeton. Bernanke acredita
que finanças públicas e excesso de moeda em circulação
inflam os preços. Em uma palestra recente, elogiou a queda da inflação
na América Latina, particularmente no Brasil. Disse que esse avanço
só foi possível porque os países da região abandonaram
as teorias desenvolvimentistas e expansionistas difundidas no continente pela
Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).
Agora o mundo aguarda os primeiros passos do novo chefe do Fed.
Um teórico das metas de inflação Larry
Downing/Reuters
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Formação:
Ben Shalom Bernanke, 51, fez economia em Harvard e obteve doutorado no Instituto
de Tecnologia de Massachusetts (MIT) Academia:
começou a carreira em Stanford; em 1985, foi para Princeton
Vida pública: em 2002, foi indicado
por George W. Bush para o conselho do Federal Reserve; filiado ao Partido Republicano,
em junho de 2005 tornou-se presidente do Conselho de Assessores Econômicos
da Casa Branca Sintonia com Greenspan:
concordam que o combate à inflação é um ponto
fundamental para dar credibilidade ao Fed; acreditam também que o BC não
deve agir para evitar bolhas especulativas Discordância
com Greenspan: o atual presidente do Fed nunca revelou o nível de inflação
considerado ideal, por achar que isso daria menos flexibilidade à sua atuação;
Bernanke defende a adoção de metas explícitas como forma
de dar mais previsibilidade à condução da economia |
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