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Internacional
O profeta do genocídio
O novo presidente do Irã prega
a destruição do Estado de Israel
Behrouz Mehri/AFP
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| Ahmadinejad: um fanático na Presidência |
A única diferença entre Mahmoud Ahmadinejad, o novo
presidente do Irã, e os aiatolás que zelam pela rigidez
do regime islâmico é o turbante. Como não é
clérigo, Ahmadinejad está dispensado do pano preto
enrolado na cabeça. A anedota, que correu o Irã durante
a campanha eleitoral, serve para mostrar o fanatismo do presidente,
há quatro meses no poder. Na semana passada, para colocar
um ponto final em qualquer esperança de moderação,
o presidente afirmou que "Israel deve ser riscado do mapa" e prometeu
lutar para que os políticos muçulmanos que defendem
o reconhecimento do Estado judeu "queimem na ira de seus povos".
As ameaças, feitas em uma conferência em Teerã
denominada "O mundo sem sionismo", parecem confirmar o temor de
que o Irã desistiu das tentativas de restabelecer relações
normais com o restante do mundo e pretende voltar ao furor fanático
dos primeiros anos da revolução islâmica
e justamente no momento em que o país está desenvolvendo
um programa nuclear.
Defender o extermínio
dos israelenses está fora de moda no mundo árabe.
O Egito e a Jordânia têm tratados de paz com o Estado
de Israel. Mohamed Abbas, presidente da Autoridade Palestina, criticou
a declaração do iraniano e lembrou que sua organização
aceita o direito de Israel existir. Na verdade, Abbas tem seus próprios
problemas com os aiatolás iranianos, que dão dinheiro
e ordens a grupos terroristas palestinos. Por sua vez, o governo
israelense anunciou que vai solicitar a expulsão do Irã
da ONU. "Imagine um país que toma uma atitude como essa com
uma bomba atômica", alarmou-se o primeiro-ministro inglês,
Tony Blair. Até que ponto as ameaças de Ahmadinejad
devem ser levadas a sério?
George Ginsberg/AFP
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| Atentado suicida palestino em Israel: pago
pelo Irã |
O homem é mesmo um fanático.
Mas declarações similares já foram feitas quatro
anos atrás pelo ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani, que
hoje adota posições bem mais moderadas. O raciocínio
de Rafsanjani era o seguinte: devido ao pequeno tamanho do país,
bastaria uma única bomba nuclear para acabar com Israel.
Por sua vez, a retaliação israelense, por maior que
fosse, só poderia atingir um número limitado de muçulmanos.
No mês passado, por sugestão de Rafsanjani, que agora
dirige um órgão consultivo do Parlamento, o conselho
de aiatolás que de fato manda no Irã decidiu retirar
do presidente o controle da diplomacia iraniana. "Os religiosos
temem que Ahmadinejad aumente o isolamento internacional do Irã,
o que prejudicaria o crescimento econômico", disse a VEJA
o economista iraniano Siamak Namazi, do Woodrow Wilson Center, centro
de pesquisas com sede em Washington, nos Estados Unidos. Ahmadinejad
recusou-se a se retratar de suas declarações contra
Israel. No mesmo dia em que ele discursava em Teerã, um homem-bomba
palestino explodiu em uma feira livre na cidade israelense de Hadera.
Cinco pessoas morreram. A Jihad Islâmica, grupo terrorista
palestino que assumiu a responsabilidade pelo ataque, é financiada
pelo Irã.
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