Edição 1929 . 2 de novembro de 2005

Índice
Lya Luft
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Auto-retrato
Datas
Veja essa
Gente
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Internacional
O profeta do genocídio

O novo presidente do Irã prega
a destruição do Estado de Israel


Behrouz Mehri/AFP
Ahmadinejad: um fanático na Presidência


A única diferença entre Mahmoud Ahmadinejad, o novo presidente do Irã, e os aiatolás que zelam pela rigidez do regime islâmico é o turbante. Como não é clérigo, Ahmadinejad está dispensado do pano preto enrolado na cabeça. A anedota, que correu o Irã durante a campanha eleitoral, serve para mostrar o fanatismo do presidente, há quatro meses no poder. Na semana passada, para colocar um ponto final em qualquer esperança de moderação, o presidente afirmou que "Israel deve ser riscado do mapa" e prometeu lutar para que os políticos muçulmanos que defendem o reconhecimento do Estado judeu "queimem na ira de seus povos". As ameaças, feitas em uma conferência em Teerã denominada "O mundo sem sionismo", parecem confirmar o temor de que o Irã desistiu das tentativas de restabelecer relações normais com o restante do mundo e pretende voltar ao furor fanático dos primeiros anos da revolução islâmica – e justamente no momento em que o país está desenvolvendo um programa nuclear.

Defender o extermínio dos israelenses está fora de moda no mundo árabe. O Egito e a Jordânia têm tratados de paz com o Estado de Israel. Mohamed Abbas, presidente da Autoridade Palestina, criticou a declaração do iraniano e lembrou que sua organização aceita o direito de Israel existir. Na verdade, Abbas tem seus próprios problemas com os aiatolás iranianos, que dão dinheiro e ordens a grupos terroristas palestinos. Por sua vez, o governo israelense anunciou que vai solicitar a expulsão do Irã da ONU. "Imagine um país que toma uma atitude como essa com uma bomba atômica", alarmou-se o primeiro-ministro inglês, Tony Blair. Até que ponto as ameaças de Ahmadinejad devem ser levadas a sério?


George Ginsberg/AFP
Atentado suicida palestino em Israel: pago pelo Irã

O homem é mesmo um fanático. Mas declarações similares já foram feitas quatro anos atrás pelo ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani, que hoje adota posições bem mais moderadas. O raciocínio de Rafsanjani era o seguinte: devido ao pequeno tamanho do país, bastaria uma única bomba nuclear para acabar com Israel. Por sua vez, a retaliação israelense, por maior que fosse, só poderia atingir um número limitado de muçulmanos. No mês passado, por sugestão de Rafsanjani, que agora dirige um órgão consultivo do Parlamento, o conselho de aiatolás que de fato manda no Irã decidiu retirar do presidente o controle da diplomacia iraniana. "Os religiosos temem que Ahmadinejad aumente o isolamento internacional do Irã, o que prejudicaria o crescimento econômico", disse a VEJA o economista iraniano Siamak Namazi, do Woodrow Wilson Center, centro de pesquisas com sede em Washington, nos Estados Unidos. Ahmadinejad recusou-se a se retratar de suas declarações contra Israel. No mesmo dia em que ele discursava em Teerã, um homem-bomba palestino explodiu em uma feira livre na cidade israelense de Hadera. Cinco pessoas morreram. A Jihad Islâmica, grupo terrorista palestino que assumiu a responsabilidade pelo ataque, é financiada pelo Irã.

 
 
 
 
topovoltar