VEJA Recomenda

Esta semana
Sumário
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

Colunas
Diogo Mainardi
Claudio de Moura e Castro
Gustavo Franco
Roberto Pompeu de Toledo

Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Para usar
VEJA Recomenda
Os mais vendidos

Arquivos VEJA
Para pesquisar nos arquivos da revista, digite uma ou mais palavras

Busca detalhada
Arquivo 1997-2000
Busca somente texto 96|97|98|99
Os mais vendidos
 

TELEVISÃO

Ciclo Catherine Deneuve (sextas às 22h, no Eurochannel) – De Brigitte Bardot a Isabelle Adjani, o que nunca faltou no cinema francês foram atrizes de grande beleza. Apenas uma delas, porém, atravessou quatro décadas mantendo-se linda. Sendo ainda por cima talentosa e versátil, não é de estranhar que a fama de Catherine Deneuve perdure tanto. Neste miniciclo há quatro bons momentos de sua carreira. A programação começa no dia 4, com o musical Os Guarda-Chuvas do Amor. Apesar de meio chato, o filme é uma chance de vê-la no auge de sua forma física, aos 21 anos. Rodado em 1967 pelo espanhol Luis Buñuel, A Bela da Tarde (dia 11) é um dos melhores papéis de Catherine: a burguesa casada e certinha que, para preencher sua existência vazia, trabalha secretamente num bordel. As atrações restantes são o épico Indochina (dia 18) e Place Vendôme (dia 25), policial que lhe valeu o prêmio de atriz no Festival de Veneza há dois anos.

 

LIVROS

Diário de um Pároco de Aldeia, de Georges Bernanos (tradução de Thereza Christina Stummer; Paulus; 285 páginas; 14 reais) – Bernanos, um dos clássicos da literatura francesa no século XX, era um democrata-cristão, no sentido mais literal do termo. Profundamente envolvido com o catolicismo, ele costumava dizer, no entanto, que a única maneira digna de servir à Igreja era manter uma postura de "absoluta independência de julgamento". Seu espírito crítico o colocou no centro de polêmicas com outras personalidades importantes de seu tempo. Durante vários anos, Bernanos levou uma vida errante, chegando inclusive a estabelecer-se no Brasil. Seus livros mais conhecidos são Sob o Sol de Satã e este vigoroso Diário de um Pároco de Aldeia, que fala de temas caros à tradição cristã como a graça, o pecado e a humildade.

Poesia, de François Villon (tradução de Sebastião Uchoa Leite; Edusp; 454 páginas; 38 reais) – Mistura de bandoleiro e poeta, François Villon foi uma das figuras mais extraordinárias da literatura européia em todos os tempos. Nascido em Paris, em 1431, ele era de família rica e chegou a freqüentar a universidade. Depois de ferir um padre numa arruaça, entretanto, precisou fugir da cidade e acabou por ligar-se a um bando de malfeitores. Por causa de seus crimes, foi condenado à morte por enforcamento, em 1463. Conseguiu escapar da sentença e nada mais se sabe dele. Algumas de suas poesias foram escritas num jargão secreto, usado no submundo. Seus textos em francês arcaico, no entanto, estão entre os mais musicais da língua. Nesta segunda edição brasileira de sua obra, a tradução de vários poemas foi melhorada, o que torna a leitura ainda mais prazerosa.

 

FILME

Divulgação
Instituto...: amor aos 40


Instituto de Beleza Vênus
(Vénus Beauté, França, 1999. Estreou nesta sexta-feira em São Paulo) – Ganhador dos principais prêmios César (o Oscar dos franceses) do ano passado, este drama se passa no mais sagrado dos refúgios femininos – um salão de beleza. A trama se concentra na esteticista Angèle, recém-entrada na casa dos 40 anos. Calejada em matéria de amores frustrados, ela desconfia de tudo o que cheire a romance duradouro, preferindo ligações rápidas (e quase sempre desastradas) com desconhecidos. Sem apelar para aquela verborragia habitual do cinema francês, o filme ganha pontos, sobretudo pela ótima interpretação de Nathalie Baye no papel principal.

 

DISCO

Fernando Lemos/Strana
Cachaça: samba de primeira

Coleção Enciclopédia Musical Brasileira, Carlos Cachaça (WEA) – Morto em 1999, aos 97 anos, o compositor Carlos Cachaça criou sambas de primeiríssima qualidade. Apesar disso, seu único registro em disco, feito na década de 70, estava esgotado havia um tempão. Boa notícia: o álbum acaba de ser relançado, dentro de uma daquelas coleções irregulares que as gravadoras lançam de tempos em tempos para reciclar o catálogo. Um dos fundadores da Mangueira, Cachaça investia em dois ingredientes que fazem falta aos pagodeiros de hoje: música e letras impecáveis. De tão belas, suas melodias encantaram até o maestro inglês Leopold Stokowski, regente do celebrado filme Fantasia, da Disney. Eis a oportunidade de conferir, na interpretação contida do próprio compositor, preciosidades como Alvorada.

 

LITERATURA BRASILEIRA

Trouxa Frouxa

Vilma Arêas
Companhia das Letras; 82 páginas; 19 reais

Na tábua de mandamentos da literatura moderna, um dos valores mais altos é certamente o da concisão. O poeta americano Ezra Pound, por exemplo, costumava afirmar peremptoriamente que "a incompetência se manifesta no uso de palavras demasiadas". Graças a esse culto da síntese, muitos textos importantes da ficção do século XX ganharam um ar enigmático, de esfinge. "Decifra-me ou te devoro", eles parecem dizer. Cabe ao leitor desfazer as elipses, preencher as lacunas, fornecer o contexto que o escritor oculta. De tanto ser repetida, no entanto, essa idéia acabou se transformando em fetiche. Pior ainda: virou desculpa para todo tipo de hermetismo que não recompensa o esforço de interpretação. Qual a fronteira entre o "texto conciso" e o "texto vazio"? Nos últimos anos, essa questão voltou a ser muito importante no Brasil. Uma leva de escritores tem praticado o gênero do microconto, ou conto mínimo. O mais conhecido é o curitibano Dalton Trevisan, que tem condensado enredos inteiros em duas ou três linhas, sem jamais permitir que eles percam força. Ele afirma que seus textos são como "picadas de agulha". Às vezes são como socos. Muitos outros autores, contudo, enveredaram pelo mesmo caminho: Nelson de Oliveira, autor de Naquela Época Tínhamos um Gato; Rodrigo Naves, autor de O Filantropo; e também Vilma Arêas, com este Trouxa Frouxa, que é sua quarta obra ficcional.

O livro de Vilma é composto de 33 textos. Alguns ocupam um par de páginas. Outros não passam de uma linha. É possível, no entanto, dividir o conjunto em dois grupos. Num deles, ficam textos preocupados em capturar sensações, atmosferas, paisagens fugidias. São exemplos o primeiro, Furo na Mácula, e o último, Praia. No segundo grupo ficam obras de caráter mais narrativo, contendo um conflito, uma situação curiosa que às vezes parece ter sido inspirada em notícias de jornal. Entre os mais interessantes encontram-se Dudu (o primeiro de quatro contos com esse mesmo título), Algaravia e Real Virtual. E é justamente nestes que os melhores resultados do trabalho de desbastamento da linguagem se encontram. Pois, neles, a concisão trabalha a serviço da dureza e da ironia, voltadas para a descrição de uma realidade bem brasileira, que o leitor acaba por reconhecer. Por trás desses textos, é possível perceber a sombra de Dalton Trevisan. E aqui talvez se desenhe a moral da história: nessas narrativas ultra-enxutas, que não abrem mão de surpreender o leitor e atingi-lo com um golpe, encontra-se o caminho que os novos cultores da concisão poderão utilizar para deixar uma marca na literatura brasileira.

Carlos Graieb

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Sulina, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Maceió: Sodiler; Recife: Sodiler, Saraiva; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Livraria Curitiba, Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Leitura, Siciliano.
Copyright 2000
Editora Abril S.A.
  VEJA on-line | Veja São Paulo | Veja Rio | Veja Recife | Guias Regionais
Edições Especiais | Site Olímpico | Especiais on-line
Arquivos | Downloads | Próxima VEJA | Fale conosco