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Roberto Loffel
David Drew Zingg: carreira eclética e paixão pelo Brasil


Morreram:
o fotógrafo e jornalista David Drew Zingg. Americano – iniciou sua carreira na rede de televisão NBC e na revista Look –, ele vivia no Brasil desde 1964. Um dos responsáveis pela difusão da bossa nova em seu país, também trabalhou nas revistas Realidade e Playboy e no jornal Folha de S.Paulo. Dia 28, aos 76 anos, de falência múltipla dos órgãos, em São Paulo.

o mais célebre poeta iraniano da atualidade, Ahmad Shamlou. Uma das principais vozes da revolução islâmica, que depôs o xá Reza Pahlevi em 1979, ele rompeu com os aiatolás e se tornou um símbolo da luta pela liberdade de expressão. Dia 24, aos 75 anos, de câncer, em Teerã.

o cineasta francês Claude Sautet. Conhecido por embutir em sua obra uma desconcertante análise da sociedade, ele teve reconhecimento internacional com As Coisas da Vida, de 1969. Em 1978, ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro por Uma História Simples. Dia 22, aos 76 anos, de câncer, em Paris.

Internada: com crise de hipertensão, Euzébia Silva de Oliveira, a Dona Zica da Mangueira, 87 anos, viúva do compositor Cartola. Já abalada com a morte recente da amiga Dona Neuma, outra figura lendária da escola de samba, ela passou mal durante o enterro de uma sobrinha. Dia 26, no Rio de Janeiro.

Assinado: contrato entre a editora Hyperion Press e o ator americano Michael J. Fox, 38 anos. Obrigado a abandonar sua carreira por causa do mal de Parkinson, ele agora vai escrever sobre sua experiência com a doença, da qual sofre há quase dez anos. Dia 25, em Nova York.

Anunciado: o nome do ex-secretário americano da Defesa Richard Cheney, 59 anos, como o vice de George W. Bush, candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos. Cheney comandou o Pentágono na Guerra do Golfo, em 1991, durante o governo de George Bush, pai do candidato. Dia 25, em Austin, Estados Unidos.

Fechou: o jornal italiano l'Unità, porta-voz do extinto Partido Comunista Italiano. Fundado pelo filósofo Antonio Gramsci, há 76 anos, chegou a vender 1 milhão de exemplares nos anos 70. Estava atualmente reduzido a 50 000 cópias e devia 35 milhões de dólares. Dia 28, em Roma.

AFP
O meia português Luis Figo: o jogador mais caro do mundo


Vendido:
o meia português Luis Figo, do Barcelona, por 56,1 milhões de dólares ao Real Madrid. Esse valor superou o recorde que havia sido estabelecido pelo argentino Hernán Crespo, comprado pelo Lazio por 54,1 milhões de dólares. Figo vai receber 4,5 milhões de dólares por ano em seu novo time. Dia 24, em Madri.

Solicitada: pela Polícia Federal a quebra de sigilo bancário do atacante Ronaldinho, da Inter de Milão. O jogador é acusado de não ter pago imposto ao entrar no país com compras feitas no Paraguai, durante a Copa América de 1999. A polícia alega que ele gastou 28 000 dólares. A cota permitida é de 150 dólares. Dia 27, em Foz do Iguaçu.


Daniele Venturelli
Pavarotti: acordo com a Receita


Firmado:
acordo entre o cantor Luciano Pavarotti, 64 anos, e o Fisco italiano. Acusado de fazer declarações de renda incompletas entre 1989 e 1991, ele se comprometeu a pagar 25 bilhões de liras (cerca de 12,5 milhões de dólares) ao Tesouro. Para escapar dos impostos, o tenor argumentava residir de forma permanente em Mônaco. Dia 26, em Roma.

Afastada: pela Justiça Federal de Brasília a diretora de fiscalização do Banco Central, Tereza Grossi. Ela é acusada de ter tirado vantagem nas operações de salvamento dos bancos Marka e FonteCindam e negociado com o ex-banqueiro Salvatore Cacciola. Dia 28, em Brasília.


Reuters
Jennifer Aniston e Brad Pitt: casamento confirmado, finalmente


Confirmado:
o casamento dos atores americanos Brad Pitt, 36 anos, e Jennifer Aniston, 31. O porta-voz do casal declarou que a cerimônia estava marcada para o final de semana, mas não especificou data nem local. Durante as últimas semanas, rumores sobre a troca de alianças vinham sendo desmentidos. Dia 27, em Los Angeles.

Descobertas: no centro de João Pessoa, ruínas de uma fortaleza erguida no século XVI por portugueses e espanhóis. Os escombros da construção foram encontrados durante as obras de restauração de uma igreja. Segundo arqueólogos, a descoberta é uma das mais importantes no país nas últimas décadas. Dia 26, em João Pessoa.

Apresentou recurso: à Suprema Corte dos Estados Unidos a Microsoft. Na tentativa de impedir a divisão da empresa, ordenada pelo juiz federal Thomas Penfield Jackson, os advogados da Microsoft estão pedindo que o caso seja enviado a um tribunal federal de apelações. Dia 26, em Washington.

 

Música fora do ar

Reuters
Shawn Fanning: difícil saber qual música tem dono


A indústria fonográfica americana
conseguiu sua primeira vitória na batalha que trava com a Napster, fabricante do programa que permite a troca de música no formato MP3 pela internet. A empresa foi condenada, na quarta-feira passada, a apagar de seus servidores os registros de todas as gravações protegidas pela lei de direitos autorais. A decisão obrigaria a suspensão temporária do serviço, pois, como disse Shawn Fanning, um dos donos da Napster, é difícil determinar quais músicas estão nessa condição. Estima-se que elas cheguem a 87% das canções trocadas por meio do programa. A juíza que aprecia o caso considerou que o programa estimula a pirataria. Na noite de sexta-feira, dois juízes da Califórnia concederam liminar para a Napster seguir operando. A guerra continua.


Mestre da tradução


Oscar Cabral
José Lino: traduções, versos e tango


O carioca José Lino Grünewald sabia traduzir poemas como pouca gente. Graças a ele, foi possível ler no Brasil algumas das obras mais importantes da literatura moderna, como se, desde o começo, elas tivessem sido escritas em português. O melhor exemplo são os 120 dificílimos Cantos, do americano Ezra Pound. Grünewald os traduziu por completo. Ganhou um Prêmio Jabuti pela façanha. Além de traduzir, ele próprio fazia versos. Foi um concretista de primeira hora e, do Rio de Janeiro, ajudou os paulistas Augusto de Campos, Haroldo de Campos e Décio Pignatari a divulgar seu movimento de vanguarda pelo país e pelo mundo. Como tantos escritores brasileiros, Grünewald encontrou no serviço público a tranqüilidade de que precisava para ler e criar. Ele foi procurador federal. Outra atividade que lhe dava imenso prazer era o jornalismo. Fez muita crítica de livros e de filmes. Assim como na literatura, preferia os experimentadores no cinema: ajudou a divulgar por aqui diretores como Godard e Alain Resnais. Só mesmo na música seu gosto era tradicional. Apaixonado pelo tango argentino, dedicou-lhe um livro, Carlos Gardel, Lunfardo e Tango. Era um bom papo. E um bom copo. Os amigos o descreviam como um homem cordial. "Juntamente com Mário Faustino, que morreu nos anos 60, ele é a maior perda literária de minha geração", afirmou na semana passada o poeta Augusto de Campos. José Lino Grünewald morreu no dia 27 de julho, vitimado por uma embolia pulmonar. Tinha 69 anos.

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