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Televisão
Fora
do tom
Como
o público bagunçou
o coreto de American Idol

Sérgio Martins
AP
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| Os
jurados Simon Cowell, Paula Abdul e Randy Jackson: implacáveis
com os desafinados |
Há
formatos que não morrem na televisão. O show de calouros,
por exemplo. A TV o utiliza desde os seus primórdios, com
pequenas modificações no correr do tempo. Sua última
encarnação é o programa American Idol,
que faz sucesso há dois anos nos Estados Unidos e no Brasil
é exibido pelo canal pago Sony. Lá estão os
ingredientes clássicos desse tipo de atração:
um batalhão de aspirantes a cantor e um grupo de jurados
engraçados, que destroçam os desafinados e encorajam
os talentosos. A novidade de American Idol é o fato
de ele utilizar alguns elementos de reality show. Sua primeira fase
é uma maratona em que até os aspirantes mais estapafúrdios
têm vez (neste ano, um deles era tão ruim que deu sorte:
depois de sua ridícula apresentação, foi convidado
a lançar um disco-piada). Na segunda fase de eliminatórias,
os candidatos não enfrentam apenas o veneno dos jurados,
mas também o público, que vota por telefone. E foi
aí que as coisas se complicaram nas últimas duas semanas
da atual edição de American Idol.
O
problema começou quando Jasmine Triars, uma havaiana de 17
anos, ganhou a semifinal do programa. Jasmine foi péssima,
sobretudo comparada à concorrente La Toya London, mas levou
a melhor na eleição do público, graças
a uma participação maciça de seus conterrâneos.
Os jurados ficaram indignados, por julgar que a decisão subvertia
a lógica do show. Para piorar, ainda houve quem dissesse
na mídia americana que La Toya se deu mal por ser negra.
Ou seja, foi alvo de racismo. E assim a votação aberta,
que sempre foi um trunfo de American Idol, por resultar em
até 20 milhões de telefonemas semanais, virou uma
batata quente.
Em
tese, polêmicas são boas para shows de TV. A questão
é que American Idol foi bolado para premiar pessoas
pelo talento (ao contrário de um Big Brother, por
exemplo), e não pela cor ou pela origem. A intenção
não é filantrópica. Há dinheiro na história,
para o artista revelado e para a produção do show.
O primeiro colocado lança um disco, que tende a vender muito
bem nos Estados Unidos (foi o que ocorreu nas duas edições
anteriores). Se o programa premiar maus cantores, a engrenagem emperra.
E, como ficou claro agora, há ocasiões em que o público
bagunça o coreto. A finalíssima de American Idol
foi exibida nos Estados Unidos na semana passada. Neste fim
de semana, os brasileiros assistiriam à semifinal entre Jasmine
Triars e as concorrentes Fantasia Barrino (outra negra) e Diana
DeGarmo. Em nome dos fãs nacionais do programa, fica o suspense.
Tudo indica, porém, que, se American Idol tiver uma
nova temporada, os métodos de decisão serão
mudados.
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