Edição 1856 . 2 de junho de 2004

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Televisão
Fora do tom

Como o público bagunçou
o coreto de American Idol


Sérgio Martins



AP
Os jurados Simon Cowell, Paula Abdul e Randy Jackson: implacáveis com os desafinados

Há formatos que não morrem na televisão. O show de calouros, por exemplo. A TV o utiliza desde os seus primórdios, com pequenas modificações no correr do tempo. Sua última encarnação é o programa American Idol, que faz sucesso há dois anos nos Estados Unidos e no Brasil é exibido pelo canal pago Sony. Lá estão os ingredientes clássicos desse tipo de atração: um batalhão de aspirantes a cantor e um grupo de jurados engraçados, que destroçam os desafinados e encorajam os talentosos. A novidade de American Idol é o fato de ele utilizar alguns elementos de reality show. Sua primeira fase é uma maratona em que até os aspirantes mais estapafúrdios têm vez (neste ano, um deles era tão ruim que deu sorte: depois de sua ridícula apresentação, foi convidado a lançar um disco-piada). Na segunda fase de eliminatórias, os candidatos não enfrentam apenas o veneno dos jurados, mas também o público, que vota por telefone. E foi aí que as coisas se complicaram nas últimas duas semanas da atual edição de American Idol.

O problema começou quando Jasmine Triars, uma havaiana de 17 anos, ganhou a semifinal do programa. Jasmine foi péssima, sobretudo comparada à concorrente La Toya London, mas levou a melhor na eleição do público, graças a uma participação maciça de seus conterrâneos. Os jurados ficaram indignados, por julgar que a decisão subvertia a lógica do show. Para piorar, ainda houve quem dissesse na mídia americana que La Toya se deu mal por ser negra. Ou seja, foi alvo de racismo. E assim a votação aberta, que sempre foi um trunfo de American Idol, por resultar em até 20 milhões de telefonemas semanais, virou uma batata quente.

Em tese, polêmicas são boas para shows de TV. A questão é que American Idol foi bolado para premiar pessoas pelo talento (ao contrário de um Big Brother, por exemplo), e não pela cor ou pela origem. A intenção não é filantrópica. Há dinheiro na história, para o artista revelado e para a produção do show. O primeiro colocado lança um disco, que tende a vender muito bem nos Estados Unidos (foi o que ocorreu nas duas edições anteriores). Se o programa premiar maus cantores, a engrenagem emperra. E, como ficou claro agora, há ocasiões em que o público bagunça o coreto. A finalíssima de American Idol foi exibida nos Estados Unidos na semana passada. Neste fim de semana, os brasileiros assistiriam à semifinal entre Jasmine Triars e as concorrentes Fantasia Barrino (outra negra) e Diana DeGarmo. Em nome dos fãs nacionais do programa, fica o suspense. Tudo indica, porém, que, se American Idol tiver uma nova temporada, os métodos de decisão serão mudados.

 
 
 
 
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