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Olimpíadas
Mudanças no pódio
Escândalos
de doping promovem
trocas de medalhas anos depois
das competições
Wander Roberto/COB/divulgação
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| Os
brasileiros no Pan: prata que virou ouro |
É
difícil fazer apostas sobre quem ganhará as medalhas
mais disputadas nas próximas Olimpíadas. Mas é
certo que alguns dos vencedores não ficarão muito
tempo com elas. Escândalos de doping vêm alterando cada
vez mais o resultado de competições esportivas realizadas
muitos meses ou até anos antes. O caso mais recente envolve
a maior estrela do atletismo americano, Marion Jones, cinco vezes
medalhista nos Jogos de Sydney, em 2000. Sob suspeita de relações
com um laboratório que fornecia substâncias proibidas,
ela se diz inocente, mas na semana passada seus advogados admitiram
a existência de evidências que podem comprometer sua
carreira.
Esse
novo escândalo começou por outra supercampeã
americana, Kelli White, ouro nos 100 e nos 200 metros rasos no Mundial
de Atletismo do ano passado, em Paris. No último dia 19,
a agência antidoping dos Estados Unidos decidiu cancelar todos
os resultados de Kelli White desde 15 de dezembro de 2000. Isso
significa que outras atletas receberão as medalhas tiradas
de Kelli, em alguns casos, três anos depois do encerramento
das provas. Uma comissão do Senado americano descobriu documentos
que relacionavam a atleta com doping, e ela confessou culpa. Há
a possibilidade de que casos assim também ocorram em Atenas,
em agosto, o que deixará em dúvida qualquer resultado
dos Jogos.
Revisões
em resultados esportivos têm beneficiado indiretamente atletas
brasileiros. Dois casos de doping de um atleta americano
e de outro inglês permitiram a competidores nacionais
subir um degrau no pódio do revezamento 4 x 100 metros nos
Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo e no Mundial de Atletismo.
Basta um dos quatro membros do revezamento estar dopado para que
toda a equipe seja desclassificada. No Pan, o quarteto brasileiro
passou de prata para ouro; no Mundial, de bronze para prata. As
duas competições foram realizadas no ano passado,
mas as trocas só foram anunciadas há algumas semanas.
"Já tinha até esquecido essa medalha", diz André
Domingos, um dos integrantes do time nacional.
Outras
duas medalhas trocaram de pescoço em favor de brasileiros
desde o Pan de setembro passado, uma no atletismo e outra no remo.
Essas mudanças tardias no quadro de medalhas se devem em
parte à lentidão dos tribunais esportivos, que, como
na Justiça comum, permitem recursos aos condenados. "Um ou
dois anos é um tempo muito grande", reconhece Eduardo De
Rose, brasileiro da comissão médica do Comitê
Olímpico Internacional. O Tribunal de Arbitragem do Esporte
levou dois anos para desclassificar dois esquiadores, um espanhol
e um russo, que haviam conquistado medalhas de ouro nas Olimpíadas
de Inverno de 2002. Nem sempre essas correções parecem
suficientes: a russa Anastásia Kapachinskaia, que herdou
de Kelli White um ouro do Mundial de Atletismo, foi pega recentemente
em um teste antidoping.
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