Edição 1856 . 2 de junho de 2004

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Medicina
Prevenção desde a infância

Com o aumento dos casos de hipertensão
infantil, os pediatras incluem a medida de
pressão arterial nos exames de rotina


Anna Paula Buchalla

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A recomendação partiu da Sociedade Americana de Hipertensão – a partir de agora, os médicos pediatras devem medir a pressão arterial dos pacientes com mais de 4 anos de idade. As novas diretrizes foram divulgadas num encontro recente de especialistas em Nova York e serão publicadas na edição de julho da revista científica Pediatrics. O zelo se explica. Nos últimos dez anos, detectou-se um aumento significativo dos níveis de pressão arterial em crianças e jovens. E esse é um caminho para o desenvolvimento da hipertensão, um dos principais fatores de risco para o coração, ao lado do colesterol alto e do diabetes. Pesquisas mostram que 80% das crianças com níveis de pressão acima do desejável, ou seja, a partir de 12 por 8, têm grande probabilidade de se tornar adultos hipertensos. "Até pouco tempo atrás, acreditava-se que a hipertensão infantil era rara. Hoje já se sabe que ela é bastante comum", diz o cardiologista Flávio Cure, pesquisador da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Por trás do aumento dos níveis de pressão arterial nas crianças estão o excesso de peso e o sedentarismo. Nos Estados Unidos, a porcentagem de meninas e meninos gordinhos, entre 6 e 11 anos, triplicou desde os anos 60. Uma em cada sete crianças é obesa, ou seja, está no mínimo 25% acima do peso ideal. No Brasil, estima-se que esse número seja o mesmo – as mães brasileiras adoram entupir seus filhos de farináceos e açúcar, na crença de que gordura é sinônimo de saúde. Para esses casos, não há estratégia melhor do que orientar os pais a incentivar mudanças na alimentação e nos hábitos do dia-a-dia dos seus filhos. No entanto, em 5% a 10% das ocorrências, a hipertensão é sintoma de algum distúrbio, como alterações hormonais ou doenças cardíacas e renais congênitas. A saída são os tratamentos medicamentosos. Desde que a Food and Drug Administration, agência de controle de venda de alimentos e remédios nos Estados Unidos, autorizou estudos clínicos com crianças, os médicos estão mais seguros em prescrever remédios anti-hipertensivos para elas.

As novas recomendações americanas, que certamente serão seguidas pelos pediatras brasileiros, só foram possíveis graças a um estudo de quase vinte anos, que acompanhou milhares de crianças de 1977 a 1996. Com base nos dados, os pesquisadores puderam definir a pressão ideal por idade, sexo e faixa etária. De maneira geral, meninas e meninos devem ter uma média de 11 por 7. Cerca de 20% das crianças que moram nos grandes centros urbanos, no entanto, apresentam uma pressão arterial de 12 por 8 para cima. Esse número se refere aos Estados Unidos, mas os especialistas acreditam que por aqui não seja muito diferente.

 
 
 
 
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