|
|
Medicina
Prevenção
desde a infância
Com
o aumento dos casos de hipertensão
infantil, os pediatras incluem a medida de
pressão arterial nos exames de rotina

Anna Paula Buchalla
A
recomendação partiu da Sociedade Americana de Hipertensão
a partir de agora, os médicos pediatras devem medir
a pressão arterial dos pacientes com mais de 4 anos de idade.
As novas diretrizes foram divulgadas num encontro recente de especialistas
em Nova York e serão publicadas na edição de
julho da revista científica Pediatrics. O zelo se
explica. Nos últimos dez anos, detectou-se um aumento significativo
dos níveis de pressão arterial em crianças
e jovens. E esse é um caminho para o desenvolvimento da hipertensão,
um dos principais fatores de risco para o coração,
ao lado do colesterol alto e do diabetes. Pesquisas mostram que
80% das crianças com níveis de pressão acima
do desejável, ou seja, a partir de 12 por 8, têm grande
probabilidade de se tornar adultos hipertensos. "Até pouco
tempo atrás, acreditava-se que a hipertensão infantil
era rara. Hoje já se sabe que ela é bastante comum",
diz o cardiologista Flávio Cure, pesquisador da Universidade
do Estado do Rio de Janeiro.
Por
trás do aumento dos níveis de pressão arterial
nas crianças estão o excesso de peso e o sedentarismo.
Nos Estados Unidos, a porcentagem de meninas e meninos gordinhos,
entre 6 e 11 anos, triplicou desde os anos 60. Uma em cada sete
crianças é obesa, ou seja, está no mínimo
25% acima do peso ideal. No Brasil, estima-se que esse número
seja o mesmo as mães brasileiras adoram entupir seus
filhos de farináceos e açúcar, na crença
de que gordura é sinônimo de saúde. Para esses
casos, não há estratégia melhor do que orientar
os pais a incentivar mudanças na alimentação
e nos hábitos do dia-a-dia dos seus filhos. No entanto, em
5% a 10% das ocorrências, a hipertensão é sintoma
de algum distúrbio, como alterações hormonais
ou doenças cardíacas e renais congênitas. A
saída são os tratamentos medicamentosos. Desde que
a Food and Drug Administration, agência de controle de venda
de alimentos e remédios nos Estados Unidos, autorizou estudos
clínicos com crianças, os médicos estão
mais seguros em prescrever remédios anti-hipertensivos para
elas.
As
novas recomendações americanas, que certamente serão
seguidas pelos pediatras brasileiros, só foram possíveis
graças a um estudo de quase vinte anos, que acompanhou milhares
de crianças de 1977 a 1996. Com base nos dados, os pesquisadores
puderam definir a pressão ideal por idade, sexo e faixa etária.
De maneira geral, meninas e meninos devem ter uma média de
11 por 7. Cerca de 20% das crianças que moram nos grandes
centros urbanos, no entanto, apresentam uma pressão arterial
de 12 por 8 para cima. Esse número se refere aos Estados
Unidos, mas os especialistas acreditam que por aqui não seja
muito diferente.
|