|
|
Automóveis
No
tanque, álcool e gasolina
As
vendas dos carros bicombustíveis
crescem e já ganham espaço dos 1.0

Gustavo
Poloni
Ricardo Hirae/Lafstudio
 |
| 99,72%
dos Fox vendidos neste ano são bicombustíveis
|
Sete
em cada dez automóveis vendidos nas concessionárias
brasileiras têm motor 1.0. O reinado do carro popular ainda
é absoluto, mas um concorrente de peso começa a ganhar
a preferência dos consumidores: os veículos flex fuel,
aqueles capazes de rodar com álcool, gasolina ou uma mistura
dos dois, cujas vendas dispararam em 2004. Segundo dados da Associação
Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea),
dos 420.600 carros novos que chegaram
às ruas brasileiras nos primeiros quatro meses deste ano,
71 200 são bicombustíveis ou 17% do total.
Dos 11 287 Fox, da Volkswagen, vendidos de janeiro a abril, só
31 são do sistema tradicional, a gasolina. No ano passado,
o modelo 1.0 do Palio, da Fiat, correspondia a 90% das vendas de
todos os Palio. Hoje, de cada dez Palio vendidos, três trazem
o novo 1.3 Flex. O padrão se repete na GM: 17% de todos os
Corsa vendidos são do modelo Flexpower com motor 1.8.
Escolher
à vontade o combustível que será colocado no
tanque é um atrativo e tanto para quem vai comprar um carro.
Com o preço do álcool em média 45% mais baixo
que o da gasolina, a conta sai mais barata. Se o álcool começar
a faltar nos postos a maior preocupação de
todo dono de carro a álcool , é só completar
com gasolina. E vice-versa. A comodidade não custa mais caro,
pois o preço do carro é o mesmo de seu similar convencional.
A Volks oferece a opção flex fuel em vários
modelos o Gol, a Parati e a Saveiro, além do Fox,
é claro que também podem ser comprados a gasolina.
"Nos próximos dois a três anos, toda a frota da Volks
será Totalflex", diz Paulo Sérgio Kakinoff, diretor
de vendas e de marketing da empresa. A van Meriva 1.8, a pick-up
Montana 1.8, o Zafira 2.0 e o Corsa 1.8 são fabricados pela
GM só na versão bicombustível. A Fiat tem outros
modelos Flex em sua frota: o Siena 1.3 e 1.8, o Strada 1.8 e a Palio
Weekend 1.3 e 1.8.
Fotos divulgação
 |
gação
 |
| 30%
dos Palio vendidos neste ano são bicombustíveis
|
17%
dos Corsa vendidos neste ano são bicombustíveis
|
O motor
bicombustível é uma solução original
para uma excentricidade brasileira, a existência de uma frota
movida a álcool. Ainda é cedo, contudo, para saber
se vai conquistar o consumidor nacional. A tecnologia flex fuel
(combustível flexível, em inglês) foi desenvolvida
pela Bosch e pela Magneti Marelli, fabricantes de injeção
eletrônica, em parceria com as montadoras. Consiste basicamente
em sensores instalados nos tanques, capazes de identificar o combustível
e repassar a informação para a injeção
do carro, que se adapta para funcionar com a combinação.
Um motor a gasolina ou a álcool é regulado de forma
a aproveitar ao máximo a queima do combustível. Quando
precisa queimar álcool e gasolina ou os dois juntos
em proporções aleatórias , a regulagem
é intermediária, não atingindo rendimento máximo.
O resultado é alguma perda de potência, mas as fábricas
já trataram de evitá-la fazendo ajustes no motor.
Nos
Estados Unidos, depois de anos de tentativas frustradas, parece
que finalmente os carros híbridos, equipados com um motor
elétrico e outro a gasolina, começaram a cair no gosto
do consumidor. As vendas do Toyota Prius, o primeiro a ser lançado,
em 1997, devem dobrar em relação ao ano passado. Hoje,
cerca de 120.000 híbridos circulam
nas ruas americanas. Em 2007, 1 milhão deles devem sair das
linhas de montagem das montadoras. A popularização
dos híbridos pode ser atribuída a três fatores.
Um deles é a chegada às lojas de uma frota de carros
médios e de um utilitário esportivo, o Ford Escape
Hybrid. São veículos com a potência, o desempenho
e o tamanho que os americanos preferem. Outro é o selo de
ecologicamente corretos que recebem. Segundo a Ford, que espera
vender 40.000 híbridos em um ano,
a emissão de poluentes do Espace é quase zero. O derradeiro
fator está no bolso. O galão de gasolina nos Estados
Unidos aumentou 33% nos últimos doze meses e ultrapassou
a marca de 2 dólares. Econômico, o Escape faz 16,1
quilômetros com apenas 1 litro de gasolina. Mas o preço
da tecnologia é alto. Os híbridos custam em média
2.500 dólares mais que os similares
convencionais e não devem chegar ao Brasil tão cedo.
É um valor alto demais para um mercado em que o que mais
conta ainda é o preço baixo.
|