Edição 1856 . 2 de junho de 2004

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Automóveis
No tanque, álcool e gasolina

As vendas dos carros bicombustíveis
crescem e já ganham espaço dos 1.0


Gustavo Poloni


Ricardo Hirae/Lafstudio
99,72% dos Fox vendidos neste ano são bicombustíveis

NESTA REPORTAGEM
Quadro: Como funciona o híbrido
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Sete em cada dez automóveis vendidos nas concessionárias brasileiras têm motor 1.0. O reinado do carro popular ainda é absoluto, mas um concorrente de peso começa a ganhar a preferência dos consumidores: os veículos flex fuel, aqueles capazes de rodar com álcool, gasolina ou uma mistura dos dois, cujas vendas dispararam em 2004. Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), dos 420.600 carros novos que chegaram às ruas brasileiras nos primeiros quatro meses deste ano, 71 200 são bicombustíveis – ou 17% do total. Dos 11 287 Fox, da Volkswagen, vendidos de janeiro a abril, só 31 são do sistema tradicional, a gasolina. No ano passado, o modelo 1.0 do Palio, da Fiat, correspondia a 90% das vendas de todos os Palio. Hoje, de cada dez Palio vendidos, três trazem o novo 1.3 Flex. O padrão se repete na GM: 17% de todos os Corsa vendidos são do modelo Flexpower com motor 1.8.

Escolher à vontade o combustível que será colocado no tanque é um atrativo e tanto para quem vai comprar um carro. Com o preço do álcool em média 45% mais baixo que o da gasolina, a conta sai mais barata. Se o álcool começar a faltar nos postos – a maior preocupação de todo dono de carro a álcool –, é só completar com gasolina. E vice-versa. A comodidade não custa mais caro, pois o preço do carro é o mesmo de seu similar convencional. A Volks oferece a opção flex fuel em vários modelos – o Gol, a Parati e a Saveiro, além do Fox, é claro – que também podem ser comprados a gasolina. "Nos próximos dois a três anos, toda a frota da Volks será Totalflex", diz Paulo Sérgio Kakinoff, diretor de vendas e de marketing da empresa. A van Meriva 1.8, a pick-up Montana 1.8, o Zafira 2.0 e o Corsa 1.8 são fabricados pela GM só na versão bicombustível. A Fiat tem outros modelos Flex em sua frota: o Siena 1.3 e 1.8, o Strada 1.8 e a Palio Weekend 1.3 e 1.8.


Fotos divulgação
gação
30% dos Palio vendidos neste ano são bicombustíveis 17% dos Corsa vendidos neste ano são bicombustíveis

O motor bicombustível é uma solução original para uma excentricidade brasileira, a existência de uma frota movida a álcool. Ainda é cedo, contudo, para saber se vai conquistar o consumidor nacional. A tecnologia flex fuel (combustível flexível, em inglês) foi desenvolvida pela Bosch e pela Magneti Marelli, fabricantes de injeção eletrônica, em parceria com as montadoras. Consiste basicamente em sensores instalados nos tanques, capazes de identificar o combustível e repassar a informação para a injeção do carro, que se adapta para funcionar com a combinação. Um motor a gasolina ou a álcool é regulado de forma a aproveitar ao máximo a queima do combustível. Quando precisa queimar álcool e gasolina – ou os dois juntos em proporções aleatórias –, a regulagem é intermediária, não atingindo rendimento máximo. O resultado é alguma perda de potência, mas as fábricas já trataram de evitá-la fazendo ajustes no motor.

Nos Estados Unidos, depois de anos de tentativas frustradas, parece que finalmente os carros híbridos, equipados com um motor elétrico e outro a gasolina, começaram a cair no gosto do consumidor. As vendas do Toyota Prius, o primeiro a ser lançado, em 1997, devem dobrar em relação ao ano passado. Hoje, cerca de 120.000 híbridos circulam nas ruas americanas. Em 2007, 1 milhão deles devem sair das linhas de montagem das montadoras. A popularização dos híbridos pode ser atribuída a três fatores. Um deles é a chegada às lojas de uma frota de carros médios e de um utilitário esportivo, o Ford Escape Hybrid. São veículos com a potência, o desempenho e o tamanho que os americanos preferem. Outro é o selo de ecologicamente corretos que recebem. Segundo a Ford, que espera vender 40.000 híbridos em um ano, a emissão de poluentes do Espace é quase zero. O derradeiro fator está no bolso. O galão de gasolina nos Estados Unidos aumentou 33% nos últimos doze meses e ultrapassou a marca de 2 dólares. Econômico, o Escape faz 16,1 quilômetros com apenas 1 litro de gasolina. Mas o preço da tecnologia é alto. Os híbridos custam em média 2.500 dólares mais que os similares convencionais e não devem chegar ao Brasil tão cedo. É um valor alto demais para um mercado em que o que mais conta ainda é o preço baixo.

 
 
 
 
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