Edição 1856 . 2 de junho de 2004

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Realeza
Reinado sombrio

Acuada no palácio, a princesa
Masako, do Japão, cai em depressão


Okky de Souza


Reuters
Masako e o príncipe Naruhito: telefonemas e dinheiro controlados

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Quando o príncipe Naruhito, herdeiro do trono do Japão, se casou com a princesa Masako, em 1993, muitos de seus súditos alimentaram a esperança de que ela se tornasse uma nova lady Diana. Na época, a princesa de Gales empolgava o mundo com seu charme, e Masako, então uma diplomata de carreira educada na Inglaterra e nos Estados Unidos, adepta de esportes e fluente em seis idiomas, talvez trouxesse algum brilho e glamour à circunspecta corte de seu país. Não foi o que ocorreu. Obrigada a abandonar a profissão e a seguir a rígida cartilha de comportamento ditada pela casa imperial, Masako viu aos poucos sua vida se transformar num pesadelo – que ultimamente se tornou mais aterrorizante. Há cinco meses ela não participa de cerimônias protocolares junto com o marido. Segundo a versão oficial, ela se recupera de um tipo de herpes que provoca bolhas dolorosas na pele. De acordo com fontes ligadas ao casal imperial, Masako ainda convalesce de um colapso nervoso causado por longos anos de stress, o que lhe provoca dores de cabeça e vertigens.


AP
No dia do casamento: adeus à vida de cidadã do mundo

Há duas semanas, numa entrevista coletiva que caiu como uma bomba nos corredores palacianos, o próprio príncipe Naruhito confirmou a versão do colapso. Antes de embarcar para a Europa, onde compareceu aos casamentos dos príncipes da Espanha e da Dinamarca, ele justificou a ausência da esposa na comitiva dizendo que ela ficou "completamente exausta" tentando se adaptar à vida de princesa. "Na verdade", continuou o príncipe, "iniciativas que partiram da casa imperial acabaram com a carreira de Masako e anularam sua personalidade." Nunca antes na história alguém da realeza tinha ousado falar com tal franqueza da intimidade da família imperial. As tensões entre Masako e a burocracia palaciana começaram pouco depois do casamento, por sua demora em gerar um herdeiro real. Ela levou seis anos para engravidar e, após poucas semanas, abortou. Finalmente, depois de um tratamento para fertilidade, ela deu à luz a princesa Aiko, hoje com 2 anos. A Casa Imperial torceu o nariz para o bebê porque, pela tradição e pela lei, só herdeiros homens podem ocupar o trono. Caso a princesa não gere um varão, a dinastia mais antiga do mundo – chamada de Trono do Crisântemo, no poder há 126 gerações – será interrompida.

A infelicidade da princesa também foi se acumulando por causa das regras incrivelmente rígidas a que o casal imperial é obrigado a se submeter. Naruhito e Masako não podem ter vida social fora do palácio nem receber amigos de improviso. Não possuem telefones particulares: as ligações têm de ser feitas e recebidas por uma equipe de funcionários. Eles também não dispõem de dinheiro próprio: os gastos cotidianos são bancados pelo Estado, mas tudo tem de ser discriminado. Até hoje, em poucas ocasiões a princesa recebeu permissão para viajar ao exterior. Alega-se que os assuntos oficiais a distrairiam de sua principal missão: gerar um futuro imperador. Diante de tudo isso, para Masako, o trono se tornou uma cadeira de espinhos.

 
 
 
 
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