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Realeza
Reinado
sombrio
Acuada
no palácio, a princesa
Masako, do Japão, cai em depressão

Okky
de Souza
Reuters
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| Masako
e o príncipe Naruhito: telefonemas e dinheiro controlados
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Quando
o príncipe Naruhito, herdeiro do trono do Japão, se
casou com a princesa Masako, em 1993, muitos de seus súditos
alimentaram a esperança de que ela se tornasse uma nova lady
Diana. Na época, a princesa de Gales empolgava o mundo com
seu charme, e Masako, então uma diplomata de carreira educada
na Inglaterra e nos Estados Unidos, adepta de esportes e fluente
em seis idiomas, talvez trouxesse algum brilho e glamour à
circunspecta corte de seu país. Não foi o que ocorreu.
Obrigada a abandonar a profissão e a seguir a rígida
cartilha de comportamento ditada pela casa imperial, Masako viu
aos poucos sua vida se transformar num pesadelo que ultimamente
se tornou mais aterrorizante. Há cinco meses ela não
participa de cerimônias protocolares junto com o marido. Segundo
a versão oficial, ela se recupera de um tipo de herpes que
provoca bolhas dolorosas na pele. De acordo com fontes ligadas ao
casal imperial, Masako ainda convalesce de um colapso nervoso causado
por longos anos de stress, o que lhe provoca dores de cabeça
e vertigens.
AP
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| No
dia do casamento: adeus à vida de cidadã do mundo |
Há
duas semanas, numa entrevista coletiva que caiu como uma bomba nos
corredores palacianos, o próprio príncipe Naruhito
confirmou a versão do colapso. Antes de embarcar para a Europa,
onde compareceu aos casamentos dos príncipes da Espanha e
da Dinamarca, ele justificou a ausência da esposa na comitiva
dizendo que ela ficou "completamente exausta" tentando se adaptar
à vida de princesa. "Na verdade", continuou o príncipe,
"iniciativas que partiram da casa imperial acabaram com a carreira
de Masako e anularam sua personalidade." Nunca antes na história
alguém da realeza tinha ousado falar com tal franqueza da
intimidade da família imperial. As tensões entre Masako
e a burocracia palaciana começaram pouco depois do casamento,
por sua demora em gerar um herdeiro real. Ela levou seis anos para
engravidar e, após poucas semanas, abortou. Finalmente, depois
de um tratamento para fertilidade, ela deu à luz a princesa
Aiko, hoje com 2 anos. A Casa Imperial torceu o nariz para o bebê
porque, pela tradição e pela lei, só herdeiros
homens podem ocupar o trono. Caso a princesa não gere um
varão, a dinastia mais antiga do mundo chamada de
Trono do Crisântemo, no poder há 126 gerações
será interrompida.
A
infelicidade da princesa também foi se acumulando por causa
das regras incrivelmente rígidas a que o casal imperial é
obrigado a se submeter. Naruhito e Masako não podem ter vida
social fora do palácio nem receber amigos de improviso. Não
possuem telefones particulares: as ligações têm
de ser feitas e recebidas por uma equipe de funcionários.
Eles também não dispõem de dinheiro próprio:
os gastos cotidianos são bancados pelo Estado, mas tudo tem
de ser discriminado. Até hoje, em poucas ocasiões
a princesa recebeu permissão para viajar ao exterior. Alega-se
que os assuntos oficiais a distrairiam de sua principal missão:
gerar um futuro imperador. Diante de tudo isso, para Masako, o trono
se tornou uma cadeira de espinhos.
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