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Cidades
O
dono de Moscou
Prefeito
russo usa cargo para enriquecer a
esposa proprietária de uma empreiteira

Diogo
Schelp
AP
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| Iuri
Luskov: 400 prédios históricos destruídos em doze anos de prefeitura
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Moscou, que uma década atrás não tinha ricos,
hoje é a cidade com maior número de bilionários.
São 33, contra os 31 que vivem em Nova York, segundo lista
elaborada pela versão russa da revista americana Forbes.
A única mulher da lista é Elena Baturina, de 41 anos,
com 1,1 bilhão de dólares. A riqueza foi acumulada
graças aos bons serviços que sua empreiteira, a Inteko,
presta à prefeitura moscovita. Ou, talvez se deva dizer,
a fortuna é a decorrência natural do fato de o marido
de Elena, Iuri Luskov, ser o prefeito de Moscou há doze anos
e lhe entregar as melhores obras municipais. Ela fundou a Inteko
um ano antes de Luskov ser eleito, em 1992. Em 1995, ele mandou
renovar o maior estádio esportivo da cidade. A Inteko foi
contratada para fornecer os bancos de plástico da arquibancada.
No ano passado, metade da área construída em Moscou
foi feita pelas empresas de Elena. Em fevereiro deste ano, o teto
de um parque de diversões que pertencia à Inteko desabou,
matando 36 pessoas.
Um
dos políticos mais importantes da Rússia, Luskov administra
a cidade como se fosse sua propriedade particular. Graças
à herança do comunismo, a prefeitura é dona
da maior parte da rede hoteleira e tem sociedade em lojas e restaurantes,
inclusive 20% das lanchonetes McDonald's. Também é
proprietária dos principais imóveis da cidade. Nas
mãos de Luskov, esse patrimônio tornou-se uma verdadeira
mina de ouro. A pretexto de que os edifícios ameaçam
desabar, o prefeito toca um curioso projeto arquitetônico.
Consiste em destruir o prédio e reconstruir no lugar uma
réplica. Desde que assumiu o cargo, Luskov também
autorizou a demolição de 400 prédios de reconhecido
valor arquitetônico, quarenta deles tombados pelo patrimônio
histórico, no lugar dos quais foram erguidos empreendimentos
comerciais.
Reuters
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| Elena
Baturina: contratos casados |
Em sete décadas de comunismo, foram destruídos 2.000
exemplares da rica arquitetura moscovita, principalmente igrejas,
substituídas pelas cinzentas e megalomaníacas construções
soviéticas. Luskov não fez diferente. Em sua administração,
um complexo de igrejas do século XVII, que havia sobrevivido
à era comunista, foi demolido e substituído por um
centro de negócios. Em março, um incêndio misterioso
destruiu um prédio vizinho ao Kremlin, cuja demolição
tinha sido proibida pelo Ministério da Cultura. O presidente
Vladimir Putin aproveitou o episódio para iniciar uma campanha
pela renúncia de Luskov. O amontoado de escândalos
não abala a popularidade do prefeito, que recebeu 70% dos
votos nas últimas eleições municipais e tem
mandato até 2007. "A corrupção é tão
disseminada na Rússia que os eleitores partem do princípio
de que todos os políticos são desonestos", disse a
VEJA o especialista em economia e política russas Marshall
Goldman, professor da Universidade Harvard, nos Estados Unidos.
"E, como os moscovitas acreditam que Luskov é o responsável
pelo fato de Moscou ser a cidade mais desenvolvida do país,
eles o apóiam sempre."
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