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Brasil
A eleição que o
PT
não pode perder
O
pleito municipal de
outubro ganhou
uma cara de plebiscito do governo Lula
e vencer é a ordem do Planalto

Leandra
Peres
É
natural que o PT atribua importância decisiva à eleição
municipal em São Paulo, onde a prefeita Marta Suplicy é
candidata ao segundo mandato. Afinal, a prefeitura paulistana tem
o sexto maior orçamento do país e seu eleitorado é
tão numeroso que se equipara ao de Estados como o Rio Grande
do Sul, além do fato de sua região metropolitana ter
sido o berço político do petismo. A prioridade dada
à disputa em São Paulo, porém, tem se mostrado
um erro estratégico do PT, pois está ofuscando o desempenho
geral do partido nas outras capitais. Faltando quatro meses para
o pleito municipal, o PT até que está numa situação
bastante razoável em várias metrópoles. Hoje,
os petistas comandam as prefeituras de oito capitais sete
foram conquistadas nas urnas e uma, a de Macapá, entrou na
cota do partido quando o prefeito eleito trocou o PSB pelo PT. Conforme
as pesquisas mais recentes, os petistas têm chances reais
de vencer em praticamente todas as prefeituras que administram.
O quadro mais confortável neste momento é o de Aracaju,
capital de Sergipe, onde o prefeito Marcelo Déda tem 43%
das intenções de voto. Em Porto Alegre, reduto petista
há mais de quinze anos, a situação também
parece tranqüila: o deputado Raul Pont tem 25% da preferência
do eleitor, o dobro do segundo colocado.
No
triângulo geográfico mais expressivo do país
em termos políticos e econômicos, o PT só parece
definitivamente fora da disputa no Rio de Janeiro, onde Jorge Bittar,
seja qual for o elenco de adversários, não chega aos
dois dígitos na preferência do eleitor carioca. Em
São Paulo, com 20%, Marta Suplicy está em segundo
lugar, ao lado do ex-prefeito Paulo Maluf e atrás do líder
José Serra, que tem 26% das intenções de voto.
O problema de Marta é seu altíssimo índice
de rejeição, que passa dos 40%. Em Belo Horizonte,
o petista Fernando Pimentel, atual prefeito da capital mineira,
encontra-se em matéria de intenção de votos
num patamar igual ao da prefeita paulistana. Pimentel tem 20% das
decisões de voto, está empatado com o tucano Eduardo
Azeredo na segunda posição e patina atrás do
líder João Leite, do PSB. Nem Marta Suplicy nem Fernando
Pimentel, no entanto, podem ser considerados cartas fora do baralho.
"Estamos num bom patamar considerando que ainda é o começo
da campanha", avalia o presidente nacional do PT, o ex-deputado
José Genoíno. Além das capitais que já
administram hoje em dia, os petistas ainda vão bem em Curitiba,
onde seu candidato, Ângelo Vanhoni, ocupa o primeiro lugar,
com 28% dos votos, estando 7 pontos à frente do segundo colocado,
o tucano Beto Richa.
Historicamente,
o desempenho do governo em Brasília tem uma influência
reduzida nos pleitos municipais, nos quais o eleitor parece dar
mais atenção aos seus problemas cotidianos do que
aos grandes temas nacionais. Os tucanos, por exemplo, ganharam dois
mandatos presidenciais, ambos com vitórias já no primeiro
turno, mas esse bom desempenho no plano federal jamais se reproduziu
em vitórias na prefeitura das capitais. Em 1996, na primeira
eleição municipal que enfrentou depois de vencer a
disputa presidencial, o PSDB comandava cinco prefeituras de capitais,
todas em Estados periféricos, e saiu das urnas um pouco menor,
com apenas quatro capitais. No pleito seguinte, em 2000, os tucanos
mantiveram-se no comando de quatro prefeituras, nenhuma delas, de
novo, instalada nos grandes centros do país. A diferença
entre PT e PSDB é que o forte dos tucanos sempre foi a disputa
pelos governos estaduais, enquanto os petistas historicamente apresentam
desempenho mais vistoso nos pleitos municipais. Tanto que o PSDB
está no terceiro mandato no governo de São Paulo e
jamais comandou a prefeitura da capital, enquanto o PT nunca foi
governo do Estado e, agora, tenta o terceiro mandato na cidade.
Mesmo
sem dar o tom da disputa nas cidades, ser governo em Brasília
ajuda a ampliar a força eleitoral do partido governante nas
prefeituras do interior, nas pequenas e médias cidades. O
fenômeno aconteceu com o PSDB, que antes de chegar ao Palácio
do Planalto tinha menos de 300 prefeituras no país e, logo
na primeira disputa municipal, saltou para perto de 1.000 cidades.
O caso deve se repetir com o PT, por diversas razões. Primeiro,
porque o partido comanda menos de 200 prefeituras no país,
um número ainda tão baixo que é mais fácil
aumentar do que cair. Segundo, porque os dirigentes petistas se
empenharam em capilarizar a estrutura partidária pelo território
nacional. Na última eleição, o PT tinha diretórios
em menos de 3.000 cidades brasileiras. Agora, já está
presente em mais de 5.000. Além disso, uma campanha nacional
fez mais 400.000 filiados, uma massa que estará agora participando
de sua primeira campanha eleitoral como petista de carteirinha.
Por fim, o PT também aumentou o número de candidatos
a prefeito, ampliando suas chances de vitória. Na eleição
passada, eram 1.300. Agora, o partido estima que serão perto
de 2.500.
A
eleição de outubro próximo é uma etapa
crucial na biografia do PT. "O desafio do partido é confirmar
agora o bom desempenho que teve na última eleição,
em 2002", diz Mauro Paulino, diretor do instituto Datafolha. No
último pleito, pela primeira vez em sua história o
PT elegeu o presidente da República e fez a maior bancada
na Câmara dos Deputados, abrindo um espaço nobre na
política nacional. Agora, para consolidar-se como uma legenda
forte, terá de ampliar o número de prefeituras municipais
no país e passar a interiorizar seu eleitorado um
fenômeno que começou a acontecer com a eleição
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, contrariando
todas as suas outras disputas presidenciais, desta vez teve votações
expressivas em cidades do interior. O desafio seguinte será
em 2006, quando os petistas tentarão manter o governo federal
e ampliar sua presença nos governos estaduais. Nesse campo,
o PT tem um desempenho inexpressivo. Hoje, governa só Mato
Grosso do Sul, Acre e Piauí, além de Roraima, cujo
governador pediu suspensão do partido depois de se enrolar
num escândalo com a contratação de funcionários-fantasma.
Montagem com fotos de José Paulo
Lacerda/AE, Heitor Cunha, Claudio Rossi e Joedson Alves/AE
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| Da
esquerda para a direita:
MARCELO
DÉDA
(Aracaju)
Tem 29 pontos de vantagem em relação ao
segundo colocado
RAUL
PONT
(Porto Alegre)
Lidera com 25% dos votos, o dobro do seu adversário
ÂNGELO
VANHONI
(Curitiba)
Está 7 pontos à frente do segundo colocado
JOÃO
PAULO
(Recife)
Empata com os candidatos do PTB e do PMDB
MARTA
SUPLICY
(São Paulo)
Empata com Maluf, mas está 6 pontos atrás
de José Serra
FERNANDO
PIMENTEL
(Belo Horizonte)
Com 20% dos votos, está empatado em segundo e
mais de 10 pontos atrás do líder
PEDRO
WILSON
(Goiânia)
Está em terceiro lugar, 6 pontos atrás
do líder
NELSON
PELLEGRINO
(Salvador)
Em terceiro, perde para os candidatos do PDT e do PFL
JORGE
BITTAR
(Rio de Janeiro)
Não passa de 4% na intenção de
votos
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