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Ministério
Público
Pior
que mordaça
Decisão
do Supremo pode
sepultar em
definitivo os poderes do
Ministério Público
Ana Araujo
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| Luizinho,
líder do governo na Câmara: jogando pedras contra
os procuradores |
Desde
que começou a mostrar resultados mesmo contra ricos e poderosos,
o Ministério Público passou a sofrer ataques de várias
frentes todos sempre tentando ceifar seu poder. Na semana passada,
o Professor Luizinho, líder do governo na Câmara, irritado
com uma denúncia contra um companheiro do PT, engrossou o
coro e disse que o Ministério Público deveria deixar
de investigar em períodos pré-eleitorais uma proposta
tão desatinada que só pode ser atribuída ao
destempero da hora. No Congresso Nacional, onde já foram
abortadas várias tentativas de calar os procuradores e promotores,
está pronta para entrar em votação uma das
últimas versões da chamada Lei da Mordaça,
que transforma em crime permitir que cheguem aos meios de comunicação
informações sobre casos em investigação.
Nada, porém, representa ameaça tão potente
e letal ao trabalho do Ministério Público quanto a
ação que o Supremo Tribunal Federal vem examinando
e que pode proibir o MP de abrir suas próprias investigações,
como faz a polícia.
O
caso surgiu com o deputado Remi Trinta, do PL do Maranhão,
que foi denunciado pelo Ministério Público por fraudes
contra o Ministério da Saúde supostamente cometidas
há quase dez anos. Na ocasião, Trinta alegou que o
Ministério Público não poderia tê-lo
investigado, pois tal prerrogativa seria exclusiva da polícia.
Em outubro do ano passado, o caso chegou pela primeira vez ao plenário
do STF, ocasião em que os ministros Marco Aurélio
Mello e Nelson Jobim votaram contra o MP, aceitando a tese de que
os procuradores não têm poder investigatório.
O julgamento foi suspenso e pode ser retomado a qualquer hora. Só
depende de uma decisão do novo presidente do STF, Nelson
Jobim. Em dezesseis anos de autonomia, o Ministério Público
cometeu erros, exageros, injustiças. Os procuradores, às
vezes jovens e inexperientes, já cometeram equívocos
e abusos. Nada disso, contudo, recomenda que sejam calados. Ao contrário.
O Brasil fica melhor com um Ministério Público ativo
e forte do que com procuradores amordaçados.
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