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Os quase atletas

Eles treinam duro com um único
objetivo: chegar a seu limite máximo

Anna Paula Buchalla

 
Antonio Milena
Nome: Ricardo Benasayag
Idade: 30 anos

Profissão:
publicitário
Modalidade: natação
Há quanto tempo treina: 8 meses
Melhor tempo: 50 metros nado de peito em 30 segundos – 3,30 segundos a mais que
o recorde mundial da Federação Internacional de Natação

As academias de ginástica reúnem basicamente dois grupos: o dos que molham a camiseta apenas para manter a saúde em bom estado e o daqueles que, além de um sistema cardiovascular em perfeitas condições, almejam um corpinho definido. Mas há um terceiro público, ao qual os donos das academias começam a prestar mais atenção – o dos praticantes de exercícios de alta performance. Essa turma se esfalfa em treinos puxadíssimos, para chegar ao máximo de seu condicionamento físico. A recompensa pelo esforço? A resposta mais ouvida parece frase de locutor esportivo de televisão: "A superação dos próprios limites".

Na academia Fórmula, uma das gigantes paulistas, dos 6.000 matriculados, 20% são adeptos dos exercícios de alta performance. Em breve, eles terão aparelhos específicos à sua disposição (veja quadro). Na Bio Ritmo, uma das maiores de São Paulo, um quarto dos alunos aderiu a esse tipo de ginástica. A carioca Estação do Corpo criou recentemente uma programação específica para triatlo, modalidade que combina natação, corrida e bicicleta. No país, já existem pelo menos três dezenas de clínicas e assessorias esportivas especializadas na malhação pesada. Os instrutores da paulista BPM, por exemplo, indicam até o tipo de tênis mais apropriado para esse ou aquele cliente. Os modelos variam conforme o biótipo da pessoa e a intensidade do treinamento. Nas corridas ao ar livre, uma minivan acompanha os alunos, carregando água, barras de cereais, isotônicos, aparelhos para medir a freqüência cardíaca e kits de primeiros socorros. Quem vê essa turma imagina estar diante de um grupo de atletas de nível olímpico.

 
Claudio Rossi
Nome: Paula Spuch Bousso
Idade: 27 anos
Profissão: gerente de confecção
Modalidade: duatlo e triatlo
Há quanto tempo treina: 5 anos
Melhor tempo: 800 metros em
3 minutos, o que lhe garantiria a 7ª colocação no Campeonato Mundial de Atletismo de 1993

É intransponível, no entanto, a distância que separa um praticante de ginástica de alta performance de um esportista profissional. Atleta de verdade não se faz de um dia para o outro nem com o mais árduo dos treinos. Antes de mais nada, ele é uma obra da natureza. Cerca de 80% da capacidade física de uma pessoa é determinada geneticamente. Ou seja, ninguém "supera os próprios limites". Mais correto seria dizer que treinos intensivos levam cada um a atingir o seu máximo possível, em matéria de força, velocidade e resistência. Por exemplo: o publicitário Ricardo Benasayag, de 30 anos, consegue fazer em trinta segundos os 50 metros de nado de peito. É uma ótima marca para um amador, mas ela está a mais de três segundos do recorde mundial registrado pela Federação Internacional de Natação – e segundos, no terreno das competições, representam anos-luz.

Alcançar o patamar da alta performance, é claro, requer litros e litros de suor. Com a queima de 150 calorias por dia, o equivalente a meia hora de caminhada, deixa-se de ser sedentário e adentra-se a categoria dos fisicamente ativos. A um bom condicionamento se chega com uma hora diária de exercícios, três vezes por semana. Subir mais um degrau requer duas horas de treino por dia. "E bem planejado por um técnico. Mais do que qualquer outra, ginástica de alta performance exige planilha e controle constante", enfatiza o preparador físico Irineu Loturco Filho. Não é para todo mundo. "Muitos que se submetem a treinamentos mais pesados acabam frustrados ou, o que é ainda pior, com problemas de saúde", alerta o médico Turíbio Leite de Barros, fisiologista do esporte. O excesso de ginástica, ou overtraining, para usar a palavra inglesa que faz parte do jargão desse pessoal, pode causar fadiga, insônia, oscilações de humor e, obviamente, fortes dores musculares.

Quem tem fôlego para entregar-se à malhação exaustiva e colhe bons resultados fica com a auto-estima lá em cima. "Verificar que consegui reduzir o tempo de um treino em cinco segundos produz uma sensação indescritível", diz a gerente de confecção Paula Spuch, de 27 anos. Apesar de trabalhar dez horas por dia, ela malha todas as noites. São duas horas e meia de treino diárias. Paula corre, nada, anda de bicicleta e faz musculação. Nos fins de semana, pode pedalar até 40 quilômetros em uma hora. Depois, corre outros 12 quilômetros. Seu tempo numa prova de 800 metros é invejável: faz o percurso em apenas três minutos. Estivéssemos em 1993, a performance lhe garantiria a sétima colocação no Campeonato Mundial de Atletismo. A "sensação indescritível", de que fala Paula, tem levado multidões de amadores a participar das mais variadas competições esportivas.

A cada fim de semana, em todo o país, são realizados campeonatos de duatlo e triatlo, minimaratonas, maratonas aquáticas e corridas de aventura (que inclui rafting, canoagem, rappel, escalada e trekking). Quem participa dos torneios não compete em nome de um clube ou associação e tampouco tem como objetivo levar um troféu ou uma medalha para casa. Os torneios são mais uma oportunidade para que cada um teste o próprio desempenho. Nos últimos cinco anos, a entidade Corredores Paulistas Reunidos (Corpore) registrou um aumento de mais de 500% na adesão a seus torneios. O número de participantes pulou de 800 para 5.000. A maratona aquática de Bertioga, no litoral norte de São Paulo, reuniu estrondosos 1.083 nadadores no mês passado. Um recorde mundial.

 

Malhação high tech

Começam a chegar ao país aparelhos específicos para o treinamento de alta performance. Veja como funcionam algumas dessas máquinas

Superesteira

Enquanto em uma esteira normal de academia o máximo de velocidade a que se pode chegar é em geral 16 quilômetros por hora, nesse modelo é possível correr a 46 quilômetros por hora. A inclinação passa dos 15% convencionais para 40%

 

Plyo press

É a versão turbinada da tradicional leg press, máquina que simula agachamentos. A carga usada é maior, mas, graças às engrenagens do novo aparelho, os exercícios são mais rápidos. A velocidade é tão grande que o praticante chega a ficar com os dois pés fora do apoio

 

Pro implosion

Com esse aparelho é possível trabalhar braços, ombros e peito em dez posições, que simulam movimentos específicos de diversas modalidades esportivas. O pro implosion acelera o processo de definição muscular, além de melhorar o desempenho em corridas, saltos e lutas

 

 

Pro multi-hip

Incrementa os exercícios de flexão e extensão dos quadris e dos músculos internos e externos da coxa. A diferença, aqui, é a intensidade dos movimentos, imposta por cargas que podem chegar a 170 quilos. Apesar do peso, o sistema de roldanas do aparelho permite que os exercícios sejam feitos em alta velocidade



   
 

 

   
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