
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
Crie
seu grupo

|
|
Com tiro na nuca
A
China está fazendo
outro
de seus festivais
periódicos
de execuções
AFP
 |
| Condenada
deixa
o tribunal: bala da execução é cobrada
da
família |
Sempre
que as autoridades chinesas anunciam uma nova campanha contra o crime,
pode-se contar com o horror das execuções sumárias.
É o que está ocorrendo desde o início de abril. Num
período de dez dias, mais de 120 acusados de assassinato, estupro,
roubo, corrupção, narcotráfico, formação
de quadrilha e até crimes menores, como falsificação
de documentos e emissão de cheques sem fundos, foram condenados
à morte e a maioria executada no dia seguinte. Alguns dos julgamentos
sumários lembram um circo romano. Há duas semanas, 30.000
pessoas lotaram um estádio da importante província sulina
de Guangdong para acompanhar a execução de 28 condenados.
Cada um recebeu um tiro na nuca e, como é praxe, a bala usada foi
cobrada dos familiares do morto.
Esse tipo de operação é uma tradição
chinesa. A primeira grande campanha para eliminar fisicamente os criminosos
foi desencadeada em 1983 e resultou na morte de 10.000 pessoas. Em junho
de 1996, os tribunais fizeram um mutirão para comemorar o dia internacional
de luta contra as drogas, condenando à morte 800 traficantes. O
alvo preferencial da atual campanha é o crime organizado, negócio
lucrativo de extorsão, roubo de cargas e contrabando que acompanha
o crescimento acelerado da economia e ganha espaço nos centros
urbanos. A eficácia da matança deixa a desejar. De acordo
com dados oficiais, a criminalidade aumentou 50% nos últimos doze
meses.
A China executa sozinha mais condenados que a soma dos 63 países
que adotam a pena de morte. Entre 1990 e 1999 foram cumpridas 18 194 sentenças,
o que dá uma média de cinco por dia. Um quarto dos crimes
previstos no código penal é punido com a morte, incluindo
delitos banais como envenenar gado ou difundir pornografia. A profusão
de execuções decorre, em parte, das peculiaridades da Justiça
chinesa. Nos julgamentos, os princípios fundamentais do direito
moderno são solenemente ignorados: não há tempo para
formalidades jurídicas como argumentação de defesa
ou coleta de provas. O advogado do réu é apontado dias antes
do julgamento e seu trabalho, após o veredicto, limita-se a um
pedido formal de clemência, raramente aceito. Como qualquer pessoa
pode ficar presa até três meses sem acusação
formal, o Judiciário chinês tem na chantagem um trunfo: parentes
de um foragido chegam a ser detidos para forçá-lo a se entregar.
Na China, chama-se a isso de justiça
|
Armas
para manter o equilíbrio
AFP
 |
As
relações entre a China e os Estados Unidos sempre
esbarram na encrenca chamada Taiwan. O país, de grande sucesso
econômico, foi criado por tropas nacionalistas derrotadas
pelos comunistas em 1949. Até reconhecer a China, nos anos
70, os americanos eram aliados incondicionais de Taiwan. Então
decidiram que não lutariam pela ilha, mas forneceriam os
meios para que se defendesse sozinha de um ataque chinês.
Na semana passada, George Bush cutucou o dragão comunista
com o anúncio da venda de navios, submarinos e helicópteros
a Taiwan. O momento não podia ser mais tenso, três
semanas depois da crise causada pela colisão entre um avião
espião americano e um caça chinês. A China ficou
furiosa, mas a atitude americana é do tipo benéfica.
Taiwan tem agora melhores condições para resistir
a uma invasão chinesa, mas não ficou forte o bastante
para fazer provocações. O recado é cristalino:
a guerra custaria caro para as duas Chinas. É melhor sentar
e discutir pacificamente a briga de família.
|
|
|
 |