Tecnologia
O
Google quer engolir o iPhone
Na semana
em que o celular da Apple chega ao Brasil, o gigante
da internet lança
no exterior o telefone que pretende superá-lo

Leandro
Narloch
Mark
Lennihan/AP
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Armas
da disputa O G1, com teclado embutido
(acima): aposta num futuro em que mais gente vai se conectar à internet
pelo celular. Abaixo, anúncio do iPhone em shopping de São Paulo |
Mark
Lennihan/AP
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O
Google lançou na semana passada o celular com o qual pretende revolucionar
o mundo dos aparelhos portáteis de comunicação. Batizado
de G1, o modelo tem muitas das funcionalidades que equipam os smartphones mais
avançados, como tela sensível ao toque e conexão wireless
de terceira geração (3G). Além disso, carrega a marca da
maior empresa de internet do mundo. Tais características tornam inevitável
sua comparação com o iPhone, da Apple, a estrela entre os smartphones,
que na sexta-feira passada foi lançado no Brasil por duas operadoras de
telefonia. À primeira vista, na disputa entre os dois, o iPhone leva a
melhor. O G1 é maior e mais pesado, e seu design não é exatamente
um exemplo de elegância. A comparação entre os dois aparelhos,
porém, é indevida. A principal novidade do celular do Google não
é propriamente o aparelho, mas o sistema operacional que o equipa, o Android.
Esse sistema é uma aposta do Google num futuro em que mais pessoas vão
se conectar à internet por meio do celular. Hoje, apenas 11% dos celulares
vendidos no mundo são smartphones, equipamentos capazes de executar tarefas
semelhantes às de um computador e de estabelecer conexões rápidas
à internet. O Android é uma interface que dá novas possibilidades
de acesso à rede.
O
primeiro passo para usar as funcionalidades do G1 é entrar com o login
do Google, como quem acessa um e-mail. Contatos, compromissos e arquivos não
ficam guardados no celular, mas na conta on-line. A caixa de diálogo para
uma busca no Google aparece a um clique da tela inicial uma navegação
mais simples até que a do iPhone. O Google Maps indica em que parte da
cidade ou do planeta estão os interlocutores do programa de bate-papo.
Uma característica que diferencia o Android é ser um sistema operacional
aberto. Isso significa que qualquer programador pode criar versões personalizadas
do sistema e nele introduzir novos aplicativos. É possível, por
exemplo, colocar no G1 um programa que lê códigos de barra e, com
isso, comparar preços na internet. Na maioria dos celulares, inclusive
os smartphones, os sistemas só podem ser alterados pelo fabricante. Trabalhar
com um sistema operacional aberto é parte da estratégia do Google
para transformar o Android na plataforma-padrão dos celulares no mundo.
O G1 é fabricado pela empresa HTC, de Taiwan, mas gigantes do setor, como
Samsung e LG, já anunciaram que vão lançar aparelhos usando
o Android. O Google não ganha dinheiro diretamente com o sistema operacional,
mas a audiência que ele atrai para seus sites é garantia de lucro
com a publicidade on-line que representa 98% do faturamento da companhia.
O
Android é também uma forma de o Google manter sua supremacia na
internet. Fundada há dez anos por dois garotões da Califórnia,
a companhia é hoje a marca mais valiosa do planeta. Seu valor de mercado
é de 86 bilhões de dólares. Em seguida, vêm GE, Microsoft
e a centenária Coca-Cola. Na hora de fazer buscas na internet, o site é
o preferido por 63% dos americanos, 80% dos europeus e 90% dos brasileiros. A
intenção do Google é que programadores independentes criem
uma grande massa de aplicativos para o Android, tornando o sistema cada vez mais
atraente, divertido e rico em possibilidades. Para atingir esse objetivo, no ano
passado a empresa instituiu um concurso aberto a desenvolvedores de softwares,
que deu às vinte melhores idéias prêmios de 100 000 a 275
000 dólares.
A briga que se desenha
entre os celulares com o Android e o iPhone reaviva outra disputa, esta ocorrida
no mundo dos computadores pessoais. Nos anos 80, a Apple e a Microsoft competiam
para ver qual de seus sistemas operacionais respectivamente, o Mac OS e
o Windows seria o escolhido pelos desenvolvedores de softwares para criar
seus programas. O Windows levou a melhor. O G1 vai chegar às lojas dos
Estados Unidos no fim de outubro. Não há previsão de lançamento
do aparelho no Brasil. Em compensação, finalmente os brasileiros
já podem comprar um iPhone. O modelo disponível é o 3G, capaz
de se conectar à internet com velocidade equivalente à da banda
larga caseira. O preço do iPhone no Brasil, dependendo do plano escolhido,
vai de 899 a 2 599 reais nos Estados Unidos, a opção mais
cara sai pelo equivalente a 550 reais. Uma das novidades que o iPhone oferece
no Brasil é um atalho para o site de VEJA (veja o quadro abaixo).
Num mundo que depende da internet até para as ações mais
corriqueiras, é natural que aparelhos como o G1 e o iPhone se tornem objeto
do desejo de muita gente.
As mil utilidades do G1
A grande atração é o sistema operacional Android, feito para
rodar também em outros smartphones. Mais que um celular, o G1 é
uma máquina portátil de acesso à internet
O Android é um sistema operacional aberto. Pode ser modificado e personalizado
por qualquer programador Contatos,
compromissos e arquivos não ficam guardados no celular, mas na conta on-line
do Google O sistema de GPS localiza
os contatos que estão on-line e mostra no Google Maps em que parte da cidade
cada um deles está. Útil para localizar os filhos ou o cônjuge Aplicativos
A câmera do celular lê códigos
de barra de produtos e compara preços na internet
O Google Maps mostra quais os pontos de táxi mais próximos. Para
chamar o táxi, basta clicar no link que aparece no mapa
O Pocket Journey usa o GPS para reconhecer as atrações turísticas
próximas e exibe informações sobre elas
O Ecorio memoriza os trajetos que o dono do celular realizou durante o dia e calcula
quanto de dióxido de carbono (CO2), o principal gás do
efeito estufa, foi emitido nos deslocamentos |
Notícias na palma da mão
 | VEJA.com
em versão iPhone Basta clicar
no ícone (à esq.) para abrir os destaques do site |
Quem
aderir ao iPhone, lançado no Brasil na última sexta-feira, terá
acesso a uma versão de VEJA.com especial para o celular da Apple. O site
de VEJA reconhece os acessos feitos pelo iPhone e abre uma página projetada
especialmente para o formato de sua tela. Essa versão do site apresenta
as notícias de maior destaque, a coluna Radar on-line, com notas exclusivas
de política e economia, e links para os sites de Veja São Paulo
e Veja Rio. Para ver o conteúdo integral, basta clicar no botão
site completo. O iPhone é o primeiro smartphone a ganhar uma adaptação
de VEJA.com. Em breve, outros celulares também terão versões
especiais do site. |