Estilo
Para o alto e avante
O coque volta a fazer
cabeças femininas, em versão
volumosa e meio desarrumada. O de Sarah Palin
subiu, como as pesquisas, mas pode desabar

Bel Moherdaui
Henny Ray/AP
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À
MODA DO ALASCA
Sarah Palin: cabelo preso e controlado para facilitar
os beijos durante a campanha eleitoral |
O que as antípodas Amy Winehouse e Sarah Palin têm
em comum? Ora, está na cabeça: a elevação
capilar no cocuruto, ou o antiqüíssimo coque,
um penteado que, de repente, todo mundo voltou, ou vai voltar,
a usar. A pioneira foi Amy, a cantora de cabelos ultra-armados
(apliques, enchimentos e provavelmente mais coisas do que
foram encontradas, post-mortem, na cabeça de Bob Marley),
que, apesar de bêbada e drogada, ou por causa disso,
já teve seu estilo retrô copiado até na
passarela da Chanel. Do oposto do espectro comportamental,
a candidata a vice dos republicanos, Sarah, faz sucesso com
seu jeito de tia sexy . além do coque, óculos,
franja e um arzinho de quem vai soltar os huskies, ou um míssil
nuclear, em quem não se comportar direito. "O
nome é french twist. Minha referência
foi o clássico penteado de Audrey Hepburn", explicou
a VEJA Jessica Steele, criadora do coque Palin e dona do agora
universalmente famoso salão Beehive, em Wasilla, cidadezinha
de 7 000 habitantes no Alasca. Muitos fashionistas vão
se contorcer de pavor diante da comparação.
Para acalmá-los, evoque-se o venerado nome de outra
Sarah, a Jessica Parker, que apareceu com uma versão
comedida do tal penteado. Nos desfiles em Milão, na
semana passada, a cantora irlandesa Roisin Murphy sentou na
primeira fila da Gucci com toda a sua loirice retorcida na
testa e Moschino deixou a modelo Isabeli Fontana ainda mais
alta e deslumbrante com um frisado gigante.
Alberto Pellaschiar/AP,
Henny Ray/AP, Luca Bruno/AP e Debra L. Rothenberg/StartraksPhoto.com
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CADA QUAL COM SEU NINHO
O da cantora Roisin cai
na testa, o de Isabeli é frisado e o de Sarah Jessica,
comportado |
"Sarah precisava
de uma coisa fácil e rápida, que pudesse fazer
sozinha. Tinha de ser chique e séria e durar o dia
inteiro. Além disso, como ela é muito abraçada
na campanha, pensamos num penteado que tirasse o cabelo do
caminho", conta Jessica, também ela adepta do
coque torcido como, aliás, boa parte da população
de Wasilla. O coque de Sarah, cuja altura parece acompanhar
sua disparada nas pesquisas (e, se desabar, todo mundo vai
perceber), não leva aditivo algum. É só
o cabelo dela mesmo, que é longo, ondulado e volumoso,
domado com bastante spray, retorcido metade para um lado,
metade para o outro e reunido no topo da cabeça. "O
coque é o cabelo preso dessa temporada. Pode ter um
ar esportivo ou ser muito chique, dependendo de como é
preso e da maquiagem que o acompanha", diz o cabeleireiro
Celso Kamura, de São Paulo. A título de esclarecimento
importante: o coque da temporada tem pouco a ver com o certinho
coque banana de Audrey Hepburn, sem um fio fora do lugar;
com seu acabamento cuidadosamente desarrumado, está
mais para ninho de guacho (um passarinho arquitetonicamente
ousado, cuja moradia parece uma poltrona dos irmãos
Campana), como o penteado é conhecido, desde sempre,
no interior.