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1º de outubro de 2008
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Internacional
O chefão zulu

O populista Jacob Zuma derruba seu rival
Thabo Mbeki da Presidência da África do Sul
e abre caminho para seu governo

AP

FESTA NA TRIBO
Jacob Zuma veste trajes típicos em cerimônia zulu, na semana passada



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Quadro: Ladeira abaixo

Desde o fim do apartheid, não há surpresas na escolha do presidente da África do Sul. Quem, exceto Nelson Mandela, o ícone da luta pela democracia, poderia ter sido o primeiro? O sucessor foi seu braço-direito, Thabo Mbeki. Ao renunciar na semana passada, devido à luta interna no Congresso Nacional Africano (CNA), partido no poder desde 1994, ele abriu espaço para que seu maior inimigo, Jacob Zuma, seja eleito no início do próximo ano. Como o parâmetro de avaliação dos políticos locais será para sempre Mandela, o mais celebrado estadista da África, a grandeza do primeiro presidente torna gritante a pequenez dos sucessores.

Economista educado em Londres, Mbeki tem o mérito de ter sido o arquiteto da recuperação econômica do país. A África do Sul cresce a 4,5% ao ano desde 2004. Mas duas atitudes deploráveis marcam sua carreira. A proteção que deu a Robert Mugabe, o ditador do Zimbábue, e sua esdrúxula visão da aids, que contribuiu para propagar a epidemia no país. Em parte por sua culpa, hoje a doença mata 800 sul-africanos por dia e 5 milhões estão contaminados. Ocorre que Mbeki não acredita que a enfermidade seja causada pelo vírus HIV. Convicto de que as medidas de prevenção adotadas universalmente eram parte de uma conspiração para depreciar os negros, ele pretendeu curar a doença com vitaminas. Seu sucessor, Jacob Zuma, é um retorno às trevas do populismo africano. Sem ter terminado a escola primária, ele domina a máquina do CNA, partido que é dono de 70% do eleitorado. Abertamente polígamo, tem vinte filhos de nove mulheres e responde a dezesseis processos por corrupção. Julgado pelo estupro de uma amiga da família, defendeu-se alegando que a tradição de sua etnia zulu não permitia que negasse fogo àquela minissaia provocante. Com o tribunal cercado por uma turba de partidários, foi absolvido. O arcebispo sul-africano Desmond Tutu, Nobel da Paz de 1984, disse que "seu país ficará envergonhado" de ter Zuma como presidente. Está coberto de razão.



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