Internacional
O
chefão zulu
O populista Jacob Zuma
derruba seu rival
Thabo Mbeki da Presidência da África do Sul
e abre caminho para seu governo
AP
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FESTA
NA TRIBO Jacob Zuma veste trajes típicos
em cerimônia zulu, na semana passada |
Desde
o fim do apartheid, não há surpresas na escolha do presidente da
África do Sul. Quem, exceto Nelson Mandela, o ícone da luta pela
democracia, poderia ter sido o primeiro? O sucessor foi seu braço-direito,
Thabo Mbeki. Ao renunciar na semana passada, devido à luta interna no Congresso
Nacional Africano (CNA), partido no poder desde 1994, ele abriu espaço
para que seu maior inimigo, Jacob Zuma, seja eleito no início do próximo
ano. Como o parâmetro de avaliação dos políticos locais
será para sempre Mandela, o mais celebrado estadista da África,
a grandeza do primeiro presidente torna gritante a pequenez dos sucessores.
Economista
educado em Londres, Mbeki tem o mérito de ter sido o arquiteto da recuperação
econômica do país. A África do Sul cresce a 4,5% ao ano desde
2004. Mas duas atitudes deploráveis marcam sua carreira. A proteção
que deu a Robert Mugabe, o ditador do Zimbábue, e sua esdrúxula
visão da aids, que contribuiu para propagar a epidemia no país.
Em parte por sua culpa, hoje a doença mata 800 sul-africanos por dia e
5 milhões estão contaminados. Ocorre que Mbeki não acredita
que a enfermidade seja causada pelo vírus HIV. Convicto de que as medidas
de prevenção adotadas universalmente eram parte de uma conspiração
para depreciar os negros, ele pretendeu curar a doença com vitaminas. Seu
sucessor, Jacob Zuma, é um retorno às trevas do populismo africano.
Sem ter terminado a escola primária, ele domina a máquina do CNA,
partido que é dono de 70% do eleitorado. Abertamente polígamo, tem
vinte filhos de nove mulheres e responde a dezesseis processos por corrupção.
Julgado pelo estupro de uma amiga da família, defendeu-se alegando que
a tradição de sua etnia zulu não permitia que negasse fogo
àquela minissaia provocante. Com o tribunal cercado por uma turba de partidários,
foi absolvido. O arcebispo sul-africano Desmond Tutu, Nobel da Paz de 1984, disse
que "seu país ficará envergonhado" de ter Zuma como presidente.
Está coberto de razão.