Comportamento
Uma
frase inesquecível
O publicitário
Washington Olivetto lança livro que
documenta como um comercial de sua
agência
marcou a cultura e até a linguagem dos brasileiros
Divulgação
W/Brasil Publicidade
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O
PRIMEIRO SUTIÃ Patrícia
Lucchesi, então com 11 anos, no comercial de 1987: publicidade antológica |
Vender
seu peixe é o objetivo primeiro da publicidade. Mas às vezes um
comercial consegue ir além: não apenas anuncia as virtudes do produto,
mas transmite um conceito de forma tão eficiente que acaba se incorporando
à linguagem cotidiana de um país. Um desses casos extraordinários
está documentado em O Primeiro a Gente Nunca Esquece (Planeta;
366 páginas; 79,90 reais), livro organizado pelo publicitário Washington
Olivetto. Trata-se de uma coletânea de textos variados artigos jornalísticos,
crônicas, entrevistas , com mais de cinqüenta autores que usam
a expressão "o primeiro a gente nunca esquece", consagrada em
um comercial de sutiã criado pela agência de Olivetto em 1987.
Divulgação
W/Brasil Publicidade
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REPERTÓRIO
CULTURAL Washington Olivetto achou sua
frase empregada em textos de mais de cinqüenta autores |
Com
muita sensibilidade, o comercial da Valisère mostrava uma menina
interpretada por Patrícia Lucchesi, então com 11 anos experimentando
seu primeiro sutiã. "O primeiro Valisère a gente nunca esquece",
dizia o slogan do filme da W/GGK (hoje W/Brasil), agência de Olivetto, vencedor
do Leão de Ouro do Festival de Cannes, entre outros prêmios. Exibido
pela primeira vez depois do Fantástico, na Globo, foi o primeiro
comercial de um minuto e meio a ser veiculado na televisão brasileira (o
comum eram trinta segundos). Seu impacto pode ser aferido pelos textos compilados
no livro de Olivetto, com adaptações da frase aos contextos mais
inusitados. "A primeira Ferrari a gente nunca mais esquece", dizia o
piloto Ayrton Senna em uma entrevista e Pelé fala o mesmo de sua
primeira Copa do Mundo (será que a segunda pode ser esquecida?). Alguns
citam expressamente a peça publicitária original (Agamenon Mendes
Pedreira, personagem dos humoristas Marcelo Madureira e Hubert, fala até
de um certo "Washington Olivetti, publicitário e máquina de
escrever"). Outros, porém, nem sequer lhe fazem referência.
É uma mostra de que a expressão ganhou vida própria. Liberta
do sutiã, a frase se incorporou ao repertório cultural recente.