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Televisão
O
negócio deles é o crime
Os
produtores Dick Wolf, de Lei & Ordem,
e Jerry Bruckheimer, de C.S.I., dominam
a TV americana

Marcelo
Marthe
Divulgação
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AP
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elenco de C.S.I.: toda semana em primeiro lugar nos Estados
Unidos |
Dick
Wolf, o criador de Lei & Ordem: "É o roteiro, estúpidos!"
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Uma
disputa sangrenta é travada todas as semanas na televisão
americana - e, por tabela, nos canais pagos brasileiros de seriados.
Ela envolve dois produtores da pesada que fizeram do crime (ficcional,
bem entendido) uma fonte de lucros milionários. Um deles
é Dick Wolf, o homem por trás do mais bem-sucedido
franchise da história da TV. Trata-se da série criminal
Lei & Ordem, que está no ar há treze anos
e gerou dois "filhotes" que também fazem muito
sucesso: Lei & Ordem: Unidade de Vítimas Especiais
e Lei & Ordem: Criminal Intent (as duas primeiras são
transmitidas no Brasil pelo canal USA e a última, pelo Sony).
O outro nome na disputa é Jerry Bruckheimer. Consagrado,
desde os anos 80, como produtor de filmes tão carregados
de testosterona quanto desprovidos de tutano, a exemplo de Con
Air e Armageddon, ele é responsável pela
série de maior audiência nos Estados Unidos no momento:
o lúgubre C.S.I., que acompanha o dia-a-dia de uma
equipe de legistas da polícia de Las Vegas. Bruckheimer vem
seguindo a trilha do concorrente: já criou um derivado direto
do programa, C.S.I. Miami (assim como o original, exibido
aqui pelo canal Sony), e outro programa que também reza pela
cartilha, Without a Trace (do canal Warner). Nos últimos
tempos, a dupla transformou a televisão americana num verdadeiro
latifúndio: seus seis programas ficam invariavelmente entre
os quinze mais assistidos no país - ao mesmo tempo. Eles
são vistos por um total de quase 70 milhões de espectadores
a cada semana. Isso sem contar as reprises na TV a cabo.
Wolf
e Bruckheimer são ex-publicitários e afirmam que,
por isso, nunca tiveram pudor em tratar seus programas como produtos.
Wolf diz que produzir Lei & Ordem não difere de
fabricar sopa em lata. Ao conceber a série, no fim dos anos
80, ele teve uma sacada à qual muitos creditam seu sucesso
duradouro. Percebeu que a chave estava em criar episódios
curtos cujas tramas não se estendessem para além de
sua duração - o que os torna mais atraentes para a
televisão a cabo. Não deu outra. Hoje, o seriado é
o mais reprisado nos Estados Unidos: todas as suas temporadas estão
em exibição em algum canal. Somando-se os episódios
inéditos e os repetecos, chega-se à marca de trinta
horas semanais de Lei & Ordem. Trata-se também
de um programa de baixo custo perto dos concorrentes. Cada episódio
sai por 2,4 milhões de dólares - soma modesta para
os padrões do gênero, que daria para pagar o salário
de apenas dois dos seis protagonistas de Friends. Esperto,
Wolf renova o elenco de suas produções com freqüência,
o que impede que surjam estrelas com reivindicações
de ganhos elevados. "O que faz a diferença é
o roteiro, estúpidos!", brinca o produtor sempre que
lhe perguntam qual é o segredo da longevidade de Lei &
Ordem.
Bruckheimer
é tido como a mente mais afinada com a arte de ganhar dinheiro
em Hollywood. Desde 1983, quando produziu o sucesso Flashdance,
ele vem burilando uma fórmula que os críticos abominam,
mas que se tornou sinônimo de bilheterias astronômicas:
seus filmes já faturaram quase 6 bilhões de dólares,
o que o coloca na posição de produtor mais bem-sucedido
de todos os tempos. Suas fitas carregam na adrenalina, nos efeitos
pirotécnicos e no patriotismo desbragado, tudo isso embalado
numa edição pasteurizada. "Num filme popular,
o espectador não pode se cansar nem se distrair por um segundo
sequer. Senão, você o perde", diz ele. Na televisão,
curiosamente, Bruckheimer demonstrou que é capaz de ousar.
C.S.I., que estreou em 2000, é o inverso do que prega
o manual dos roteiristas de seriado. Tem uma atmosfera sombria,
cuja trama gira em torno de cadáveres e mesas de autópsia.
Além disso, não tem cenas de ação. O
sucesso foi tão grande que Bruckheimer não tardou
em lançar o subproduto C.S.I. Miami. Pelo fato de
a série ser inferior e canibalizar a original, o protagonista
e co-produtor de C.S.I., William L. Petersen, teria ameaçado
abandonar a parceria com Bruckheimer.
No
plano pessoal, as diferenças de estilo entre Wolf e Bruckheimer
são imensas. Enquanto o primeiro adora dar entrevistas e
faz a linha "trator" na administração dos
negócios, o segundo é um tipo reservado, de fala mansa
e pausada. Até 1996, Bruckheimer era conhecido apenas como
o parceiro apagado de uma das figuras mais extravagantes de Hollywood:
o produtor Don Simpson, um notório cliente de prostitutas
de 5.000 dólares a noitada e que morreu naquele ano de overdose
- quase quarenta substâncias tóxicas foram encontradas
em seu sangue na autópsia (o que, aliás, renderia
um bom episódio de C.S.I.). Antes que Simpson fizesse
a besteira de morrer, ele e Bruckheimer emplacaram campeões
de bilheteria, como os filmes da série Um Tira da Pesada.
Para
Wolf, o sucesso demorou a chegar. Antes de conseguir vender Lei
& Ordem à NBC, ele ouviu um não de duas redes
americanas. Nos dois primeiros anos, a série foi mal de audiência
e perdeu quase todos os anunciantes. Só depois de promover
algumas mudanças - como colocar mais mulheres no elenco -,
Wolf tirou Lei & Ordem do fundo do poço. Hoje,
a maré é bem diferente. Seu programa é o pivô
de um meganegócio. Wolf e sua sócia, a Universal,
pediram à NBC nada menos do que 1,6 bilhão de dólares
para renovar os contratos das três versões do seriado
pelos próximos três anos. Pois bem: a General Electric,
que controla a emissora, achou que valia mais a pena comprar a própria
Universal. A negociação está em andamento e
pode ser concluída até o fim do ano.
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