|
|
Cinema
Hora
do refresco
Uma
Saída de Mestre é só entretenimento,
mas privilegia a engenhosidade sobre a ação

Isabela
Boscov
Divulgação
 |
| Wahlberg
(à esq.), Charlize e Jason Statham: ladrões que não usam
armas |
Dentre
todos os subgêneros cinematográficos, um dos mais maleáveis
e prazerosos é o dos filmes dedicados a roubos fantásticos.
A razão é simples: esse é um tipo de enredo
no qual um mínimo de inteligência é indispensável,
o que sempre garante alguma satisfação. Desde os anos
60, quando teve seu auge, o filão se presta a exames argutos
sobre a natureza humana caso dos filmes de David Mamet, como
o recente O Assalto , a exercícios de estilo,
como Onze Homens e Um Segredo, ou ao entretenimento puro
e simples. É a essa categoria que pertence Uma Saída
de Mestre (The Italian Job, Estados Unidos/Inglaterra/França,
2003), que estréia nesta sexta-feira no país. Um grupo
de seis especialistas, liderados por Charlie (Mark Wahlberg) e seu
mentor, John Bridger (Donald Sutherland), se organiza para roubar
um cofre cheio de ouro de um palácio veneziano. A operação
é um sucesso. Mas, quando o grupo está atravessando
os Alpes com o butim, um dos seus integrantes se revela um traidor.
O expert em arrombamento de cofres do bando é morto, e o
ouro é levado embora. Charlie e os quatro companheiros que
lhe permanecem fiéis se propõem, então, a recuperar
o que foi perdido, menos por causa do seu valor (não que
ele não conte, claro), e mais como uma espécie de
retribuição pelo assassinato sem sentido. O verdadeiro
prêmio, para eles, será ver a expressão de surpresa
do vira-casaca quando este entender que foi derrotado. E é
só por causa disso também que Stella (Charlize Theron),
a filha do homem morto, topa se juntar ao grupo e usar seus próprios
talentos como arrombadora em prol de uma causa ilegal.
Uma
Saída de Mestre é uma refilmagem de uma produção
britânica de segunda linha, estrelada em 1969 por Michael
Caine. Mas se sai melhor que o original. O diretor F. Gary Gray,
de O Negociador, é parcimonioso com a violência
apenas o vilão empunha uma arma e até
com a ação. Prefere, em troca, privilegiar seus atores
bem escolhidos (Edward Norton também está no elenco),
a engenhosidade e o humor. Não só os planos mirabolantes
do bando de ladrões são bem executados, como até
a grande cena de perseguição do filme, protagonizada
por três charmosíssimos Mini Coopers (sim, trata-se
de merchandising dos carrinhos), deve seus méritos mais às
sacadas espirituosas do que à ação. Uma
Saída de Mestre não passa de um refresco
mas, para certos tipos de sede, isso é o que basta.
|