Edição 1822 . 1° de outubro de 2003

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Cinema
Hora do refresco

Uma Saída de Mestre é só entretenimento,
mas privilegia a engenhosidade sobre a ação


Isabela Boscov


Divulgação
Wahlberg (à esq.), Charlize e Jason Statham: ladrões que não usam armas

Dentre todos os subgêneros cinematográficos, um dos mais maleáveis e prazerosos é o dos filmes dedicados a roubos fantásticos. A razão é simples: esse é um tipo de enredo no qual um mínimo de inteligência é indispensável, o que sempre garante alguma satisfação. Desde os anos 60, quando teve seu auge, o filão se presta a exames argutos sobre a natureza humana – caso dos filmes de David Mamet, como o recente O Assalto –, a exercícios de estilo, como Onze Homens e Um Segredo, ou ao entretenimento puro e simples. É a essa categoria que pertence Uma Saída de Mestre (The Italian Job, Estados Unidos/Inglaterra/França, 2003), que estréia nesta sexta-feira no país. Um grupo de seis especialistas, liderados por Charlie (Mark Wahlberg) e seu mentor, John Bridger (Donald Sutherland), se organiza para roubar um cofre cheio de ouro de um palácio veneziano. A operação é um sucesso. Mas, quando o grupo está atravessando os Alpes com o butim, um dos seus integrantes se revela um traidor. O expert em arrombamento de cofres do bando é morto, e o ouro é levado embora. Charlie e os quatro companheiros que lhe permanecem fiéis se propõem, então, a recuperar o que foi perdido, menos por causa do seu valor (não que ele não conte, claro), e mais como uma espécie de retribuição pelo assassinato sem sentido. O verdadeiro prêmio, para eles, será ver a expressão de surpresa do vira-casaca quando este entender que foi derrotado. E é só por causa disso também que Stella (Charlize Theron), a filha do homem morto, topa se juntar ao grupo e usar seus próprios talentos como arrombadora em prol de uma causa ilegal.

Uma Saída de Mestre é uma refilmagem de uma produção britânica de segunda linha, estrelada em 1969 por Michael Caine. Mas se sai melhor que o original. O diretor F. Gary Gray, de O Negociador, é parcimonioso com a violência – apenas o vilão empunha uma arma – e até com a ação. Prefere, em troca, privilegiar seus atores bem escolhidos (Edward Norton também está no elenco), a engenhosidade e o humor. Não só os planos mirabolantes do bando de ladrões são bem executados, como até a grande cena de perseguição do filme, protagonizada por três charmosíssimos Mini Coopers (sim, trata-se de merchandising dos carrinhos), deve seus méritos mais às sacadas espirituosas do que à ação. Uma Saída de Mestre não passa de um refresco – mas, para certos tipos de sede, isso é o que basta.

 
 
 
 
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