Edição 1822 . 1° de outubro de 2003

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Sexo e bichinhos ficam de fora

O Conar decide criar novas regras para
a publicidade de bebidas alcoólicas


Chrystiane Silva


Divulgação
Trajes de banho apenas em comerciais feitos à beira da praia

O Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar), órgão que regulamenta a publicidade, decidiu ser mais rigoroso sobre propaganda de bebidas alcoólicas. Criado e formado por entidades privadas representantes de agências de publicidade, anunciantes, imprensa e TV, o Conar resolveu que bonecos e qualquer coisa que lembre o universo infantil não podem mais ser usados em peças publicitárias para vender cerveja, cachaça, uísque e vinho. As mudanças nos outdoors serão as primeiras e deverão ser feitas até 15 de outubro. Para as revistas, jornais e cartazes de rua o prazo é até 15 de novembro. Os comerciais de televisão terão até 15 de dezembro para se adaptar às regras. Os anúncios não poderão mais exibir atores tomando bebida alcoólica e, em todos os casos, eles deverão ter e aparentar 25 anos ou mais. Será permitido aos publicitários continuar mostrando mulheres de biquíni ou com pouca roupa, mas apenas em anúncios e comerciais feitos na praia ou na piscina. A idéia do Conar é se antecipar às medidas governamentais que estão em gestação no Ministério da Saúde com o objetivo de coibir a venda de bebidas para menores. No Brasil, o consumo começa cada vez mais cedo. Segundo as estatísticas oficiais, entre os estudantes do ensino médio e fundamental, 74% já experimentaram bebidas alcoólicas. Cerca de 30.000 pessoas morrem por ano no Brasil vítimas de acidentes de trânsito em que houve o uso de álcool pelos motoristas.

Alguns fabricantes de cerveja já estavam preocupados com a questão e haviam tomado providências. A Skol, líder em vendas com 31,7% do mercado, acabou de lançar uma campanha que prega o consumo com responsabilidade. Até o fim do ano, todas as cervejarias, que juntas gastam 600 milhões de reais por ano em anúncios publicitários, seguirão a mesma linha. As medidas anunciadas pelo Conar se antecipam e em alguns casos são mais rigorosas do que a quase centena de projetos que tramitam no Congresso Nacional com o objetivo de regular a publicidade de bebidas alcoólicas. O Conar é um órgão eficiente. Ouve consumidores, empresas e agências de publicidade e tem real poder para mudar as campanhas publicitárias. "As novas regras dão mais força ao Conar", diz João Fernando Vassão, diretor-geral da Fischer América, que tem a conta da Nova Schin.

 

 
 
 
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